Jornalismo: Repórter Sem Fronteiras quer que a ONU defenda a liberdade de informar

Madri, 24/11/2006 – A Organização das Nações Unidas deve passar das palavras aos fatos e defender na prática a liberdade de informação, disse à IPS Rafael Jiménez Claudín, secretário-geral da seção espanhola da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Claudín acompanhou a presidente da RSF na Espanha, Maria Dolores Masana, e Diego Caballo, presidente da Associação Nacional de Informadores Gráficos de Imprensa, na entrevista coletiva oferecida no último dia 17 por ocasião do Dia Internacional de Apoio aos Jornalistas Presos.

Em suas declarações, “que apoiamos”, a ONU defende a liberdade, “mas é preciso acabar com a impunidade dos que violam esses direitos”, acrescentou o jornalista. E para isso “é necessário reforçar” as Convenções de Genebra, sobre as quais se baseia o direito internacional humanitário, “estabelecendo que se possa levar ao Tribunal Penal Internacional quem violar os direitos à liberdade de expressão”, concluiu. A RSF prepara um documento a respeito que nos próximos meses irá apresentar à Secretaria Geral da ONU, disse Masana.

Na coletiva foi informado que 139 jornalistas estão presos no mundo, sendo quatro mulheres. A China é o país com o maior número de presos, que representam 25% do total, seguida de Cuba, com 18%, Etiópia 16% e Eritréia 10%. Os demais países não superam individualmente os 4% do total. A presidente da RSF Espanha disse que os ataques contra jornalistas exacerbaram desde os atentados de 11 de setembro de 2001 em que três mil pessoas morreram em Nova York e Washington.

Os jornalistas “passaram de alvo ocasional ao mais procurado, porque não querem que se informe sobre a violência dos direitos humanos”, segundo Masana. “Todos os jornalistas presos atualmente, sem exceção, estão na prisão por realizarem seu trabalho e cumprirem o dever de informar, por não aceitar a censura ou a manipulação”, acrescentou. Entre os presos mais recentes Masana citou Roberto Marcos García, detido no dia 20 de novembro em Veracruz, no México, e Fredy Muñoz Altamirando, preso um dia antes na Colômbia.

No caso de Altamirando, a RSF iniciou gestões e seu advogado recebeu com resposta que nos próximos cinco dias o juiz decidirá se o processará e se o manterá na prisão. “Nossa posição é que deve ser libertado imediatamente”, disse por telefone desde Paris à IPS Benoit Herview, responsável da RSF para a América. Os mais agredidos são cinegrafistas de televisão e fotógrafos, destacou Claudín. “Isso porque a imagem é a maior representação da dor, mas também conscientiza pela liberdade”, afirmou Diego Caballo.

Em sua opinião, “o repórter fotográfico é a voz de quem não tem voz e o principal inimigo que deve enfrentar é o “encravamento”. Por encravamento se entende a disposição das forças armadas de diversos países, especialmente dos Estados Unidos, que exigem que os jornalistas viagem dentro de veículos militares por cenários de conflitos bélicos, só podendo sair dos mesmos com autorização dos chefes militares. “Isso demonstra, uma vez mais, que a manipulação da informação tem seu ponto de partida nos que ostentam o poder”, ressaltou Caballo.

A RSF Espanha adotou em 1989 uma iniciativa que renova anualmente, que é o apadrinhamento de jornalistas presos. Segundo a organização, jornalistas espanhóis ou que trabalham na Espanha apadrinham seus colegas presos, o que significa se comprometer a lutar por sua liberdade. Masana recordou que dos cem apadrinhados até agora mais da metade foi libertada e que muitos deles insistiram na importância que teve “não se sentir esquecido por todos e de tudo”.

Este ano, os apadrinhados são Gao Qinrong, Yang Zili e Ching Cheong, na China; Win Tin, na Birmania; Ricardo González, Miguel Galván Gutiérrez e Fabio Prieto Llorente, em Cuba; Mohamed Abbou, em Túnez; Serkalem Fassil, na Etiopía: Fessehaye Hohannes e Dawit Isaac, na Eritrea; Sami Al-Haj, nos Estados Unidos; Michel Kilo, na Síria, e Anakurban Amanklytchev, no Turcomenistão. Os apadrinhados en 2005-2006 que foram libertados são Aksbar Ganji, do Irã; Mohamed Benchicou, da Argélia; Pham Hong Son e Nguyen Dinh Huy, do Vietnã; Massoud Hamed, da Síria, e Jennifer Latheff, das Maldivas.

Claudín destacou a atitude do birmanês Win Tin, conhecido como “o Sábio”, que está há mais de 17 anos na prisão, muito fraco de saúde. “Mas não se dobra” e se nega a renegar seu compromisso com a Liga Nacional para a Democracia, o principal partido da oposição à ditadura. Tin foi condenado em 1989 a 20 anos de prisão por “subversão” e “propaganda antigovernamental”, após ter sido um dos mentores políticos da ganhadora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, também privada da liberdade.

Outro condenado a 20 anos é Ricardo Gonzáles Alfonso, cubano, que depois de trabalhar na televisão estatal de seu país foi correspondente da RSF e em maio de 2001 fundou, junto com Raúl Rivero, uma sociedade para formar jovens jornalistas independentes. Em dezembro de 2002, González criou a revista bimestral De Cuba, que com tiragem de 250 exemplares foi publicada apenas três vezes, até que foi preso em 2003 junto com outros 89 dissidentes, 26 deles jornalistas. Sua condenação se deu por violar a lei 88, de “proteção da independência e da economia de Cuba”. Alfonso encontra-se atualmente gravemente doente, com um tumor de natureza inflamatória, informou a RSF. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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