China: Um crescimento gradual das ONGs

Londres, 09/10/2006 – A sociedade civil se organiza rapidamente na China, mas somente naquelas áreas onde o governo permite, afirma o último relatório da aliança internacional de organizações não-governamentais Civicus. O índice da sociedade civil (CSI) foi elaborado na China por está instituição e pelo Centro de Pesquisas da Escola de Políticas Publicas e Gerenciamento, da Universidade Tsinghua, em Pequim. Trata-se do informe número 25 de uma série de 50 realizados a esse respeito pela Civicus, que tem sede em Johannesburgo.

A organização é uma aliança internacional criada e 1993 para incentivar a fundação, o crescimento e a proteção de ações da cidadania em todo o mundo, especialmente em regiões e países onde a democracia participativa e a liberdade de associação estão sob ameaça. A quantidade e variedade de organizações da sociedade civil “aumentaram significativamente” desde os anos 90, diz o documento. Estas associações estão “particularmente bem representadas nos campos da proteção ambiental, no alívio da pobreza, na promoção comercial e no desenvolvimento comunitário”.

Mas o projeto também identifica debilidades na organização sociedade civil chinesa, “como uma limitada participação da cidadania, várias restrições legais à criação de organizações de base e coalizões e a limitada importância que estas instituições dão a assuntos delicados como a democracia e a transparência governamental”. Está ultima questão não deveria ser o menor dos problemas para a sociedade civil chinesa. “Não há, realmente, organizações de direitos humanos na China”, disse à IPS, via e-mail, Jia Xijin, coordenador do CSI na China e funcionário da Universidade Tsinghua.

“Existem organizações civis que trabalham na proteção dos direitos da população flutuante (migrantes internos), mulheres e outros setores. Não trabalham diretamente em direitos humanos. Há uma entidade de direitos humanos criada pelo governo, dedicada a um trabalho geral”, acrescentou. Boa parte da sociedade civil chinesa ainda tem estreitos vínculos com o governante Partido Comunista, disse Jia. “A maioria das grandes organizações civis tem uma estreita relação com o Partido, como a Federação de Mulheres e a Federação de Deficientes”, explicou.

A população chinesa ainda não está familiarizada com o conceito de sociedade civil, segundo o especialista. “O significado deste conceito varia de uma pessoa para outra. As pessoas comuns não conhecem bem o termo, ou o utiliza de maneira pouco clara”, afirmou. Segundo este especialista, as organizações patrocinadas pelo partido obtêm mais facilmente a autorização para funcionar. “O conceito de sociedade civil na China inclui organizações registradas no Escritório de Assuntos Civis como unidades civis não-empresariais, grupos sociais e fundações”, acrescentou Jia.

“Às vezes, o termo sociedade civil inclui, na China, uma comissão local de uma área rural, uma comissão de moradores em uma área urbana e instituições de transição. Os partidos democráticos e grupos religiosos não são considerados, em geral, parte da sociedade civil”, afirmou o ativista. As autoridades reconhecem três tipos de organizações da sociedade civil: organizações sociais integradas por seus membros, fundações e unidades civis não-empresariais, que tem um objetivo de interesse público, como escolas privadas, hospitais e agencias de serviço social.

No final de 2005 havia 168 mil organizações sociais, 146 mil unidades civis não-empresariais e 999 fundações, diz o informe da CSI. O documento indica que a sociedade civil chinesa conseguiu um nível médio, ou ligeiramente acima da média, nas áreas de impacto e valores, mas que sua estrutura ainda é débil. Isto significa, entre outras coisas, que as organizações poderiam exercer “uma influência mais forte na sociedade do que sua própria estrutura organizacional e setorial e seus recursos sugerem”, diz o documento.

Quanto aos valores, segundo o CSI, muitas organizações chinesas têm parâmetros positivos, entre elas práticas de gênero eqüitativas. “As organizações da sociedade civil também têm um forte papel na promoção de compromissos com a erradicação da pobreza e com as causas ambientais. mas são menos proeminentes quando se trata de áreas delicadas, como a democracia e a transparência governamental”, afirmou. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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