ÁFRICA-FRANÇA:: A imigração fortalece o comércio

PARÍS, 06/07/2007 – No Chateau Rouge, um bairro do norte do capital francês, qualquer visitante distraído poderia se sentir como se fosse num comboio metropolitano que o levou fora da França e acabou em Dakar ou Abidjã. Ouve se o som da música “soukous” típica do Congo, enquanto que as mulheres vestidas no tecido de damasco e os homens nas túnicas tradicionais coloridas dançam e tocam nos instrumentos deles num dos mercados vibrantes ao ar livre na cidade.

Mas embora alguns franceses têm a ideia de que estão no “estrangeiro”, esta imagem é típica da França moderna, como em qualquer postal da Torre Eiffel ou do Arco de Triunfo que os turistas ligam a este país.

A França que outrora foi o colonizador de vastas tractos da África central e ocidental e que continua a ter uma influência cosiderável na região, tem recentemente afrontado o debate sobre o que é de fato ser francês, enquanto que os cidadãos dela viajam ao norte a busca de uma vida melhor.

Atualmente, há uns 4,5 milhões de imigrantes legais na França e mais de metade de um milhão que não são documentados. Estima se que uns dois milhões deles vêm da África setentrional ou subsaariana.

Segundo os analistas, este fenómeno crescente da emigração da África á Europa não é algo surpreendente, dado a contração dos setores tradicionais da economia deste continente como a agricultura assim como os acordos comerciais, considerados como prejudiciais por muitos, com as nações mais poderosas da Europa e da América do Norte.

Quando os africanos chegam a França, trazem a cultura e os gostos culinários deles. A indústria atuneira francesa, por exemplo, depende quase totalmente da África, particularmente da Costa de Marfim, de onde vem cerca de 35 porcento do atum enlatado importado.

A França também importa quase 230.000 toneladas de mandióca, uma raíz que se usa muito na cozinha africana, a maior parte doqual vem de Madagascar e do Togo.

Segundo um relatório do Instituto Nacional da Estatística e dos Estudos Económicos (INSEE) da França,publicado em agosto 2006, a imigração desta parte do mundo vai aumentando.

Pelos meados de 2004, houve 570.000 nacionais da África subsaariana na França, 45 porcento mais de que em 1999, segundo o INSEE.

Junto a imigração, verá se também um aumento na demanda de produtos e bens típicos como a alimentação, a música e os produtos da cabelaria.

Segundo o relatório, a população da África subsaariana também é a mais nova, pois apenas quatro porcento dos imigrantes da região têm mais de 65 anos, em comparação com 54 porçento dos que vêm da Itália, por exemplo.

É nos bairros como o de Chateau Rouge onde os imigrantes da África ocidental vivem ou ao menos se reunem para ter um sentido de comunidade.

O aluguer cada vez mais caro em París obriga muitos dos recém chegados a viverem fora da cidade. “As coisas sao dificeis aqui “, disse a IPS o Victor Osouno, um cabelereiro ganês de 36 años que vive e trabalha na França desde a idade de 11 anos, enquanto cortava o cabelo de um cliente. O grande salão que é o cabelereiro dele estava cheio de homens e mulheres a espera de ser atendidos.

Nas outras lojas como la Maison d'Afrique (Casa da África), que vendem muitas delícias tradicionais como as beringelas, inhames, e mandióca, o sabor da terra mãe parece ser muito atraente.

“Isto é a migração clássica naqual se vê uma concentração de gente nas zonas onde já vivem as pessoas do mesmo país”, indicou o Jean-Pierre Garson, o direitor da Divisão da Migração Internacional do escritório da Organização da Cooperação e do Desenvolvimento Económico (OCDE) em París.

A OCDE é uma organização que reune 30 dos países ricos.

“Quando se chega se tenta de se ligar com as pessoas que já se conhece e que chegaram antes de si “, explicou o Garson. Num Estudo Económico da França 2007, publicado no fim de junho, a OCDE indicou que “a concentração geográfica da pobreza promove a reprodução desta”.

“As pessoas que vivem nas zonas pobres não têm o acceso as redes sociais que poderiam contribuir a integração económica delas. Os problemas tornam se mais complexos com a grande quantidade de imigrantes que residem nestas zonas”, acrescentou ele.

“A comunidade fica unida e fechada”, indicou o Osouno. “Aqui a gente só vai cortar o cabelo a um cabelereiro africano, compra a comida nas lojas que vendem a comida africana, mas não é um caso do racismo, mas é sim porque é mais fácil encontrar o que se quer na comunidade dela”.

Michael Deibert

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