AMBIENTE-MALAUÍ:: Os Desgastes Humanos em Vez de Adubos Químicos

BLANTYRE, 17/04/2007 – Em muitas partes do Malauí, não se fala sobre os excrementos humanos. É proibido. A mera menção da palavra fezes em qualquer uma das 10 línguas oficiais do país causa muito embaraço. Más o excremento humano pode estar pronto a ganhar a respeitabilidade Nos últimos anos viu se os agricultores a começar a usar os desgastes humanos como adubo: as fezes e a urina, misturado com as cinzas de lenha e a terra, estão a tomar o lugar dos adubos químicos. Esta prática foi introduzida quando os agricultores que não podiam comprar os adubos químicos buscavam os métodos alternativos de aumentar a colheita deles.

Os adubos químicos podem custar até 11 dólares para um saco de 50 quilogramas – uma grande despesa no Maluí,onde mais de 65 porcento da população vive por debaixo da linha de pobreza de um dólar por dia, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A Organização Internacional de Trabalho (OIT) indica que os agricultores e os dependentes deles constituem 85 porcento da população de Malauí de12 milhões de pessoas.

“Eu e a minha família usamos aquele tipo de latrina naqual se pode deitar as cinzas nos excrementos cada vez que se vai a casa de banho. Isto acaba por acelerar o processo da decomposição. O produto decomposto é misturado com a terra depois de cerca de seis meses, tornando a mistura num adubuo bem eficaz,” diz o Patrick Moyo, um agricultor no distrito setentrional de Mzimba.

O Moyo disse a IPS que ele já não gasta dinheiro comprando os adubos químicos, e que a colheita anual do seu milho e fruta tem dobrada desde que começou a usar o adubo produzido dos excrementos humanos. As comunidades em seis dos 27 distritos de Malauí já não estão a usar os adubos químicos.

O Sínodo de Livingstonia da Igreja Presbiteriana da África Central, uma das igrejas protestantes principais de Malauí, está a trabalhar com uma organização internacional não governamental — WaterAid – na promoção da reciclagem de fezes.

O Sangster Nkhandwe, o direitor do departamento do desenvolvimento do sínodo, disse que a transformação dos desgastes humanos num adubo chama se “o saneamento ecológica “, e não constitui uma grande ameaça a transmissão de doênças através dos excrementos.

“Já fizemos alguns estudos científicos sobre esta tecnologia e descobrimos que não ameaça a saúde humana de maneira nenhuma …porque os micro-organismos são tratados imediatamente que se põe as cinzas nos excrementos humanos,” disse ele a IPS.

“Os excrementos humanos têm os nutritivos importantes para o uso agrícolo, más se perde muito destes quando as latrinas tradicionais de fossa ficam cheias e são abandonadas. É por isso que se usa as eco-latrinas para corrigir a situação.”

Segundo o Amos Chigwenembe, o responsável para a política e a advogacia para WaterAid, usa se três tipos de latrinas de fossa nas zonas que praticam a reciclagem de desgastes: a Arborloo, a Fossa Alterna e a Skyloo.

Segundo ele, o Arborloo, é a mais símples das três latrinas porque exige o mínimo reajustamento pela comunidade que a usará. Ela exige que a comunidade planta uma árvore na latrina de fossa convencional depois desta ser cheia de excrementos.

“A árvore cresce e utilize o composto para produzir fruta grande e sumarenta. Depois de alguns anos do mudar a locaidade da latrina tem se um pomar que produz boa fruta a um valor económico,” disse o Chigwenembe a IPS.

Com a Fossa Alterna, cava duas fossas pouco profundas. Usa uma para defecar, e a outra para guardar os desgastes como amadurecem e criar um adubo.

O Chigwenembe explica que uma camada escasso de terra posta em cima da fossa madurecendo é ideal para cultivar tomates e pimentos. Regar estas colheitas ajuda o processo de decomposição. A fossa está esvaziada para receber o conteúdo da fossa de defecação quando este estiver cheia com os desgastes compostos sendo usados como adubos.

A Skyloo usa o mesmo princípio, dos recintos de tijólos – ou “bodegas”.

“As fezes caiem através de um buraco numa bodega e amadurecem aí. As bodegas são rodados da mesma maneira como a Fossa Alterna. Depois do tempo suficiente de retenção, o conteúdo das bodegas vai ao jardim ou á quintal,” disse o Chigwenembe.

As eco-latrinas podem ser redondas com uma tábua na forma de uma cúpula a servir do assento para os que a usarão. Isto também dá para as comunidades de rendimentos baixos, porque a tábua não tem nenhumas barras de ferro reforçadas que custam muito e se encontram apenas nas grandes cidades de Malauí. O tamanho e o peso da tábua facilita a transportação usando os meios limitados de transporte que são disponiveis as famílias pobres, como as caroças puxadas a mão.

Para além de ser boa para o sistema ecológico, estas tecnologias também convêm as mulheres.

A Nya Kaunda lembra se da altura em que a latrina tradicional dela tornou se invendável depois da morte do marido dela em 2000, ela começu a ir a casa de banho nos arbustos porque não conseguia cavar uma outra latrna. Cavar as latrinas é o trabalho muito duro e difícil, porque a fossa normalmente deve ser tão grande que pode conter dez anos de desgastos . É por isso que tradicionalmente esta tarefa é a responsabilidade dos homens.

Más com a introdução das eco-latrinas, a Kaunda está a cavar uma fossa depois de uma outra.

“Cavar uma eco-latrina não é difícil porque a fossa é pouco profunda. Não importa se a latrina seja aberta ou coberta. Agora eu posso usar a minha casa de banho sem medo de qualquer miúdo me ver indo a casa de,” disse ela a IPS.

* Este artigo faz parte de uma série de artigos da IPS — Inter Press Service – e da IFEJ, ( International Federation of Environmental Journalists.

Pilirani Semu-Banda

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