ARCATA, Califórnia, 12/12/2005 – Com uma "oligarquia" assentada na Casa Branca e ganhos recordes em seus cofres, as grandes companhias petroquímicas parecem se apressar em dominar a economia mundial – desde agora até um horizonte distante – sem considerar os problemas relacionados ao clima. Porém, seu êxito em fazer aumentar os preços do petróleo está, na realidade, estimulando a transformação que muitos buscam antecipar: o "reverdecimento" da economia global, isto é, processos produtivos que respeitam o meio ambiente da Terra. As pressões dos preços e o aumento da consciência pública sobre os custos da contaminação, da mudança climática e de uma decadente qualidade de vida estão inspirando uma mudança de direção no comportamento de muitas empresas nos Estados Unidos e na Europa.
Pequenas empresas pioneiras estão se especializando em fontes de "energia verde" como a eólica, a solar e a da biomassa, que por muito tempo foram deixadas à margem pelo mercado e agora, de repente, se convertem no foco de um intenso namoro por parte de colossos como o norte-americano Wal-Mart, que buscam reduzir desperdícios e custos em energia, bem como dar um lustro em suas embaçadas imagens perante seus empregados, consumidores e a comunidade. Também se registra uma virada nos hábitos alimentares. A nação do Big Mac está gradualmente se voltando para os produtos orgânicos, já que 40% dos norte-americanos estão preferindo comprar pelo menos alguns produtos desse tipo, que não contêm fertilizantes, inseticidas ou conservantes químicos. Estima-se em US$ 30 milhões o volume total de vendas destes produtos em 2007.
Os picos alcançados pelo preço do petróleo também estimulam inovações radicais dentro de indústrias historicamente ligadas às petroquímicas. Desde 2000, a norte-americana DuPont usa o milho como substituto de petroquímicos e informou que 25% de sua produção conterá ingredientes agrícolas até 2010. Importantes vendedores varejistas adotam embalagens fabricadas com milho, isto é, com plástico feito sem derivados do petróleo, que foram desenvolvidas pela gigante industrial Cargill. Além disso, executivos das grandes corporações, cautelosos diante da má imprensa e das acusações de irresponsabilidade ambiental e social, realizam cada vez maiores (embora ainda marginais) investimentos em tecnologias limpas.
Em novembro, o gigante financeiro Goldman Sachs anunciou que vai se recusar a financiar projetos que prejudiquem o meio ambiente e investirá US$ 1 bilhão em energia renovável, além de cria um centro para mercados ambientais. Em conseqüência do furacão Katrina, que atingiu os Estados Unidos em agosto, os mais sagazes dirigentes empresariais estão se convencendo de que proteger o meio ambiente é fundamental para manter seus clientes, melhorar sua imagem e reduzir os riscos a longo prazo. Grande parte desta mudança de direção se deve à bem orquestrada pressão dos consumidores.
A Rainforest Action Network, uma organização ambiental que defende as florestas tropicais, adotou uma refinada estratégia que combina uma implacável pressão pública com a formação de coalizões e negociações por meio de canais reservados. Deste modo, alcançou nos últimos anos acordos a favor do meio ambiente com o Citigroup, o Bank of América e o J. P. Morgan Chase, que representam verdadeiros marcos na matéria. Quais são os motivos que estão por trás desta mudança de comportamento empresarial? Será que estas companhias realmente estão "reverdejando" suas políticas e práticas ou estão cooptando um movimento popular apenas para descaracterizá-lo?
A experiência revela que os argumentos racionais somente convencem uma minoria e que o ponto de inflexão para a transformação se atinge somente quando a conscientização e o interesse próprio coincidem. Onde está este particular ponto de inflexão? Quando estas "decisões verdes" se estenderão a todo o setor empresarial e quando começarão a influenciar as políticas governamentais? É possível que antes do que pensamos, talvez com um pequeno toque de atenção aos furacões do próximo ano.
(*) O autor é colunista, fundador do Mainstream Media Project, nos Estados Unidos.
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

