RUSSIA-ÁFRICA:: Cancelação da dívida melhora as relações com a África

MOSCOVO, 08/06/2007 – Embora tinha sido visto como o patrocinador das guerras no continente, a busca do petróleo e dos recursos minerais, a Russia agora está a tentar melhorar as relações comerciais com a África, cancelando a maior parte da dívida do continente. “Estamos a ajudar os nossos parceiros africanos a reduzir a dívida estrangeira. Cancelámos a divida africana ao valor de 11.3 bilhões de dólares, doqual 2.2 bilhões de dólares fazem parte da iniciativa a reduzir a dívida das nações mais pobres,” disse o Ministro Russo de Relações Exteriores o Sergey Lavrov numa reunião de embaixadores, diplomatas e oficiais do ministério marcando o Dia da África no dia 25 de maio.

Esta decisão indicou a intenção da Russia de cumprir os compromissos que fez as reuniões recentes do grupo dos oito países mais industrializados (G8). Também preparou o caminho para mais comércio com o continente africano. “Vamos aumentar esta quanta por mais um meio bilhão de dólares este ano,” acrescentou o Lavrov.

Segundo um consultor do Kremlin que quis ficar anónimo, no dia 10 de março assinou se um acordo que ratificou o acordo entre a Russia e os países africanos que ela ajudou durante a época soviética no que diz respeito ao comércio, as relações económicas e financeiras assim como a cancelação da dívida que a África deve á Russia. A ajuda naquela altura foi principalmente na forma de armas. “O aspeito mais importante da cooperação económica na nossa política exterior é de encorajar os países africanos a comerciar connosco e de não depender só da ajuda ao desenvolvimento. Estes países tornam se menos produtivos quando andam sempre a busca da ajuda. Para além disso, os fundos para os projetos acabam nos bancos no estrangeiro ao custo do povo,” disse ele. A Russia decidiu cancelar cerca de 750 milhões de dólares de dívida dos Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) devida por 16 dos países mais pobres do mundo, a maioria dosquais é na África. Benin, Tanzânia e Zâmbia foram incluidos nestes 16 países, e este ano a Russia está a continuar com as discussões sobre a cancelação total da dívida dos países HIPC na África ao nível bilateral. Os países africanos deviam quase 20 bilhões de dólares.

O Ministro Russo das Finanças, o das Relações Exteriores, o do Desenvolvimento económico e o do Comércio e o banco Vnesheconom terão negociações com os países devedores que acabarão a participação deles na iniciativa HIPC do FMI e do Banco Mundial pelo fim deste ano.

“Para a Russia liquidar toda a dívida dos países africanos, incluindo a da Tanzânia desde a época soviética, é algo muito significativo. O plano russo para o alívio a dívida sob os auspícios do G8 ajudaria nos a estimular a nossa economia nacional e reduzir a pobreza dos nossos povos,” disse a IPS o Patrick Chokala, o embaixador tanzaniano a Moscovo.

“Para a África, o 21ième século deve ser visto como um periódo de transição para promover o comércio com o mundo industrializado para desenvolver a nossa região, melhorar o nível de vida da população e reduzir a lacuna desenvolvimental,” disse ele.

Os analistas dizem que a África deveria considerar o comércio como um instrumento útil para transformar e a diversificar a sua economia usando as relações dela de décadas com a Russia. “Pois será bom para a Russia libertar a maioria destes países da dívda, a maioria da qual infelizmente foi acumulada por estes países durante a época da União Soviética para a execução de guerras,” disse a IPS o Dr. Bashiru Obasekola , um analista da economia africana para a revista finlandesa Sanoma.

“Antes de tudo, os empréstimos não beneficiaram a economia direitamente, por isso é difícil descobrir o efeito multiplicador. O dinheiro que será economizado pelos beneficiários desta cancelação da dívida podem ser dirigidos ao desenvolvimento e a exercer um efeito positivo nas economias do continente. Pois o comércio e os investimentos com as economias vizinhas aumentarão,” disse ele.

Ele disse que a Russia pode ajudar os esforços para o desenvolvimento africano através do investimento direito e do comércio. A Russia e a África poderiam abrir os mercados deles com as condições do benefício mútuo.

“A África não precisa da ajuda, mas precisa sim do investimento no sector industrial dela. Infelizmente até agora este investimento é muito pouco. A maioria dos investimentos russos está concentrada nos sectores de petróleo e da mineira. Se a África se vai desenvolver como os países asiáticos, precisará de mais investimento nos sectores da indústria, da energia e da infraestrutura,” disse o Obasekola.

Segundo ele, se quisesse, a Russia poderia facilmente superar a participação chinesa na África. A maioria dos elites actuais políticos no continente estudou na União Soviética, por isso, basta a Russia mostrar um interesse persistente na África. A Russia poderia ainda usar os especialistas formados na União Soviética a criar as amizades genuínas e promover a cooperação comercial com os países africanos, indicou ele. Estes esforços receberam um novo ímpeto na cimeira do G8 em St Petersburg continuarão esta semana na Alemanha. “A cooperação da Russia com a África assumiu uma nova dinámica há pouco tempo. O nível e a intensidade de contatos vai aumentando. Estamos a fazer muitos esforços ao alargar e aprofundar a cooperação do benefício mútuo no comércio e na economia, na ciência e na tecnologia e nas outras áreas,” disse o Presidente Vladimir Putin numa declaração oficial a reunião de diplomatas comemorando o Dia de África.

“Eu estou certo de que a parceira Russo – Africana, que já sobreviveu a passagem do tempo, continuará a crescer e desenvolver. Todas as condições necessárias para atinjirmonos este objetivo já existem,” disse ele.

Kester Kenn Klomegah

Kester Kenn Klomegah is the IPS Moscow correspondent. He covers politics, human rights issues, foreign policy and ethnic minority problems. His research interests include Russian area studies and Russian culture. Kester has worked for several years with the Moscow Times. He has studied social philosophy and religion and spent a year at the Moscow State Institute of International Relations. He is co-author of ‘AIDS/HIV and Men: Taking Risk or Taking Responsibility’ published by the London-based Panos Institute. In 2004, he was awarded the Golden Word Prize for excellence in journalism by the Russian Media Union, a non-governmental media organisation in Moscow.

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