Washington, 15/12/2006 – As conclusões de uma série de pesquisas feitas nos Estados Unidos após a divulgação de um estudo sobre o Iraque, elaborado por uma comissão de especialistas do Congresso, mostram uma grande queda da confiança pública na estratégia do presidente George W. Bush. Estes resultados dificultarão os esforços do governo para ganhar apoio popular para mandar mais 50 mil soldados para o Iraque com a missão de estabilizar a situação nesse país, como querem os chefes do Estado Maior Conjunto reunido com Bush na quarta-feira, com apoio dos neoconservadores.
O Grupo de Estudos sobre o Iraque (ISG) do Congresso norte-americano, formado por 10 membros e co-presidido pelo chefe da diplomacia, James Baker, e pelo ex-deputado do Partido Democrata Lee Hamilton, apresentou um relatório que, entre outras coisas, reclama uma redução gradual da presença militar em território iraquiano até o primeiro trimestre de 2008. Cerca de sete em cada 10 entrevistados em uma pesquisa feita em conjunto pelo jornal The Washington Post e a rede de televisão ABC News no final da semana passada concordam com as recomendações do ISG.
Por outro lado, uma pesquisa da CBS News descobriu que a proporção de consultados que apóiam uma retirada ou uma redução das tropas no Iraque aumentou de 50%, antes das eleições legislativas de novembro passado, para 59% na semana passada. As últimas pesquisas, entre elas as feitas pelo jornal Los Angeles Times, pela agência especializada em informação financeira Bloombderg, pela consultoria Gallup e pela revista Newsweek, foram divulgado no momento em que Bush estava envolvido em uma série de consultas sobre as recomendações feitas pelo ISG.
A Casa Branca previa encerrar sua revisão do informe na próxima semana e fazer importantes anúncios sobre a política do país antes do Natal. Mas, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, anunciou nesta quinta-feira que isto poderia sofre um adiamento para início de janeiro, pouco antes de o novo Congresso tomar posse, no qual os democratas serão maioria. Rice disse que está demora permitiria ao novo secretário de Defesa, Robert Gates, contribuir para o processo. Acredita-se que Gates, que integrou o ISG até sua nomeação para o novo cargo no começo de novembro, participa do pessimismo do grupo em relação à guerra no Iraque e duvida da conveniência de manter ou aumentar as tropas nesse país.
Alguns analistas acreditam que Gates se alinhará com Rice e com os chamados “realistas” do Departamento de Estado nas lutas internas contra os “falcões”, a ala mais belicista do governo e liderada pelo vice-presidente, Dick Chenety. As consultas que Bush realiza com seus assessores parecem destinadas a diminuir o impacto da avaliação negativa do ISG e apresenta-lo como uma de tantas opiniões sobre a situação iraquiana. O presidente já rechaçou publicamente várias das recomendações do informe, como a de se aproximar da Síria e do Irã para solicitar sua ajuda nos esforços para estabilizar o país.
Estas consultas, segundo o The New York Times, consistem em “uma série de reuniões cuidadosamente organizadas com funcionários e especialistas cujas credenciais comuns parecem ser sua oposição às recomendações” do ISG. Mas, as últimas pesquisas sugerem que o público em geral está mais de acordo com as conclusões do documento do que com o governo Bush, e em particular com os falcões. As pesquisas, mostram, por exemplo, que a maioria da população compartilha a posição do ISG de que a situação no Iraque “é grave e está se deteriorando”
Na pesquisa do Gallup, 17% afirmaram que os Estados Unidos estavam “ganhando” a guerra (contra 40% no ano passado), enquanto a proporção de entrevistados que disseram acreditar que Washington “não pode ganhar” o conflito aumentou de 27% para 35% nos últimos seis meses. Na pesquisa do The Washington Post, 52% dos entrevistados disseram que o país estava perdendo a guerra, enquanto na da CBS News 71% afirmaram que o conflito “ia mal”. (IPS/Envolverde)

