Desenvolvimento: Zoellick confirmado à frente do Banco Mundial

Washington, 27/06/2007 – A Junta de Diretores do Banco Mundial confirmou Robert Zoellick como próximo presidente do organismo sob um acordo tácito posterior à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pelo qual Washington tem o privilégio de nomear o máximo responsável da instituição. A Junta de 24 membros, que na aparência representa os 185 países-membros, elegeu Zoellick por unanimidade, cujo nome foi proposto no mês passado pelo presidente norte-americano, George W. Bush. O ex-representante de comércio norte-americano foi o único candidato ao cargo.

Zoellick, que assumirá no próximo dia 1º por um período de cinco anos, será o 11º presidente do Banco. No anúncio público, a Junta o descreveu com líder internacional com capacidade para restabelecer a credibilidade da instituição, destroçada pro várias semanas de disputas sobre a controvérsia criada por seu antecessor, Paul Wolfowitz, que apresentou sua renúncia no dia 18 de maio após ser acusado de nepotismo e favoritismo. Wolfowitz foi o primeiro presidente do Banco Mundial forçado a renunciar. Sua saída, após o escândalo pelos aumentos de salário e compensações que o Banco deu à sua noiva, Shara Riza, se efetivará no próximo sábado.

O alvoroço em torno do Banco durou semanas e colocou Wolfowitz contra o pessoal da instituição em uma batalha pública sem precedentes que acabou com sua renúncia. Bush, que o elogiara por ser um apaixonado lutador contra a pobreza, agora destacou que Zoellick é “um líder dinâmico, profundamente comprometido com a missão do Banco Mundial de ajudar as nações a lutar contra esse flagelo”. Em suas primeiras declarações, Zoellick foi conciliador, em contraposição com o tom mais combativo de seu antecessor. Prometeu começar seu trabalho “aprendendo” as práticas internas e se relacionando com todos os envolvidos dentro e fora da instituição.

“Estou desejoso de reunir-me com as pessoas que levam adiante a agenda da luta contra a pobreza em todas as regiões”, afirmou Zoellick. “Estou a par da devoção do pessoal por sua missão e respeito seu orgulho pelos êxitos, sua permanente busca por aprender e melhorar e seu compromisso com os resultados”, acrescentou. Também reconheceu que o Banco precisa de reformas, uma reclamação de longa data e à qual se deu pouca atenção. “O mundo mudou enormemente desde sua criação há 60 anos. Esta instituição de desenvolvimento, reconstrução e finanças não precisa apenas se adaptar. Dever ser uma guia para a globalização sustentável baseada em oportunidades e crescimentos inclusivos e respeito pela dignidade das pessoas”, acrescentou Zoellick.

Além da reforma, há outros assuntos menos ambiciosos e mais realistas que Zoellick deve atender, como aumentar o financiamento da Associação Internacional de Fomento (AIF), que concede empréstimos sem juros aos países mais pobres. Funcionários do Banco tentam reabastecer a AIF a cada três anos. Esta é a décima-quinta vez que seus cofres serão reabastecidos. Os países europeus haviam ameaçado se retirar ou reduzir suas contribuições se Wolfowitz permanecesse no cargo. O currículo e os antecedentes do novo presidente do Banco Mundial não estão isentos de alguma polêmica.

Como representante de comércio dos Estados Unidos no primeiro mandato de Bush, Zoellick foi um férreo defensor dos subsídios agrícolas no Norte rico, aos quais inclusive economistas do Banco atribuem a expansão da pobreza entre os agricultores de todo o mundo. Também defendeu os direitos de propriedade intelectual nos acordos comerciais, considerados responsáveis pelo fato de doentes pobres do Sul não terem acesso a remédios que poderiam salvar suas vidas. Resta ver qual será sua postura sobre vários assuntos importantes, como os serviços de saúde reprodutiva para as mulheres pobres, a política da instituição sobre o aquecimento global e a corrupção.

A escolha definitiva de Zoellick põe fim ao escândalo em torno de Wolfowitz, mas o processo de seleção, para muitos, serviu apenas para ressaltar a falta de democracia dentro do Banco Mundial. A tradição e o acordo tácito entre Estados Unidos e Europa indica que o diretor-executivo do Fundo Monetário (FMI) seja europeu e o presidente do Banco um norte-americano. Analistas e organizações independentes procuraram aproveitar as acusações de nepotismo contra Wolfowitz para chamara a atenção para o sistema de escolha, sobretudo considerando que esses dois organismos multilaterais exercem enorme poder e influência sobre as nações pobres e milhões de pessoas no mundo todo.

“Se tivéssemos de criar um novo Banco Mundial para o século XXI, sua estrutura de governabilidade deveria seguir os padrões modernos de um procedimento democrático, responsabilidade ascendente e transparência. Hoje, está instituição não tem nada disso. Por essa razão sua legitimidade está destroçada”, afirmou Rick Rowden, da organização humanitária internacional ActionAid. “Novamente vemos que Washington coloca descaradamente “seu homem” à frente do Banco Mundial de uma maneira que não condiz com as normas contemporâneas, padrões e expectativas de democracia”, ressaltou. “Isto mostra os vícios de um mundo arcaico que deve mudar”, concluiu Rowden. (IPS/Envolverde)

Emad Mekay

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