SIERRA LEÃO:: Sobrevivendo o Charles Taylor

FREETOWN, 08/06/2007 – Diz se que foi o dinheiro do ex presidente de Libéria o Charles Taylor (1997-2003) que pagou as armas com as quais se disparou o primeiro tiro devastadora da guerra civil de Sierra Leão em 1991, um conflíto noqual morreu a filha grávida do Mustafa Mansaray. Como a barbárie piorou, o Mansaray perdeu as suas mãos aos rebeldes. Mas não foi esta dor que mais o fez chorar, senão ouvir os gritos aterrorizados de 50 pessoas queimando, encerradas numa casa atrás dele.

Hoje o Mansaray vive numa casa modesta num campo para os feridos de guerra nos arredores do capital, e esforça se a cuidar de seis crianças das suas crianças e sete adotadas que sobreviveram a guerra.

O ex presidente liberiano, foi acusado de crimes de guerra e contra a humanidade, na base dele ter a maior responsablidade pelas atrocidades que se passaram no país vizinho de Sierra Leão desde 1996, apoiando os rebeldes da Frente Unida Revolucionária (FUR) a câmbio de diamantes de conflíto.

O processo dele estava programado a começar no dia quatro deste mês, na Haia. Mas o Taylor boicotou o processo dizendo que não foi dado os meios de se defender.

Com o Taylor longe da Sierra Leão, o Mansaray só se preocupa com sobreviver num país onde 70 porcento da população vive com menos de dois dólares por dia, segundo os dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Contudo, o país está a tentar recuperar do seu passado violento mas a maior parte da população não tem electricidade e água limpa. O desemprego é muito elevado e a pobreza é extrema.

Por isso não é surpreendente que a Sierra Leão ocupa a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento Humano naqual a ONU avalia a situação de 177 países.

“Pois o processo do Charles Taylor é importante para nós. Mas as pessoas também estão a tentar continuar com a vida delas “, indicou o ó Edward Jombla, o coordenador nacional da Rede da África Ocidental para a Construção da Paz (Wanep).

Quando a guerra acabou em 2002, o governo de Sierra Leão e a ONU estabeleceram um tribunal especial para julgar os acusados dos crimes cometidos durante o conflíto.

A guerra civil durou mais de uma década, que foi marcada pela escravidão sexual, o recrutamento de crianças como soldados e as amputações dos membros das pessoas.

O tribunal acusou o Taylor em 2003, e ele foi preso no ano passado na Nigéria, onde estava exilado. Quando foi preso, muitas pessoas festejaram nas ruas de Freetown, e as outras receiavam que isto abrirá mais um periódo de inestabilidade na cidade.

Por isso, o processo foi transferido á Haia..

Em 1989, o Taylor iniciou uma insurreição no seu país como o líder da Frente Patriótica Nacional de Libéria, tomando a presidência entre 1997 e 2003. Neste periódo, ele também debilitou a segurança na Guiné e na Costa de Marfim.

O processo do Taylor é muito importante no estabelecimento de tendências, disse o Christopher Staker, o vicefiscal do Tribunal Especial.

O Taylor “foi presidente de um país durante estes acontecimentos” que se está a julgar, o que indica que “ninguém está por cima da lei”, explicou o Staker.

Se prevê que esta aviso contra a impunidade ressonará para além do tribunal especial na Haia, particularmente na África.

Mas embora a importância internacional do processo parece clara, o seu papel em ajudar a Sierra Leão recuperar de muitos anos de guerra não é tão clara, particularmente logo depois do desempenho desilusório do Tribunal Especial.

A acusação do Sam Hinga Norman, o líder das Forças da Defesa Civil e um heroi de Guerra muito respeitado, surpreendeu muitos na Sierra Leão, criando o cincísmo sobre o papel do tribunal na busca de justiça. As Forcas da Defesa Civil tinham o apoio do Presidente Ahmad Tejan Kabbah contra a FUR.

Das 13 pessoas acusadas até agora pelo tribunal, cinco são consideradas como chaves no conflíto. Três são mortes e uma anda desaparecida.

“As pessoas perderam confiança no Tribunal Especial, porque os acusados não são pessoas grandes, mas o Taylor dá uma “esperança de restaurar a dignidade e o respeito” a este orgaão,” disse o Jombla.

Mas a transferência do processo de Taylor á Haia poderia prejudicar uma das principais razões pela qual o Tribunal Especial tinha sido estabelecido na Sierra Leão: para que os vítimas da guerra possam ter acesso a justiça.

Os jornalistas e membros da sociedade civil viajaram a Holanda, e muitos pretendem divulgar os extractos do processo na Sierra Leão usando as unidades móveis de vídeo. Mas a distância geográfica promete ser difícil a superar.

Estes processos são apenas uma parte do esforço geral de ajudar a Sierra Leão se reconstruir.

“O tribunal não é a solução. Não abordará os problemas que conduziram a guerra”, disse o Alex Macavorey, que escapou milagrosamente dos rebeldes e que agora trabalha com os refugiados.

Muitas pessoas valorizaram a Comissão da Verdade e da Reconciliação, que iniciou as audiências dela em 2003, para focar a luz nas causas da guerra –a marginalização dos jovens e das mulheres, a corrupção, a falta do acceso á justiça—e para fazer as recomendações sobre como abordar estes assuntos.

Mas a incapacidade do governo de implementar as propostas apresentadas pela Comissão é um outra frustração.Muitas pessoas acham que o potencial para a inestabilidade e o conflíto permanecerá se os factores que prolongaram a guerra continuam sem ser abordados.

“Temos uma paz relativa, não absoluta”, explicou o Macavorey." (

Nadja Drost

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