EUA: Protestos contra quatro anos de guerra no Iraque

Nova York, 20/03/2007 – O crescente movimento antibélico nos Estados Unidos enviou outra forte mensagem ao governo do presidente George W. Bush e ao Congresso, deixando claro que não está disposto a aceitar simples mudanças cosméticas na atual política sobre o Iraque. No final de semana, dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas das principais cidades norte-americanas exigindo a imediata retirada das forças que ocupam esse país do Oriente Médio. Às vésperas do quarto aniversário da invasão do Iraque, lançada em 20 de março de 2003, os manifestantes em Nova York, Washington, Los Angeles e outras cidades também condenaram os potenciais planos da Casa Branca de atacar o Irã.

“Chega de sangue por petróleo. Não à guerra no Irã”, clamavam os ativistas novaiorquinos enquanto marchavam no domingo desde Manhattan até a sede da Organização das Nações Unidas. “Nem um dólar a mais, nem uma morte mais”, gritavam, em meio a chamadas para que os congressistas deixem de financiar a ocupação e ordenem a retirada das tropas até o final deste ano. Alguns manifestantes chamaram Bush e o vice-presidente, Dick Cheney, de “criminosos de guerra”, e apoiaram a idéia de um julgamento político de ambos.

No Congresso se debate a possibilidade de fixar um prazo para a retirada, mas ativistas duvidam que os legisladores do opositor Partido Democrata estejam realmente interessados em acabar com a ocupação possam obter os votos necessários para superar o governante Partido Republicano, que cerrou fileiras sobre o assunto. Na semana passada, o Senado rejeitou por 50 votos contra 48 uma proposta democrata para retirar as tropas do Iraque antes de 31 de março de 2008. Entretanto, líderes democratas anunciaram que acrescentarão o espírito da moção a um projeto de lei sobre fundos para a guerra, que se espera seja apresentado nesta quinta-feira no Senado.

Por outro lado, a senadora Hillary Clinton, hoje a principal postulante à candidatura presidencial democrata, anunciou que se chegar à Casa Branca manterá os soldados no Iraque de forma indefinida para proteger “vitais” interesses de segurança nacional. “Esta guerra está matando dezenas de pessoas todos os dias”, disse Leslie Cagan, coordenadora nacional da coalizão antibélica Unidos pela Paz Justiça, que organizou as manifestações.

“Quando nossas comunidades necessitam desesperadamente de fundos federais para cuidados médicos, moradia acessível, educação e proteção ambiental, por que os democratas dão seus votos para esgotar o tesouro nacional e assim permitir que continue a guerra de Bush?”, perguntou Cagan. Desde a invasão do Iraque em 2003, mais de 3,2 mil soldados norte-americanos morreram e cerca de 63 mil ficaram feridos. O número de vítimas iraquianas variam, mas algumas estimativas conservadoras falam em mais de cem mil civis mortos.

Uma pesquisa da rede de notícias CNN divulgada nesta segunda-feira indica que o apoio popular nos Estados Unidos à ocupação caiu 40% desde 2003, enquanto o número de opositores à guerra duplicou. Por sua vez, a presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, tenta reunir votos para aprovar um projeto de lei que liberaria US$ 124 bilhões adicionais para a guerra. A maior parte desses fundos, dizem seus críticos, será usada para perpetuar a ocupação do Iraque.

Os ativistas opõem-se a esse projeto de lei, entre outras coisas, porque estabelece como data de retirada o dia 31 de agosto de 2008, exatamente três meses antes das eleições presidenciais norte-americanas. Muitos grupos antibélicos apóiam uma emenda proposta pela representante democrata Barbara Lee, do Estado da Califórnia, que fixa o prazo para retirada das tropa para 31 de dezembro deste ano. “Uma retirada em um ano não é uma posição extrema”, afirmou Tim Carpenter, diretor da organização Democratas Progressistas pelos Estados Unidos, que participou dos protestos. “É a posição de 60% do povo norte-americano”, acrescentou, citando uma pesquisa divulgada há alguns dias pelo jornal USA Today.

Carpenter disse que se os líderes democratas quiserem permanecer em seus cargos devem lutar para “acabar, e não prolongar, a ocupação”. Por sua vez, Nancy Lessin, co-fundadora da organização Military Families Speac Out )Famílias de militares falam claramente), qualificou de “exasperante” as declarações ambíguas dos líderes democratas, que insistem em dizer que “apóiam os soldados”. Lessin pergunta: “como o Congresso pode apoiar os soldados se continua enviando-os para matar e morrer em uma guerra ilegal, imoral e que não se pode vencer?”. (IPS/Envolverde)

Haider Rizvi

Haider Rizvi has written for IPS since 1993, filing news reports and analyses from South Asia, Washington, D.C. and New York. Based at United Nations headquarters, he specialises in international human rights issues and sustainable development as well as disarmament, women's rights, and indigenous peoples' rights. He is a two-time winner of the Project Censored Award.

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