Montevidéu, 03/11/2006 – A XVI Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Ibero-América, que acontece em Montevidéu, é um novo esforço para fortalecer os laços políticos, econômicos, culturais e comerciais entre nossos povos. Também é uma importante ferramenta para a análise e o avanço de propostas diante do fenômeno das migrações. Necessitamos abordar de forma compreensiva a problemática migratória, acertar posições e desenvolver ações coordenadas, especialmente diante dos países receptores. Além disso, devemos reafirmar nossa rejeição ao fato de os migrantes, independente de sua condição migratória, sejam tratados como criminosos; nosso compromisso deve ser desestimular a migração ilegal, criar emprego decente para os migrantes e fortalecer as ações para proteger as vítimas do tráfico de pessoas e do tráfico ilícito de migrantes.
Na Colômbia, a chancelaria, cumprindo o Manifesto Democrático, criou em 2003, o programa Colômbia Nos une, destinado a fortalecer os vínculos com os colombianos que emigraram, reconhecê-los como parte ativa da nação e criar políticas públicas para eles. Conscientes do crescente número de colombianos residentes no exterior, e da importância do fenômeno migratório em nível global e, ainda, da necessidade de torná-los visíveis e incluí-los dentro dos projetos nacionais, este programa serve como facilitador diante de instituições nacionais e organismos internacionais para gerar programas e projetos dirigidos à diáspora colombiana.
Por sua vez, foi promovida a investigação destinada a identificar sócio-demograficamente os colombianos no exterior, estabelecer alianças estratégicas destinadas a promover programas de impacto nestas comunidades, criar canais de comunicação entre os colombianos independentemente de seu lugar de residência e indagar sobre o impacto das remessas familiares no âmbito local, regional e global. De maneira complementar é coordenado um trabalho regional para mostrar os efeitos positivos da migração internacional, tanto para países de origem quanto de destino, e lutar pela para descriminalizar este fenômeno.
Impulsiona-se a execução de programas de migração trabalhista temporária, que facilitam a mobilidade ordenada dos trabalhadores, lhes garante o respeito dos direitos humanos e trabalhistas e alavancam processos produtivos nas comunidades de origem. Os trabalhadores colombianos recrutados sob estes esquemas se destacam por serem laboriosos e contribuírem para a boa imagem do país no exterior. Finalmente, Colômbia nos Une estabeleceu um trabalho conjunto com os sindicatos da construção no país, a fim de canalizar as remessas para a compra de moradia na Colômbia a partir do exterior.
Reiteramos nossa imensa gratidão a todos os governos e povos das nações irmãs ibero-americanas e nosso compromisso com a construção de uma democracia pluralista, solidária, com coesão social em nossos territórios. Continuamos trabalhando para que nossos países conquistem um bem durável, como merece a nobreza de nossos povos e como devemos legá-lo às próximas gerações. (IPS/Envolverde)
* Álvaro Uribe é presidente da Colômbia. Artigo do livro “Migrações, um desafio global”, da Editora Comunica, publicado em 2 de novembro.

