Espanha: Multinacionais assumem compromisso por um mundo melhor

Madri, 12/01/2007 – Onze grandes empresas espanholas apresentaram nesta quinta-feira o projeto “2015: Um mundo melhor para Joana”, pelo qual se comprometem a serem leais à sociedade e contribuir efetivamente para superar os males da humanidade, embora, por ora, se trate apenas de uma ambiciosa campanha publicitária. O ato de apresentação foi presidido pela infanta Cristina, filha dos reis da Espanha, e assistiram os principais executivos das companhias, como os presidentes Francisco González, do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA); Antonio Brufau, da empresa petrolífera Repsol-YPF, e César Alierta, da Telefonica, em cuja sede a iniciativa foi divulgada.

Joana é o nome de uma menina costarriquenha, estrela do curta-metragem onde são descritos os objetivos do milênio, aprovados em 2000 pela Organização das Nações Unidas, e o compromisso com os mesmos do Fórum de Reputação Corporativa (FRC), organizador do ato e que assumiu o compromisso. No filme, Joana se identifica: “Sou uma menina de 9 anos quero contar algo importante. Há tempos, algumas pessoas muito sábias imaginaram um mundo melhor para todos. E para cumprir seu sonho, estabeleceram uma data e um nome: 2015. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”.

E acrescenta: “Agora, minha tarefa é fazer com que você saiba quais são: 1. Erradicar a pobreza extrema e a fome; 2. Ensino primário universal; 3. Promover a igualdade de gêneros e a autonomia da mulher; 4. Reduzir a mortalidade entre menores de 5 anos; 5. Melhorar a saúde materna; 6. Combater o HIV/aids, a malária e outras doenças; 7. Garantir a sustentabilidade do meio ambiente; 8. Fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento”. E a menina encerra lembrando que “são oito desejos que entre todos podemos tornar realidade. Te espero!”, termina o filme, mostrando em seguida o endereço eletrônico http://www.2015unmundomejorparajoana.com.

“2015: Um mundo melhor para Joana” é uma campanha de comunicação de grande alcance que gira em torno de seu símbolo, Joana, colocando-a como representante de milhões de crianças que em 2015 atingirão sua maioridade, data prevista para fazer o balanço do cuprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Alierta destacou que as 11 empresas do FRC representam 50% do IBEX, o índice das quatro bolsas nas quais são cotadas as grandes sociedades anônimas da Espanha, e que as mesmas estão presentes em mais de cem países, mantêm contratados 30 mil profissionais e possuem 850 milhões de clientes. Tudo isso – acrescentou – as leva a se comprometerem no apoio aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, “ainda que colocando um grão de areia na aliança global para o desenvolvimento”.

Luis Abril, secretário-executivo da Telefonica, afirmou que os oito objetivos estão centrados no ser humano e que a primeira ação de Joana é o desenvolvimento de uma campanha de comunicação de alcance global, em apoio a esses objetivos. Porque, destacou, “Joana é um símbolo, um conceito, que com a cooperação pode se transformar em uma personagem do mundo e em uma voz da consciência e das gerações futuras”. A campanha começou no Natal e continua com um primeiro passo na comunicação interna do projeto aos empregados das 11 empresas, para envolvê-los no projeto.

O segundo passo será impulsionar a presença do projeto na imprensa e na televisão e nas mensagens das próprias companhias, enquanto são preparadas “ações especiais” que tenham relação com cada um dos Objetivos. A idéia de um pacto mundial de responsabilidade social das empresas foi lançado no dia 31 de janeiro de 1999 no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, por Kofi Annan, então secretário-geral da ONU. Em julho do ano seguinte, Annan fez uma chamada aos líderes e responsáveis pelas companhias para que se unissem em um grande pacto que levasse à prática o compromisso de sincronizar a atividade e as necessidades das empresas com os princípios e objetivos da ação política e institucional das Nações Unidas, das organizações trabalhistas e da própria sociedade civil.

Ao pacto podem aderir livremente empresas, organizações sindicais e civis, sempre que se comprometam a implantar seus 10 princípios. Este acordo não impõe normas legais ou de conduta, mas os que se incorporam assumem o compromisso de ir cumprindo seus princípios em suas atividades diárias e, sobretudo, prestando conta à sociedade, com publicidade e transparência, dos progressos em seus compromissos sociais. Pouco depois, em setembro do ano seguinte, todos os países-membros da ONU decidiram trabalhar na busca de um mundo melhor, com o olhar posto em 2015, estabelecendo os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Na Declaração do Milênio se diz que está é “a primeira geração capaz de erradicar a extrema pobreza, e não queremos perder está oportunidade”.

As companhias também se comprometeram junto ao pacto em desenvolver iniciativas conjuntas para promover boas práticas empresariais, criar mesas de diálogo e colaboração entre o mercado e a sociedade, promover um fórum ativo de educação e aprendizagem desses valores. Também se propõem a montar redes e plataformas locais e nacionais que permitam o aprendizado mútuo entre empresas e dar resposta às necessidades e interesses específicos de cada comunidade rumo a esses objetivos. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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