Londres, 12/04/2006 – Milhões de crianças poderão receber este ano uma alimentação melhor, graças a um projeto dotado de US$ 20 milhões para fortificar com nutrientes essenciais o sal, a farinha e cereais em vários países em desenvolvimento. A iniciativa da Aliança Mundial para uma Nutrição Melhorada (Gain), criada em 2002, com sede em Genebra, tem o objetivo de melhorar o alimento ingerido por 200 milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento, entre eles muitíssimos adolescentes e mulheres em idade reprodutiva. "Além disso, realizaremos programas para atender particularmente as necessidades de meninas e meninos, com a intenção de atingir entre 20 milhões e 30 milhões", disse à IPS Amanda Marlin, da Gain, em resposta a uma consulta via e-mail.
O financiamento do projeto procede da Fundação Bill e Melinda Gates, que também apóia a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, o Projeto Medicamentos para a Malária e outros sobre aids, tuberculose e saúde pública. A iniciativa pode ter uma enorme repercussão na prevenção de doenças. Além disso, a eliminação de problemas físicos e intelectuais por falta de ferro, iodo, zinco, vitamina A e ácido fólico, entre outros nutrientes, pode ter um impacto direto no desenvolvimento do Sul pobre.
Fortificar alimentos significa vencer limitações típicas de métodos como a promoção de mudanças de dieta e a entrega de suplementos nutritivos à população em risco, que só pode ser desenvolvida pelos sistemas de saúde aos quais nem toda a população tem acesso. "Na Europa e nos Estados Unidos temos cereais para o café da manhã enriquecidos com vitaminas e minerais e, ainda, sal fortificado com iodo. Temos a sensação de que é hora de as populações da África e da Ásia terem os mesmos benefícios", disse Marlin.
"Todos os que comerem alimentos fortificados se beneficiarão com as vitaminas e minerais que lhe forem agregados. Sabemos que entre essas pessoas haverá grande número de adolescentes, mulheres em idade de ter filhos, bem como crianças, especialmente em países em desenvolvimento com população jovem", afirmou a ativista. A fortificação de alimentos é um mecanismo que consegue atingir a população em geral com uma eficaz relação custo-benefício, explicou Marlin. "Na Índia, é apropriado investir US$ 1 milhão em iodização do sal para alcançar 250 milhões de pessoas", estimou. Em países com alta taxa de fecundidade, com a Índia, 40% dos beneficiados serão menores de 16 anos, e entre 10% e 16% serão menores de seis anos, segundo a ativista.
O projeto dará prioridade a países com grandes populações de desnutridos, com Bangladesh, Egito, Índia e Indonésia. A desnutrição por falta de vitaminas e minerais agrava a mortalidade infantil, os defeitos de nascimento, os de desenvolvimento intelectual e a escassa produtividade. "Temos uma meta realista: eliminar as deficiências por falta de vitaminas e minerais nos próximos dez anos", disse Marc Van Ameringen, diretor-executivo da Gain. "Acrescentar vitaminas e minerais aos alimentos que as pessoas ingerem todos os dias é uma solução comprovada para um problema de saúde e desenvolvimento, e custa apenas US$ 0,25 por pessoa ao ano", assegurou.
Atender soluções para a desnutrição é essencial para melhorar a saúde nos países em desenvolvimento, disse a médica Sally Stansfield, diretora associada do programa de Estratégias Mundiais de Saúde da Fundação Bill e Melinda Gates. "Por exemplo, só a correção das deficiências de vitaminas A e de ferro pode ajudar a reduzir em 20% a mortalidade materna e em 23% a infantil", segundo Stanfield. Alimentos fortificados já são uma realidade accessível para a população. A Gain destaca casos de sucesso como o do molho de soja na China, o de pescado no Vietnã, o óleo na Costa do Marfim, a farinha de trigo no Marrocos e o do milho na África do Sul.
Os projetos da Gain conseguem a popularização dos alimentos fortificados com a promoção de alianças nacionais, treinamento de produtores de alimentos, ajuda financeira para a compra de equipamentos e insumos, e campanhas de publicidade. Quando estiverem plenamente implementados, estes projetos alcançarão cerca de 700 milhões de pessoas, assegurou a Gain, que conta com apoio de uma dúzia de grandes empresas. A capacitação de produtores e vendedores de alimentos permite a persistência da fortificação para além do período de financiamento inicial, sem necessidade de fundos de assistência adicionais. O projeto conseguiu ir adiante graças ao desenvolvimento de alianças específicas com empresas em países como China e Índia, bem como na África. (IPS/Envolverde)

