Mulheres-Iraque: Mais protegidas com Saddam Hussein

Londres, 04/04/2006 – As condições de vida da população feminina do Iraque eram muito melhores durante a ditadura de Saddam Hussein (1979-2003), segundo a Organização para a Liberdade das Mulheres desse país. "Na ditadura, os direitos básicos das mulheres estavam santificados na Constituição", disse à IPS Houzan Mahmoud, integrante dessa instituição, vinculada à organização feminina internacional Mãe. Durante o regime de Saddam, "as mulheres podiam sair para trabalhar, ir a universidade, casar ou divorciar em tribunais civis. Mas agora perderam quase todos seus direitos e são empurradas de volta para suas casas", afirmou Mahmoud. A Constituição elaborada sob a tutela do governo dos Estados Unidos, país que ocupa o Iraque desde março de 2003, é "muito retrógrada e antifeminina", disse Mahmoud. "O Islã é hoje fonte de legislação e a religião oficial do país. Isto significa a vigência da sharia (lei islâmica), pela qual as mulheres são cidadãs de segunda classe e não têm poder de decidir sobre suas vidas". Toda a sociedade iraquiana está sujeito ao "caos e à brutalização", acrescentou. "A segurança não existe, bem como nenhum serviço básico, sobretudo a proteção dos direitos femininos, que estão ausentes da agenda de todos os partidos políticos selecionados pelo governo dos Estados Unidos e presentes no parlamento instalado", prosseguiu.

A instituição Mãe exige o envio de uma força de paz liderada pela Organização das Nações Unidas para por fim imediato à ocupação norte-americana. Enquanto a crise no Iraque se agrava a ponto de muitos já a qualificarem de guerra civil, esta entidade assegura que as mulheres e suas famílias sofrem a falta de serviços de segurança, de um governo que funcione e de serviços básicos, bem como de um contexto de respeito aos direitos humanos. Com três anos de ocupação por parte das forças militares encabeçadas por Washington, a situação fica mais perigosa e sombria. "Quanto mais violência e terrorismo o Iraque sofrer, mais mulheres serão vítimas desse clima", afirmou a instituição.

"As violações, os abusos em prisões por parte dos guardas, a matança de mulheres e os seqüestros são generalizados. A falta de segurança e proteção adequada para as mulheres é importante e ninguém faz nada a respeito, nem as forças de ocupação nem a polícia local do governo títere", diz organização. Mas a posição das mulheres varia dentro do Iraque, acrescentou. "Na zona curda, a situação é um pouco melhor, porque esteve fora do controle do Ba?ath (o partido laico e socialista de Saddam Hussein) desde 1991, bem como não foi alvo dos ataques dos Estados Unidos em 2003. Mas a atitude em relação às mulheres não é progressista nessa região", ressaltou.

Além de qualquer perigo da situação política, "ainda há quantidade de mortes por honra (assassinatos cometidos por homens que invocam a honra de suas famílias) e as autoridades curdas não fazem muito para impedi-las", assegurou. Porém, o sul está diretamente sob ocupação militar, "e a presença de várias milícias islâmicas armadas que aterrorizam as mulheres piorou a situação", contou Mahmoud. "O parlamento se divide de acordo com as seitas religiosas e comunidades étnicas. A maioria dos xiitas, que estão no poder, procura institucionalizar a opressão das mulheres forçando sistematicamente a islamização no Iraque", destacou.

As mulheres constituem 60% da população iraquiana, mas não são consultadas sobre nenhum tema político e são privadas deste direito, assegurou Mahmoud. A presença de umas poucas no governo não deve confundir sobre a situação das mulheres, continuou. "Washington selecionou algumas mulheres para integrá-las ao governo e as impôs ao chamado parlamento, mas são desconhecidas do resto das iraquianas. A maioria pertence a partidos da direita reacionária no poder e segue sua agenda, que discrimina as mulheres", afirmou.

As mulheres gostariam de primeiro ver "um final para a ocupação militar que criou o caos e a destruição da sociedade iraquiana e também resultou na matança maciça e cotidiana de iraquianos comuns", afirmou Mahmoud. As mulheres "gostariam de ver a segurança restaurada. Assim, pelo menos, poderiam sair livremente sem serem atacadas nem seqüestradas, ou sem que criminosos lhes joguem ácido no rosto. As mulheres querem igualdade, liberdade e que seus direitos sejam reconhecidos na Constituição e, sobretudo, querem ser tratadas como seres humanos iguais", afirmou Mahmoud. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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