Brasil: O difícil combate ao trabalho escravo
Mario Osava, enviado especial
Açailândia, – José Alves, de 30 anos e três filhos, conserva como recordação a velha bicicleta, hoje uma estrutura sem rodas, com a qual viajou centenas de quilômetros na Amazônia oriental brasileira “caçando trabalho para melhorar a vida”, mas caindo na armadilha da escravidão.
Alves é um exemplo de que a necessidade muitas vezes é mais forte do que a cautela. Órfão de pai em uma família de 10 filhos, tinha de ajudar a mãe e três irmãos menores. Sofreu a violência da escravidão moderna tanto em seu Estado natal, Maranhão, quanto no Pará.
Alves cortou árvores e capinou “com a força dos braços” e cavou poços, teve um patrão que pagava apenas a metade do salário mínimo e abandonava os empregados no meio da selva, comendo pescado dos rios “para não morrer de fome”, e um outro que os mantinha reféns com guardas armados. “Nem gosto de lembrar”, afirma, assinalando que agora vive no paraíso. Alves coordena a produção de carvão reciclado em uma das duas unidades da Cooperativa para a Dignidade do Maranhão (Codigma), um projeto do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (CDVDH) iniciado há um ano.
Desenvolvimento: Brasil e UE fazem uma associação estratégico
Mario de Queiroz
Lisboa, (IPS) – A mesa de negociações não precisou de tradutores. Tudo foi acertado em português na cúpula entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates Pinto de Sousa, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.
Na segunda fila, dirigentes e especialistas da União Européia acompanhavam com fones de ouvido a tradução do que Sócrates, presidente do Conselho da eu, e Barroso, que encabeça o órgão executivo comunitário, acertavam com o chefe de Estado do maior país da América Latina.
Ao encerrar o encontro, o Presidente Lula recordou que “as relações do Brasil com a União Européia existem há muito tempo, mas as relações com Portugal são muito mais antigas, quando o Brasil ainda não era um país, mas um espaço, e, coincidência ou não, foi necessário que um português presidisse a Comissão e Portugal o Conselho para que finalmente Brasil e UE chegassem a uma associação estratégica”. Sócrates e Lula anunciaram que o acordo assinado inclui a ação em fóruns mundiais para impulsionar a reforma dos principais órgãos da Organização das Nações Unidas, porque, segundo o presidente brasileiro, “o mundo de hoje é totalmente diferente do existente na de´cada de 40, quando a ONU foi fundada”.
Objetivos do Milênio: Os países não conseguem acabar com a fome
Gustavo Capdevila
Genebra, (IPS)- O objetivo de reduzir pela metade, até 2015, a proporção de pessoas que passam fome, em relação aos níveis de 1990, caminha para o fracasso, alertaram ativistas da organização não-governamental ActionAid, que em resposta decidiu lançar uma campanha mundial.
Uma tragédia real e um verdadeiro escândalo é que o número de pessoas afetadas pela fome aumentou, em sete anos, de 800 milhões para 854 milhões, disse Ramesh Singh, chefe da organização, ao anunciar a campanha pela afirmação do direito à alimentação para os povos.
Singh responsabilizou pelo fracasso os governantes do mundo porque, ao mesmo tempo, a produção mundial de alimentos cresce ao extremo de poder sustentar 12 bilhões de pessoas, quase o dobro da população atual. Por esse motivo, a ActionAid escolheu a cidade suíça de Genebra, que esta semana é sede do primeiro Exame Ministerial Anual do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), mecanismo recém-criado por esse organismo da Organização das Nações Unidas. Em sua sessão inaugural, o Exame analisa os resultados de dois dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: redução pela metade da pobreza extrema e fome, e a criação de uma associação mundial para o desenvolvimento.
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