ONU destaca aumento do acesso a tratamento de portadores de Aids em países pobres

Brasília, Brasil, 28/04/07 – Relatório divulgado na quarta-feira (17) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa da Nações Unidas para HIV/AIDS (Unaids) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destaca o aumento significativo da quantidade de portadores do HIV (o vírus que transmite a aids) que têm acesso ao tratamento contra o vírus, nos países com baixo e médio rendimento. Em dezembro de 2006, a Organização das Nações Unidas registrou um aumento de 54% no acesso ao tratamento em relação a 2005, chegando a quase 2 milhões de pessoas infectadas recebendo os medicamentos. Apesar do resultado positivo, o relatório destaca que ainda há muito o que ser melhorado. Particularmente na África Sub-Saariana, onde cerca de 28% dos portadores do HIV recebem tratamento. Em 2003 esse percentual era de 2%.

Um dos objetivos apresentados pelo relatório é o de aumentar o percentual de atendimento a grávidas portadoras do HIV. Por enquanto, apenas 11% dessas mulheres recebe os medicamentos necessários para prevenir a transmissão do vírus ao bebê. De acordo com o representante da UNAIDS no Brasil, Laurant Zessler, esse também é um dos principais desafios do governo brasileiro. “Segundo o relatório, 40% recebe o tratamento, mas poderíamos aumentar essa porcentagem”, afirmou Zessler, em entrevista à Agência Brasil.

Laurant Zessler diz que o objetivo deve ser a transmissão zero “que a transmissão não seja possível entre a mulher grávida e a criança”. Para isso, o representante afirma que o teste de HIV deve ser feito de maneira mais sistemática nas mulheres grávidas, para que elas tenham uma noção clara da sua situação no que diz respeito à aids. Para Zessler, não é fácil definir um prazo para que essa meta seja alcançada, mas “dois anos pode ser uma meta alcançável”, se o Brasil seguir no rumo tomado até agora no combate à doença.

O assessor técnico do Programa Nacional de DST e aids, Aristides Barbosa diz que a meta é audaciosa. Para ele, alcançar a transmissão zero seria não ter mais nenhuma mulher em idade fértil infectada pelo HIV. Ele diz que “uma meta adequada para os próximo dois anos seria em torno de 2 a 4%” de transmissão. Dessa forma, entre 96 e 98% dos casos estariam cobertos pelo governo.

De acordo com o assessor, a maior dificuldade é possibilitar o acesso ao teste de HIV em regiões como o Norte e o Nordeste do país, “devido à falta de estrutura laboratorial”. Uma saída que o Ministério da Saúde encontrou é a utilização do teste rápido, “que a pessoa possa ser testada sem a necessidade desse ambiente complexo de laboratório e receber imediatamente o seu resultado”.

Mesmo com os desafios na área de transmissão entre gestante e bebê, o representante da UNAIDS diz que o Brasil deve trocar suas experiência com outros países da América Latina, colaborando para a capacitação de profissionais e a melhora na situação da região em relação ao combate à AIDS. De certa forma, o país serviria de exemplo para os vizinhos. “Eu acho que é um orgulho para o Brasil ter uma política definida, que não muda com as trocas de governos e de ministros, é uma política do Estado brasileiro, do povo brasileiro”, disse Zessler.

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Correspondentes da IPS

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