Nova York, 13/12/2006 – Milhões de meninos e meninas em todo o mundo continuarão sofrendo a falta de alimentos, de cuidados médicos e de educação enquanto suas mães forem discriminadas dentro de casa e nos locais de trabalho, alerta um estudo da Organização das Nações Unidas. “A igualdade de gênero e o bem-estar das meninas e dos meninos estão unidos de forma absoluta”, disse Ann Veneman, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que apresentou o informe “Estado Mundial da Infância 2007”. Na apresentação, Veneman defendeu o fim das desigualdades de gênero e destacou que, apesar de certa melhoria em sua condição, milhões de mulheres em todo o planeta ainda estão condenadas a sofrer violência física e sexual.
As análises estatísticas do informe demonstram que, na maioria dos países, as mulheres trabalham mais pesado e mais horas, mas ganham menos do que os homens. Também revelam que elas ainda não gozam de uma participação eqüitativa na tomada de decisões domésticas nem na esfera pública. As conseqüências disto podem ser graves tanto para elas próprias quanto para seus filhos. Nas famílias em que são as mulheres que tomam as decisões-chave uma proporção maior de recursos é destinada às crianças, em relação àquelas onde as mães têm um papel menos decisivo.
“Isto se deve ao fato de às mulheres, geralmente, se voltarem aos temas de bem-estar e por ser mais provável que usem suas influências e seus recursos para promover as necessidades dos filhos, em particular, e da família, em geral”, afirma o estudo. Convencidos de que a paridade de gênero tem um papel-chave na melhoria das situações econômicas e sociais, os pesquisadores alertam que a contínua discriminação das mulheres pode colocar em perigo os esforços mundiais para reduzir a pobreza e outras questões relacionadas. Conseguir a igualdade de gênero na educação primária até 2015 é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos pelos líderes do planeta em 2000.
Entretanto, o documento assinala que essa meta está longe de ser cumprida se os esforços continuarem no ritmo atual. Em muitos países pobres, cerca de 20% das meninas no ensino primário não terminam seus estudos. Os autores do informe indicam que a falta de educação priva as meninas da oportunidade de desenvolver todo seu potencial, e destacam que há maiores probabilidades de uma mulher com instrução enviar seus filhos à escola e, também, que há menos possibilidades de morrer durante o parto. Cálculos recentes do Unicef indicam que apenas 43% das meninas no Sul em desenvolvimento cursam estudos secundários.
Os níveis de educação estão relacionados com a sobrevivência na infância e com o desenvolvimento, diz o informe, acrescentando que as medidas para promover a igualdade de gênero pode ser o propulsor de todos os demais objetivos do milênio, entre eles reduzir a pobreza, melhorar a saúde materna, garantir a educação universal, combater a aids e proteger o meio ambiente. “Se nos preocupamos com a saúde e o bem-estar das crianças, devemos trabalhar agora para garantir que as mulheres e as meninas tenham oportunidades iguais e recebem educação, para poderem participar do governo, conseguir auto-suficiência econômica e ficarem protegidas da violência e da discriminação”, disse Veneman.
Citando evidências de países industrializados e em desenvolvimento, o documento do Unicef sugere que uma participação maior das mulheres nos sistemas políticos poderia ter um impacto positivo no bem-estar de meninos e meninas. Até julho, as mulheres tinham representação de apenas 17% nos parlamentos em todo o mundo. A divulgação do estudo coincidiu com o encerramento da campanha mundial 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, que acontece todos os anos entre o Dia para a Eliminação da Violência contra a Mulher, 25 de novembro, e o Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro. A campanha tem apoio da ONU e de várias de suas agências. (IPS/Envolverde)

