Bogotá, 14/07/2006 – O desenvolvimento humano e a governabilidade democrática são assuntos sobre os quais poderão opinar e compartilhar idéias, ensaios, experiências e conhecimentos, cidadãos de todas as condições com acesso à Internet e ingressar na Escola Virtual para a América Latina e o Caribe. Oficialmente, a Escola Virtual foi apresentada à imprensa nesta terça-feira na cidade caribenha de Cartagena de Índias, na Colômbia, por representantes das entidades responsáveis da iniciativa, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a União Européia e a Agência Catalã de Cooperação ao Desenvolvimento.
Entretanto, o Primeiro Fórum Virtual, isto é, o primeiro tema que faz parte do conteúdo da Escola, está em desenvolvimento desde sexta-feira, quando foi aberta a possibilidade de compartilhar conhecimentos e propostas a respeito da “Tensão sobre abertura democrática e carências sociais”, sob a moderação do acadêmico argentino Rodolfo Mariani. Nesse mesmo dia, às 23h49 (hora local) a estudante colombiana Elizabeth Arciniegas Muñoz entrou na página do fórum na Internet para afirmar que, “embora a democracia na região tenha avançado e se estabelecido como o regime de governo predominante, os avanços ainda são tímidos e não se pode falar de uma democracia consolidada”.
A participação de Elizabeth foi seguida por psicólogos, sociólogos, pesquisadores, professores universitários da América Latina e do Caribe, para completar, até o momento, 15 intervenções, todas de residentes na América Latina, embora a participação não seja restrita, mas aberta a qualquer um que no mundo se interesse pelo tema na região. É fácil entrar. No site http://www.escuelapnud.org clicar o link “Hágase amigo”, preencher os dados solicitados em um formulário e enviar, para, em seguida, receber um número de acesso à página. A partir daí é possível conhecer os comentários feitos, responder a cada um, ou participar de maneira geral.
Cada fórum fará parte do conteúdo geral da Escola Virtual. Para o atual, a pauta da intervenção proporciona a introdução: “Durante as últimas décadas na América Latina e no Caribe se manteve o regime democrático e houve uma série de reformas constitucionais e econômicas no sentido de melhorar a democracia e fortalecer os mercados. Entretanto, persistem (e em alguns casos agravaram) a desigualdade, a pobreza e outras deficiências no desenvolvimento humano. Esta tensão entre abertura democrática e carências sociais está afetando o funcionamento do sistema político e, inclusive, causando crise de governabilidade em muitos paises”.
A seguir, aparecem três perguntas: “Por favor, comente: 1) No caso de seu país o quanto esta tensão é severa? 2) Como ela se expressa e como afeta a política? 3) Quais seriam as reformas ou as medidas prioritárias para enfrentar esta tensão?”. Da mesma forma, cada fórum temático contará com um breve motivo e perguntas-guia que orientarão a discussão. Os moderadores também serão, preferentemente, acadêmicos e intelectuais da América Latina. Este primeiro fórum vai até a próxima sexta-feira.
Nesta terça-feira foi oficializada a iniciativa que contará com a direção acadêmica do pesquisador e escritor colombiano Hernando Gómez Buendía, diretor do Informe Nacional de Desenvolvimento Humano Colômbia-2003 “O conflito, um beco com saída”, e a coordenação acadêmica da catalã Gemma Xarles, radicada na Colômbia. Entre os objetivos da Escola Virtual estão a formação de líderes comunitários com acadêmicos e profissionais, e a colocação em prática de propostas sobre questões de desenvolvimento. A IPS ouviu Xarles sobre sua expectativa quanto ao resultado, tendo em conta a relativa e limitada possibilidade de acesso à Internet por parte de líderes que moram em zonas marginalizadas ou rurais.
Na Colômbia, por exemplo, segundo o serviço privado de Informação Delta, em dezembro de 2005 havia apenas 685 mil pessoas com acesso à Internet, em um país com pouco mais de 42 milhões de habitantes. Entretanto, e de acordo com a mesma fonte, nesse ano se registrou aumento de 40% nas conexões à rede mundial de computadores, em relação a 2004. Xarles assegurou que está se buscando o apoio de organizações para dinamizar a ampliação do projeto. Confirmaram seu apoio instituições educacionais locais e nacionais, como a Universidade Externado da Colômbia, com sede em Bogotá, e a Universidade Pontifícia Bolivariana, de Medellín. No último momento, a Universidade de Cartagena anunciou sua intenção de participar.
A fim de avançar na redução do déficit de acesso à Internet, a consultora do Pnud, María Canal, assegurou que está começando um processo de capacitação em uso de meios eletrônicos entre a população de Cartagena e da localidade de Soacha, sudoeste de Bogotá. Pretende-se que cerca de 400 pessoas em Soacha e mais 150 em Cartagena se convertam em multiplicadores de conhecimento para os demais moradores. De maneira complementar, será estabelecida uma rede de fornecimento de informação em CD Room, considerando que para alguns setores da população ter acesso ao conteúdo é relativamente fácil em locais públicos, onde pelo preço equivalente a um dólar por hora será possível conhecer o conteúdo acumulado em cada fórum.
A respeito da colocação em prática de sugestões e intervenções dos participantes, Xarles assegurou que todas as idéias serão atendidas e analisadas, e reconhecidas como ferramentas que ajudarão a cumprir os objetivos propostos. “Na apresentação de sugestões ou implementação de políticas públicas, a opinião do cidadão comum é fundamental”, afirmou. Paradoxalmente, o coordenador do Primeiro Fórum Virtual, o acadêmico argentino Mariani, não conseguiu chegar em Cartagena para a apresentação de terça-feira por causa de problemas de vôos e aeroportos desde outras cidades da América Latina.

