MIGRAÇÃO-CABO VERDE:: Um perfil cada vez mais feminino

LISBOA, 19/06/2007 – A emigração faz parte integrante da história de Cabo Verde, desde há cinco séculos quando este arquipélago africano então deshabitado foi descoberto pelos navegantes portugueses em 1460. Este pequeno estado africano de 4.033 quilómetros quadrados e 476.000 habitantes espalhados em 10 ilhas que fica 640 quilómetros da costa de Senegal, e está independente de Lisboa desde 1975, é único porque tem mais nacionais residindo no estrangeiro (mais de 500, 000) de que no país. Até há duas décadas, os emigrantes deste, um dos os países com mais mestiços no mundo, a maioria dos quais é descendente das relações entre as escravas africanas e os mestres portugueses delas, foram só homens. Mas pouco a pouco isto está a mudar e mais mulheres estão a emigrar, disse o a economista italiana a Marzia Grassi, uma pesquisadora do Instituto de Ciências Sociais (ISC). A tese de doutoramento dela na Universidade de Lisboa foi o fruto de muitos anos de pesquisa sobre a África lusófona em geral e Cabo Verde em particular – uma área de estudo que na Europa é principalmente ocupada pelos académicos portugueses.

A Grassi é autora de uma variedade de artígos publicados nas revistas portuguesas e internacionais especializadas no desenvolvimento africano. Ela também coordena os projetos do ISC de “Cabo Verde no Mundo” e “Movimentos para a Angola”, sobre a economia informal e a rede informal de bens caboverdianos na diáspora, em colaboração com a Fundação para a Ciência e Tecnologia de Lisboa.

A Grassi escreveu o livro “O Género e a Migração Caboverdianos” em conjunto com a pesquisadora Iolanda Évora, do Centro de Estudos Sobre a África (CESA), noqual sublinha que a emigração caboverdiana “tem característicos peculiares que são mais óbvios quando se considera a história e as condições naturais aversas no país”.

A história de 547 anos destas ilhas uma de ” abandônos e reassentamentos, e de secas frequentes durante as quais os escravos foram rapidamente vendidos e os trabalhadores livres foram obrigados a emigrar as outras colónias portuguesas.

O novo fato é que desde há duas décadas “a mulher caboverdiana, que é tradicionalmente sempre foi importante na economia e no comércio do arquipélago, figura cada vez mais na emigração “, disse a Grassi, que acrescentou que está interessada a mostrar o lado “humano” do processo.

Ela descreveu o livro que escreveu com a Évora como sendo “um conjunto de estudos do caso, que falam sobre as pessoas, incluindo as ameaças e os problemas que enfrentam, mas que também descreve as oportunidades para o desenvolvimento e explica o que as mulheres levam com elas quando emigram, as coisas tais como a música ou a cultura em geral”.

As estatísticas sobre a emigração indicam que um pouco mais de 500, 000 caboverdianos trabalham nos outros países, particularmente nos Estados Unidos com 250.000, no Portugal com 106.000 na Holanda com 37.500, na Angola com 35.000 e no Senegal com 22.500 emigrados, e mais 50.000 espalhados na Espanha, no Brazil, na Canadá, na Italia e na Alemanha.

No caso de Portugal, “as estatísticas oficiais mostram que, em 1986, as mulheres faziam cerca de 35 porcento da comunidade imigrante caboverdiana e 20 anos mais tarde são 43 porcento”, sustentou a Grassi acrescentando que “históricamente, os homens emigravam e enviavam as remesas de dinheiro, mas hoje as mulheres também estão a emigrar”. Para melhor compreender o fenómeno da emigração dos cabo verdianos a Grassi disse que é imprescindível estudar a história do arquipiélago, uma plataforma estratégica e a ligação entre Portugal e as ex colónias dele na África.

Grassi destaca que o Cabo Verde foi “descoberto” pelo capitão portugués o Diogo Gomes em 1460 e dois anos mais tarde, o arquipélago começaou a ser populado quando o Antonio de Noli chegou á ilha de Santiago acompanhado por alguns parentes dele e pelos portugueses das regiões meridionais de Alenteijo do Algarve.

“A intenção dos portugueses era de estabelecer as colónias brancas, tais como nos (arquipélagos atlánticos de) Açores e de Madeira, mas os rigores da clima e a falta de cereais, a base alimentar dos europeios naquela altura, impediram-nos”, explicou a Grassi.

Cabo Verde finalmente foi populado quando o Rei Don Afonso V autorizou os portugueses de praticar a escravatura. Este decreto deu aos habitantes de Cabo Verde “o direito perpétuo de praticar o comércio e o trafico de escravosem todas as regiões do golfo de Guiné” (actualmente a Costa de Marfim, Gana, Tógo, Benín, Nigéria, os Camarões, Guiné Equatorial e Gabón). Assim, o arquipélago foi povoado pelos ecravos , os africanos livres que acompanhavam os comerciantes e os mercenários. Deste modo, explicou a investigadora, “todas as etnias existentes no golfo de Guiné participaram, em medidas diversas, na criação do povo caboverdiano”, mas a grande mestizagem do país “resultou essencialmente das relações mestre branco/escrava ou dos membros do clero com as concubinas africanas”.

Os maiores fluxos migratórios de Cabo Verde começaram há mais de século, quando Lisboa autorizou os habitantes do arquipélago a livremente deixar o país causando milhares de jovens a emigrar particularmente aos Estados Unidos, Portugal ou Holanda, numa tentativa a realisar o sonho da esperança de uma vida melhor.

Cem anos mais tarde e depois de um pouco mais de três décadas de independência, a Organización das Nações Unidas (ONU) declarou no dia 2 deste mês que Cabo Verde a partir de janeiro de 2008, Cabo Verde já não ia fazer parte do grupo dos países menos desenvolvidos e tornaria se numa nação do desenvolvimento intermédio.

Cabo Verde com um rendimento por habitante de 1.500 dólares e uma Índice de Desenvolvimento Humano que o colocam entre as melhjores do Sul e um exemplo para o resto da África. Os analistas dizem que o país tem um bom ritmo xde desenvolvimento, graças a boa governança e a democracia madura.

Segundo os últimos estatísticas disponiveis para os primeiros três trimestres de 2006, o investimento estrangeira no Cabo atinjiu 179,5 milhões de dólares nos primeiros oito meses deste ano, Quase todo este investimento foi ao turismo e espera se que esta cifra atinjirá 665 milhões de dólares antes do fim deste ano.

Os destinos principais deste investimento são as construções dos aeroportos internacionais com a capacidade de receber as grandes aviões nas ilhas de Santiago e de São Vicente, e do maior hotel da África ocidental, com 850 quartos que está ao ponto de ser inaugurado na ilha de Boavista.

Contudo, esta informação encorajate, “que mostrar os avanços macroeconómicos, deve ser visto como estatísticas e nada mais no contexto de um país onde 30 porcento da população é pobre ou muito pobre. É por isso que não creio que se pode deter a emigração”, declarou a Grassi.

Para além disso, a emigração “está na história do povo de Cabo Verde, uma nacçã que tem o mundo inteiro como o seu território, ao que tem repercussões a todos os niveis da vida das pessoas, particularmente na estrutura familiar e nos papeis dos géneros.

Mario de Queiroz

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