Edição nº 14 – Os Objetivos do Milênio

Economia: Otimismo cauteloso na AL
Daniela Estrada

Santiago, (IPS) – Os países da América Latina e do Caribe completarão em 2008 seis anos consecutivos de crescimento econômico, segundo projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe.

Aproveitar esta bonança a longo prazo requer estratégias nacionais de desenvolvimento. O informe econômico apresentado ontem em Santiago pela Cepal insistiu neste aspecto e estimou que o produto interno bruto da região crescerá 5% neste ano e 4,6% em 2008, depois de uma alta de 5,6% no ano passado.

“Caso se confirmem estes prognósticos, no final do sexto ano de crescimento consecutivo – desde 2003 – o produto por habitante da região terá acumulado aumento de 20,6%, equivalente a uma alta média de mais de 3% anual”, diz o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2006/2007. Trata-se do período de maior crescimento do PIB por habitante desde os anos 80. “A bonança vai durar. Os melhores termos do intercâmbio comercial chegaram para ficar. Parece-me que é uma coisa estrutural que pode durar vários anos”, disse à IPS o argentino José Luis Machinea, secretário-executivo da Cepal.
Economia: Países em desenvolvimento desafiam o FMI
Emad Mekay

Washington, (IPS) – O Grupo dos 24, que reúne países em desenvolvimento, advertiu tacitamente esta semana que não deixará de apresentar candidatos a diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, que, segundo Estados Unidos e Europa, deveria ser um europeu.

O G-24, que opera como bloco de acionistas minoritários no FMI e no Banco Mundial, queixou-se em diversas ocasiões da falta de democracia e transparência nas duas organizações. Um acordo não escrito entre Estados Unidos e Europa diz que Washington escolhe o presidente do Banco Mundial e Bruxelas o principal funcionário do Fundo. O Grupo reclama uma mudança nessa tradição já há muito tempo.

A declaração conjunta divulgada na segunda-feira constitui um dos sinais mais claros de desconfiança quanto à forma como os países industrializados conduzem o FMI, do qual possuem a maioria acionária. Fontes da instituição disseram à IPS que diversos pretendentes a diretor-gerente do Fundo procedentes do mundo em desenvolvimento vacilam em apresentar suas candidaturas por considerarem que o processo de escolha está viciado a favor do indicado europeu, Dominique Strauss-Kahn. O acordo quase unânime alcançado nesse sentido pelos ministros das finanças da União Européia converte sua consagração em um fato consumado, segundo os funcionários.

Saúde: A busca de remédios para a Aids em crianças
Neena Bhandari

Sidney, (IPS) – A quarta conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS), realizada em Sidney fez um apelo para que sejam desenvolvidos medicamentos anti-retrovirais específicos para crianças que vivem com o vírus HIV, causador da doença.

“Devemos proteger nosso futuro”, disse Pedro Cahn, presidente da IAS. Este infectologista, e diretor da fundação Huésped da Argentina, exortou no sentido de serem “encontrados melhores caminhos para tratar os mais jovens e buscar estratégias de prevenção integradas, baseadas tanto na ciência quanto na mudança de conduta”.

Cerca de 2,3 milhões de crianças no mundo vivem com o HIV, e a cada no são registrados aproximadamente 600 mil novos casos, segundo estatísticas divulgadas na conferência. Além disso, estima-se que em torno de 780 mil crianças necessitam dos anti-retrovirais, mas apenas 15% têm acesso a esse medicamento. Na África subsaariana, as crianças representam 14% das pessoas que precisam desses remédios, porém, somente 6% os recebem. Sem tratamento adequado, a metade dos bebês portadores morrerá antes de completar dois anos de vida.

Ambiente: Nigéria, um petroleiro movido a lenha
Toye Olori

Lagos, (IPS) – A Nigéria enfrenta um paradoxo. É o sexto produtor mundial de petróleo, mas seus habitantes dependem da madeira para ter combustível.

Musa Amiebinomo, funcionário do Departamento de Silvicultura, disse que aproximadamente 70% da população deste país de mais de 140 milhões de habitantes vivem em áreas rurais e dependem de recursos florestais, especialmente a madeira, para atender suas necessidades domesticas de energia. Isto provoca a destruição das florestas, agravada pelo corte comercial ilegal.

O informe “Estado das florestas do mundo”, divulgado em 2005 pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), diz que entre 1990 e 20005 a Nigéria perdeu 37,5% de suas áreas florestais. O ambientalista Boniface Egboka, decano da Escola de Estudos de Pós-graduação da Universidade de Anambra, afirmou que o uso predominante de lenha como combustível esta ligado à crescente corrupção no poder

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Correspondentes da IPS

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