AMBIENTE-COSTA DE MARFIM:: Quando a selva desaparece

KORHOGO, Costa de Marfim, 11/07/2007 – – O Sogbéné Soro assegura que pode curar uma variedade de doênças como a lepra a diarreia e a tinha. Mas a escassez das plantas com propriedades medicionais dificulta cada vez mais esta prática. As comunidades e os lenhadores destruiram a selva perto da aldeia setentrional onde vive o Soro e de onde há 15 anos ele podia colher as raízes, as folhas, as cascas e as ervas que ele usa para curar. Agora ele está obrigado a viajar grandes distâncias, ou de motocicleta ou de carro, para encontrar os recursos para o seu trabalho.

Para além disso, a invasão da selva dificulta a busca dos animais selvagens que os curandeiros também usam.

“Na aldeia de Koyadougou, no nordeste do país, estamos a lidar com a fuga de certos animais com as qualidades curativas”, explicou o Inza Fofana, um caçador e curandeiro.

“A carne e a gordura do leão, por exemplo, ajudam as dores nas articulações, as fraturas e o reumatismo. O esperma do elefante usa se para a impotência, e o corno do rinoceronte para a asma”, explicou ele.

O Soro, rodeado de pequenas garrafas e bolsas plásticas cheias de pós e líquidos extraídos das plantas, indica que ele foi obrigado a aumentar os preços deles para cobrir os custos de transporte.

Obviamente, isto nào foi bem aceitado pelos clientes dele, apesar do fato dos preços dos remédios tradicionais contiuar a ser muito mais baixos de que os dos medicamentos modernos, se forem disponiveis.

Nos últimos anos, a Costa de Marfim foi metida numa guerra civil que dividiu o país em dois: o norte controlado pelos rebeldes e o sul controlado pelo governo. A violência desatou em setembro de 2002 depois de um atentado do golpe de Estado.

Os rebeldes chamados as Forças Novas tinham acusado o governo de marginalisar a população do norte e os habitantes de origem estrangeiro.

O conflíto obrigou os médicos e os outros trabalhadores sanitários, a maioria dosquais são funcionários estatais, a abandonar o norte. Fechou se as farmacias também. As comunidades desta região então ficaram mais dependente dos serviços dos curandeiros.

Algumas organizações ambientais condenaram esta sobre exploitação da selva deste país da África occidental.

Segundo a organização não governemental o Grupo Ecológico da Costa de Marfim (GECI, nas siglas em francês), sedeada no centro comercial de Abidjan, dos 16 milhões de hectáreas da selva que existiam na Costa de Marfim no início dos anos 60, há só seis milhões hectares hoje.

O direitor executivo de GECI, o Jacob N'Zi, indicou que das 123 empresas que trabalham na indústria de madeira, apenas dois respeitam a legislação visando a proteção de selvas.

As empresas de madeiras não respeitam a quota imposta pelo governo de extrair entre 2.000 e 10.000 metros cúbicos de madeira por ano, acrescentou ele.

Esta violação de normas custou o Estado mais de 400 milhões de dólares entre 2003 e 2006 e as autoridades são parcialmente responsaveis para a situação atual, segundo o Kouadio Gnamien, da organização não governamental Ecologia.

Há quatro meses, assinou se um acordo de paz em Ouagadougou, o capital de Burkina Faso, e o líder rebelde da Costa de Marfim o Guillaume Soro foi designado o Primeiro Ministro num governo compartido. A zona entre as áreas de contenção que estava sob o contrôle da Organização das Nações Unidas (ONU) foi desmantelada.

Contudo, o proceso de paz sofreu de um golpe no fim do mês passado quando se disparou contra o avião noqual viajava o o primeiro ministro na cidade de Bouaké.

O Soro saiu ileso, mas mais três pessoas morreram no ataque.

Os analistas indicaram que o ataque refleta o descontento das Forças Novas com o processo de paz, particularmente com a decisão do Soro de assumir o cargo de primeiro ministro com o Laurent Gbagbo como presidente, que foi o chefe de estado 2000.

Michée Boko

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