Desenvolvimento: Londres pressiona o Banco Mundial

Londres, 09/10/2006 – Organizações da sociedade civil aplaudiram timidamente a advertência do governo da Grã-Bretanha: retirará US$ 95 milhões de sua conta no Banco Mundial caso está instituição não alivie suas condições de crédito aos países pobres. O anúncio do ministro de Desenvolvimento Internacional, Hilary Benn, constitui uma pressão adicional para que o Banco deixe de obrigar os países credores a privatizar serviços públicos e abrir seus mercados para a competição externa. Mas o dinheiro mencionado por Benn não é suficiente, segundo a organização War on Want (Guerra à pobreza), pois constitui “uma pequena parte dos US$ 2,4 bilhões prometidos por seu departamento para os próximos três anos, e a ameaça, portanto, carece da contundência necessária”.

O diretor de campanhas políticas da organização, John Hilary, disse “Benn teve a idéia correta, mas, os números estão equivocados. Aplaudimos a decisão de retirar fundos, mas pensamos que a ameaça deve ser real”. Hilary disse que “as políticas de livre mercado do Banco condenaram muitos países em desenvolvimento a mais pobreza, por isso o governo britânico deveria eliminar todo contato com essas políticas”. Assim, “Benn deveria retirar todos os fundos do governo da Grã-Bretanha do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional” (FMI) até que essas instituições “retirem suas prejudiciais condições sobre os países pobres”, afirmou o ativista. Entretanto, outras organizações destacaram a importância da medida.

“Queremos que o governo do Reino Unido pressione o Banco Mundial e o FMI”, disse à IPS Anna Thomas, da organização Christian Aid. “Com essa medida já está pressionando, e isso nos agrada. E, se não houver uma resposta, gostaríamos que o governo desse mais dinheiro para o desenvolvimento através de outros canais”, acrescentou. Boa parte da ajuda do Banco e do FMI é composta por créditos condicionados à abertura de mercados nos países supostamente beneficiados. Grã-Bretanha e Noruega figuram entre os poucos países que não vinculam sua ajuda ao desenvolvimento a demandas de liberalização econômica.

A pequena, mas significativa, medida poderia ter um forte impacto, segundo Thomas. “A evidência da necessidade de uma mudança nas políticas do Banco Mundial surgem de suas próprias investigações. Hoje está revisando as condições de seus créditos e doações, por isso acredito que reagirá diante da medida britânica”, afirmou. Desde julho, a Christian Aid vem cobrando do governo do primeiro-ministro Tony Blair uma pressão sobre o Banco Mundial. O britânico Movimento pelo Desenvolvimento Mundial aplaudiu a medida, qualificando-a de “vitória parcial” dos ativistas contra a pobreza.

“Se o propósito e o efeito da iniciativa é fazer com que está instituição deixe de obrigar os países em desenvolvimento a ‘liberalizar’ suas economias e privatizar serviços, Londres está, finalmente, aceitando nossos argumentos”, disse o diretor do Movimento, Benedict Southworth. “O senhor Benn responde aos chamados dos ativistas e dá um bem-vindo primeiro passo e estabelece um marco com o qual se medirão as futuras ações do governo”, afirmou. “O ministro estabeleceu o princípio de que a contribuição britânica às instituições financeiras internacionais ao desenvolvimento deve incluir a aceitação de que os países são capazes de tomar suas próprias decisões econômicas. Se este enfoque for mantido, transformará as perspectivas dos países em desenvolvimento”, concluiu.

Qualquer mudança de políticas por parte do Banco Mundial será um sinal importante para toda a assistência ao desenvolvimento canalizado através de agências multilaterais e governos. Organizações da sociedade civil agora planejam aumentar a pressão sobre o governo para que adote novas ações. “Exortamos a Grã-Bretanha a percorrer uma milha a mais e retirar todos seus fundos” do Banco Mundial, disse o chefe de políticas da Christian Aid, Charles Abugre. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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