Espanha: A ETA ameaça, partidos se unem

Madri, 11/01/2007 – O grupo terrorista ETA advertiu que responderá à repressão, ao mesmo tempo em que diz manter “um cessar-fogo permanente”, enquanto o governo espanhol do primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero busca o consenso de todos os partidos para chegar à paz. O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, se reuniu na terça-feira individualmente com representantes de todos os partidos políticos que têm representação parlamentar para expor a posição do governo e tentar um consenso em matéria de política antiterrorista.

De todos os partidos, o único que, apesar de apoiar a luta antiterrorista, criticou o governo foi a principal força de oposição, o Partido Popular (centro-direita). Seu porta-voz parlamentar, Eduardo Zaplana, disse a Rubalcaba que seu partido quer ouvi-lo dizer ao governo “que acabam para sempre as negociações e os diálogos com o terrorismo”. A ETA (Euskadi ta Ascatasuna, pátria Basca e Liberdade na língua basca) anunciou no dia 24 de março de 2006 “um cessar-fogo permanente” que, sem aviso prévio, rompeu no dia 30 de dezembro quando explodiu 500 quilos de explosivos no aeroporto de Barajas, em Madri.

Em um comunicado divulgado na terça-feira, a ETA assume a autoria do atentado e culpa as forças da ordem pela morte nessa explosão de dois imigrantes equatorianos. É que o grupo basco diz que, ao ter avisado por telefone uma hora antes sobre a explosão, a polícia teve tempo suficiente para evacuar a zona. Fontes policiais disseram à IPS que essa afirmação é totalmente falsa e lembraram que a área do estacionamento do aeroporto onde ocorreu o atentado estava com quatro andares cheios de automóveis. Quando as forças de segurança chegaram ao local só deu tempo, “arriscando a vida”, e percorrê-la e alertar as pessoas que viam para se retirarem imediatamente. Os dois trabalhadores equatorianos que estavam dentro de dois veículos descansando à espera da chegada de passageiros de um vôo, que deveriam pegar duas horas mais tarde.

Em seu comunicado, a ETA acusa Zapatero e o governante Partido Socialista Operário Espanhol de terem quebrado o processo de paz, “colocando obstáculos sem cessar ao processo democrático”. Também culpam o moderado Partido Nacionalista Basco (PNV), que lidera o governo do País Basco, uma das 17 comunidades autônomas que integram a Espanha. Para que prospere o processo rumo à paz, a ETA quer que o governo “jogue fora fórmulas policiais políticas, fracassadas e sem saída”, e acrescenta que, enquanto for mantida a posição governamental, manterá “a firma decisão de responder”.

A resposta foi com palavras e fatos. Rubalcaba expressou em entrevista coletiva que à ETA “restou apenas um caminho, somente um: por fim ao terrorismo”, sem negociações prévias. A resposta concreta esteve na detenção de dois etarras, na terça-feira, na França, em uma ação conjunta das polícias dos dois países. Ambos, segundo fontes policiais, estão relacionados com um depósito de explosivos localizado pela “ertzaintza”, a polícia autônoma basca, na localidade de Amorebieta, no País Basco, e, também, com o transporte dos explosivos usados no atentado do aeroporto de Barajas.

A detenção aconteceu em Ascain, pequeno povoado perto da fronteira, quando ambos caminhavam com mochilas no ombro, momento após terem passado da Espanha para a França. Um telefone celular deu a pista para localizá-los. No dia 23 de dezembro, quando três membros da ETA passaram por Amorebieta adquiriram previamente em Bilbao um celular. Foi desse mesmo aparelho que se telefonou às oito da manhã do dia 30 de dezembro para anunciar a colocação do carro-bomba no aeroporto madrilenho.

Depois de receber a chamada, desde o lugar de recepção se legou ao celular pedindo mais detalhes, mas, não tiveram resposta, já que estava fora de serviço. A polícia suspeita que o aparelho foi inutilizado imediatamente depois de feita a primeira ligação, e possui dados que ligam os dois presos na terça-feira com os que fizeram a compra. O domicílio de um dos presos foi invadido na quinta-feira passada e o do outro já tinha sido revistado no dia 23 de dezembro. A detenção na França aconteceu sem violência, embora estivessem com uma pistola em uma das mochilas.

Por outro lado, a Federação Nacional de Equatorianos na Espanha e as duas maiores centrais sindicais, a pró-socialista União Geral de Trabalhadores (UGT) e a pró-comunista Comissões Operárias (CCOO), convocaram para o próximo sábado uma manifestação contra a ação da ETA. Os manifestantes caminharão atrás de uma faixa com o lema “Pela paz e a liberdade, contra o terrorismo”.

Também no País Basco haverá uma manifestação, convocada pelo presidente dessa Comunidade, o nacionalista moderado Juan José Ibarretxe, que terá como tema “Paz e diálogo”. O secretário-geral do PSOE no País Basco, Patxi López, anunciou que seu partido se fará presente, apesar dos equívocos de Ibarretxe – segundo ele – ao insistir no diálogo sem que a ETA tenha abandonado a violência. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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