DESENVOLVIMENTO-ZIMBÁBUE:: A crise nacional aumenta a emigração ilegal

HARARE, 05/06/2007 – Os esforços internacionais intensos para que os zimbabueanos ficam no pais deles continuam a ser inuteis se a crise política e económica permanece, segundo a avaliação de políticos e ativistas. A Organização Internacional para a Migração (OIM) lançou uma campanha no Zimbábue para disuadir os jovens de atravessar a fronteira aos países vizinhos, particularmente á África do Sul e á Botswana.

Mas segundo o Nicholas Mukaronda, o coordenador da Coalição para a Crise no Zimbábue baseada na África do Sul, a estabilização económica é a única solução duradoura para a dinámica migratória que enfrenta este país.

“Se as pessoas não forem garantidas a estabilidade económica, nada atrairá os jovens emigrantes a voltar”, disse o Mukaronda a IPS.

“As meninas recorrem a prostituição nos países vizinhos e muitos meninos atravessam a fronteia ilegalmente por causa das dificuldades económicas e da repressão política. Se não se aborda estes assuntos fundamentais, haverá mais emigração ilegal “, disse pela sua parte o político opositor o Wilson Khumbula.

O Moses Churu, de 30 anos que foi recentemente deportado, confirmou o que foi dito pelo Mukaronda e o Khumbula: “Estou a tentar voltar da África do Sul. Eu já sei quais os riscos que se corre mas não tenho nenhuma opção. As coisas são difíceis aquí.”

Segundo as estatísticas da OIM, 25 porcento dos jovens deportados tinham solicitado passaportes. Não conseguirão-nos. 28 porcento disseram nem pediram os passaportes por que tinham que produzir 2,000 Rand sulafricano (285 dólares americanos) em cheques de viagem para obter um visto.

Ao mesmo tempo, o registro de passaportes suspendeu temporariamente a divulgação dos documentos no ano passado devido aos custos altos de funcionamento.

A OIM abriu um centro de informação para os jovens, chamado Safe Zone (Zona Segura), em Chiredzi, na zona sudoeste do Zimbábue.

Chiredzi fica apenas duas horas da fronteira com a África do Sul, e é uma zona atraves daqual muitos emigrantes ilegais passam noi caminho ao país vizinho. O centro é também um refúgio para os deportados que voltam ao Zimbábue.

“Safe Zone é um lugar onde os jovens podem se distrair e receber a informação nas sessões diárias sobre a emigração segura, as práticas sexuais responsáveis e a prevenção de sida”, disse a IPS o responsável de comunicações da OIM no Zimbábue, a Nicola Simmonds.

A OIM também lançou uma “produção teatral sobre a viagem segura” que vai ao longo do país num camião que se converte num palco, que conta com uma grande pantalha de cine e daqual um grupo de atores desenvolve uma peça de teatro interactiva.

A música, a dança e o cine servem a divulgar a informação sobre a migração, o tráfico de humanos e o VIH/sida.

Os espectadores podem ganhar as camisas, as cartazes e cassetes de música.

“Eu já vi alguns dos filmes que foram gravados nas línguas locais e são bons. Aprendi muita coisa destes filmes e fizeram me pensar de novo sobre a emigração ilegal”, disse o Solo Chauke, de Tshovani, em Chiredzi.

Simmonds avaliou a resposta do público como “assombrosa”. “Muitas pessoas vêm todas as noites e de dia temos as atividades nos clubes dos jovens para difundir a mensagem a toda a comunidade”, acrescentou ela.

A OIM baseia as suas atividades sobre as estatísticas segundo as quais se deporta 17.500 zimbabueanos cada mês da África do Sul e de Botswana. Setenta porcento dos deportados vêm do sudeste do país.

A OIM abriu os projetos de cabeleria e carpintaria que servem a gerar rendimento para os emigrantes zimabueanos ilegais que voltam de cidades como Johannesburgo. Uma destas iniciativas foi recibida com indiferença na Grande Bretanha. A OIM ofereceu assistência de uns 4.300 dólares para quem escolhe a repatriação voluntária mas o projeto falhou. Mihares de zimbabueanos vivem no estrangeiro ilegalmente, 2,5 milhões estão na África do Sul.

Também se estabeleceu um centro de apoio no posto fronteiriço de Beit Bridge. Até agora, milhares de pessoas receberam medicamentos e dinheiro. Entre estas pessoas houve 1.450 crianças sem companheiros adultos.

O Khumbula preocupa se que o governo sequestrará o programa. “Estamos a chegar as eleições 2008, e o governo poderá tomar recurso ao seu velho truque de 'sequestrar' estes projetos”, avisou ele

Davison Makanga

Davison Mudzingwa is a journalist based in South Africa, but constantly travels and reports in Southern Africa. His reportage ranges from human rights, environment, water, gender, development and entrepreneurship. As a multimedia journalist, he has contributed to various platforms through text, audio and photography. Davison is also the founder of Entrepreneurship Africa, a multimedia website that profiles entrepreneurs and entrepreneurial activities across Africa.

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