LISBOA, 22/05/2007 – – Como o fênix, a Angola – o segundo maior produtor subsaariano de petróleo depois da Nigéria, levantou se das cinzas de décadas de conflíto armado. Os analistas estão a falar do potencial dela de ser uma potência económica, política e militar na África. A guerra de independência de Portugal de 1961-1974 e a civil de 1975-2002 devastaram este país de 16 milhões pessoas, deixando uma milhão de pessoas mortes e quatro milhões desplaçadas. Mas agora, a Angola está no auge económico graças ao petróleo. A economia angolana cresceu 15 porcento em 2006, e atinjirá 30porcento pelo fim deste ano. Atualmente, a Angola é o maior exportador do petróleo bruto a China e o sétimo maior exportador aos Estados Unidos. Produz se cerca de 1.4 milhões de barriis de petróleo por dia e espera se aumentar esta quantidade a dois milhões por dia pelo fim do ano. Os próximos passos no estabelecimento de Angola como um líder regional serão no desenvolvimento duma indústria nuclear. Segundo alguns comentários feitos recentemente pelo João Baptista Ngandajina, o Ministro Angolano de Ciência e Tecnologia a impensa, parece que a Angola terá o apoio da China neste desenvolvimento. Embora seja um dos maiores exportadores de petróleo no mundo, a Angola “está limitado no que diz respeito a produção de energia, então deve se começar a pensar nos projetos futuros que produzirão a energia de fontes nucleares,” disse o Ngandajina. Mas ele clarificou que a estratégia não incluirá o desenvolvimento de armas nucleares.
A aprovaçao parlamentar de um projeto lei sobre a energia nuclear que está a ser elaborado permitirá o país a iniciar a produção da energia nuclear.
O governo do Presidente José Eduardo dos Santos explicou que dará prioridade aos projetos de investigação e de formação do pessoal. Segundo o Ngandajina, o projeto lei “definirá todos os aspeitos da aquisição, transportação, o uso e a armazenagem do equipamento nuclear ” em Angola.
Embora disse que se descobriu alguns depósitos de urânio no país, o ministro não quis identificar as regiões de que se trata. Um experto nas questões de energia o António Costa e Silva, que é professor no Instituto Superior Técnico de Lisboa, disse que os recursos abundantes de urânio em Angola captivaram o interesse dos chineses. Falando no diário do internet o Expresso, ele disse que em troca do urânio os chineses ” formarão o pessoal e construirão uma ou duas das plantas nucleares ” em Angola.
Mas o Costa e Silva é céptico sobre a capacidade de Angola de desenvolver uma indústria da energia nuclear, dado a necessidade para as tecnologias avançadas desta indústria.
Ele disse que seria difícil para a Angola, cuja eonomia está baseada na exportação de mercadorias, avançar para a produção da energia nuclear. Ele acrescentou que “O país ganharia mais da exportação do urânio de que do desenvolvimento de uma política nuclear domestica.”
“Angola fazendo parte do clube nuclear?” perguntou um cientista político angolano o Eugénio Costa Almeida numa entrevista com a IPS.
Costa Almeida, que vive no Portugal e tem um doutoramento da Universidade Técnica de Lisbaoa, é uma das vozes falando sobre a África na média international. Segundo ele, a Angola está bem posicionada para ser uma grande potência regional no futuro.
“Para já os fatores militares e políticos são mais importantes do que os económicos,” disse ele. Mas uma combinação destes três fatores tornaria a Angola numa grande potência regional,” predisse ele.
Ele também falou da “influência política forte de José Eduardo dos Santos, junto a maquinária militar que conseguiu estabelecer, consolidar e manter em poder os lideres dos dois Congos.”
O analista indicou que na República Democrática do Congo, o Denis Sassou-Nguesso “foi derrotado” nas eleições de 1997 e só voltou ao poder em 1999. Isto foi possível com a ajuda da sua milícia privada, os Cobras, que derrotaram os Zulus (a milícia de Cocoye) –o exército privado do presidente eleito o Pascal Lissouba—e das forças armadas de Angola. Ele também declarou que na República Democrática do Congo, “o apoio político, militar e económico de Angola ajudou o (Presidente Joseph) Kabila a tomar o poder em Kinshasa” em 2001, o que não foi ratificado pelas eleições até 2006.
Em Sao Tomé e Príncipe, uma pequena ex colónia portuguesa na costa ocidental da África, o poder de Angola “é mais visível na economia, embora a sua influência política não é tão dormente como parece,” disse o Costa Almeida.
Ele citou o presidente de São Tomé e Príncipe o Fradique de Menezes, que disse na sua inauguração em 2001 que “ele claramente e incisivamente” acusava a Angola de interferir na campanha eleitoral. Ele lembrou se que foi o governo angolano que falhou um golpe de estado liderado pelo Comandante Fernando Pereira em 2003.
No que diz respeito ao posicionamento regional, “O rival mais forte da Angola é a África do Sul que nomeia um dos líderes políticos dele, o Nelson Mandela, como negociador nos conflítos, cada vez que parece que a Angola está para desempenhar um papel prominente. As vezes os conflítos ficam fora da zona de influência e intervenção eficaz (a África Austral) deste negociador,” disse o experto das relaçõs internacionais. Quando a IPS lhe perguntou se a presença cada vez maior da China em Angola poderia influenciar os interesses dos outros países influenciais aí, como o Portugal e o Brazil, Costa Almeida disse “não necessariamente, nem acho que isto aconteceria,” porque Beijing ” tem uma perspectiva extensa sobre as suas relações ” e nunca tenta a distanciar os concorrentes potenciais.
“No que diz respeito a busca de e o absorvimento de conhecimento e saber como reforçar a sua posição no sistema internacional atual, a China é como um fosso sem fim,” e a Angola, “que quer muito consolidar a sua capacidade de liderança regional e idependência de movimentação, não recusa a ajuda e a assistência não obstante a sua fonte, uma vez que não haja um conflíto de interesses,” disse ele.
O analista, enfatizando que a amizade existe apenas entre os indivíduos, disse que “os países não têm amizades a defender, apenas os interesses. ” Por isso, a Angola quer manter “as boas relações com o Portugal e o Brazil.”
Ele criticou o “complexo” que surgiu nos últimos anos do império de Portugal na África, “particularmente entre os portugueses que ficaram na África e os que partiu, que mantem que a cooperação política, económica e/ou militar é igual ao neo-colonialismo.”
Em Angola, o gigante da América Latina o Brazil, é visto como “ um parceiro económico importante que também tem a avantagem de usar a mesma língua e cultura, que é apenas separado de Angola pelo Atlântico,” disse ele.
As relações entre Angola e Portugal e Brazil “são muito importantes a China, que não desencoraja estas ligações mas as encoraja,” concluiu ele.
Mas o Costa Almeida também disse que para ser uma potência regional eficaz, a Angola ainda tem muito a fazer antes de atinjir a verdadeira democracia e paz.

