Finanças-EUA: Fórum de Davos acende a luz amarela por causa do déficit

Washington, 09/10/2006 – O caráter de superpotência dos Estados Unidos corre risco pelo enorme déficit fiscal causado por seus excessivos gastos militares e suas reduções de impostos, alertou o Fórum Econômico Mundial, seleto clube empresarial que realiza sua reunião anual em Davos, na Suíça. O Fórum, cuja direção permanente tem sede em Genebra, divulgou está semana seu Índice de Competitividade Global 2006-2007, e colocou os Estados Unidos em sexto lugar, atrás de Suíça, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Cingapura, e à frente apenas do Japão. A lista dos dez primeiros países, todos industrializados, se completa com Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha.

O documento diz que o aumento com gastos de defesa e segurança interna por causa da guerra contra o terrorismo e os planos em curso para reduzir ainda mais os impostos deixam os Estados Unidos enfrentando um difícil balanço fiscal. “Com uma baixa proporção de poupança, déficit recorde e uma piora da posição devedora líquida do país, há um risco nada desprezível tanto para a competitividade geral do país quanto para o futuro da economia global, devido ao tamanho relativo da economia norte-americana”, disse Augusto Lopez-Claros, economista-chefe da Rede de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial.

O informe indica que os Estados Unidos enfrentam importantes desafios institucionais porque a qualidade de suas instituições públicas estão em pior posição do que as de outras nações ricas, em termos de transparência e eficiência, especialmente depois da devastação causada pelo furacão Katrina no ano passado. O fórum lista os países com base em critérios específicos, incluídas as políticas macroeconômicas, a regulamentação do mercado, o desenvolvimento tecnológico e a educação. O estudo é realizado pelo fórum todos os anos em colaboração com institutos de pesquisa e organizações empresariais. O deste ano foi complementado com uma pesquisa com mais de 11 mil dirigentes empresariais em 125 economias de todo o mundo.

O Fórum Econômico Mundial reúne as empresas mais poderosas do mundo e é famoso por suas reuniões anuais na localidade alpina de Davos, com a presença de lideres políticos mundiais e importantes executivos. A prevenção do Fórum a respeito dos Estados Unidos é uma luz amarela para a economia deste país. Se a confiança internacional em Washington continuar caindo, é provável que o dólar caia mais e que os investimentos estrangeiros se reduzam. O informe foi imediatamente aproveitado pelo opositor Partido Democrata como evidência contra as políticas do presidente George W. Bush em sua campanha para as eleições legislativas de 7 de novembro.

Os democratas acusaram o governo pela posição do país no ranking do Fórum. A líder democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, observou que o Poder Executivo e os legisladores do governante Partido Republicano “acumularam déficit recorde para ajudar uns poucos privilegiados, subsidiaram empresas para que exportassem postos de trabalho e fracassaram em incentivar uma agenda comercial benéfica para as empresas e os trabalhadores dos Estados Unidos. Está em jogo nada menos do que nossa liderança econômica”, acrescentou.

A economia dos Estados Unidos está ameaçada por grandes desequilíbrios macroeconômicos, particularmente por níveis elevados de endividamento público associados com um reiterado déficit fiscal. Os economistas dizem que o país poderia ver um desordenado ajuste destes desequilíbrios, incluindo o déficit comercial, historicamente alto e em crescimento sustentado há cinco anos. Em 2005, os Estados Unidos tiveram um déficit comercial de quase US$ 791,5 bilhões. Em julho chegou a US$ 68 bilhões, 5% mais do que o registrado em junho.

Neste ano, os Estados Unidos acumulam déficit comercial de US$ 820 bilhões, muito acima do registrado no ano passado e se aproximando de 6% do produto interno bruto. Os economistas consideram que o déficit, equivalente a 4% do PIB, ameaça a estabilidade econômica geral, ao aumentar as perspectivas de interesses altos ou de liquidar a divisa de um país. “O que é insustentável é o atual crescimento do déficit norte-americano como uma cota do PIB”, diz o informe. “Manter um déficit constante pode requerer certa depreciação do dólar e uma redução do deficit comercial. Também requer maior esforço por parte dos Estados Unidos para reduzir os desequilíbrios fiscais”, acrescenta. (IPS/Envolverde)

Emad Mekay

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