Economia: Quem perde e quem ganha no Iraque

Washington, 06/08/2007 – Um órgão do Congresso norte-americano alertou que, no balanço final, a guerra do Iraque pode custar mais de um trilhão de dólares aos contribuintes. Mas as empresas privadas obtêm ganhos inéditos pelo mesmo motivo. O trilhão será alcançado quando se somar custos com repatriação de soldados feridos, assistência militar e econômica ao governo iraquiano e a manutenção no Iraque de 190 mil soldados, informou na semana passada o Escritório de Orçamento do Congresso. O diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, Mitch Daniels, havia calculado em 2003 que a guerra do Iraque poderia custar entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões. Esta projeção ficou curta.

O conflito e os projetos de reconstrução já devoraram US$ 500 bilhões do Tesouro norte-americano. “Nessas atividades gastamos agora mais de 10% dos cofres do Estado”, disse Robert A. Sunshine, diretor-assistente do Escritório de Orçamento do Congresso. Mesmo se Washington reduzir seus efetivos no Iraque para 30 mil soldados até 2010, a guerra custará aos contribuintes mais cerca de US$ 500 bilhões, estimou Sunshine em um informe apresentado ao Congresso. Porém, se este país mantiver 75 mil efetivos naquele país nos próximos anos o custo subirá para aproximadamente US$ 900 bilhões.

“Essa é a conseqüência de começar uma guerra por capricho e sem planejamento”, disse à IPS Brian Katulis, do Centro para o Progresso Norte-americano, instituição de estudos do opositor Partido Democrata. “Alcançamos cifras desproporcionais. O Congresso aprovou US$ 450 bilhões de gastos no Iraque. Mas se contarmos os US$ 116 bilhões a mais que o governo de George W. Bush pediu, chegamos a US$ 566 bilhões”, disse. “A guerra do Vietnã custou US$ 652 bilhões ajustados pela inflação”, disse Katulis. Os documentos do Escritório de Orçamento do Congresso revelam um cenário desanimador.

Enquanto isso, várias das maiores companhias da indústria militar revelaram na semana passada que aumentaram significativamente seus lucros com os contratos para reconstrução no Afeganistão e no Iraque. Os departamentos de eletrônica e de serviços e informação da empresa norte-americana Northrop Grumman registraram crescimento de 7% e 15% no segundo trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado. A Northrop Grumman se dedica aos setores aeroespacial e naval, entre outros. A unidade de sistemas de combate da General Dynamics teve crescimento em suas vendas de 19% pela permanente demanda de tanques e veículos blindados. Essa empresa opera desde 1952 nos setores aeronáutico, naval, de combate e de inteligência militar.

A fabricante de aviões e sistemas aéreos Lockheed Martin anunciou crescimento de 34% em seus lucros, que dessa forma chegarão a US$ 778 milhões. As últimas projeções colocam os lucros dessa empresa em US$ 41.750 bilhões. “O gasto militar projetado para 2008 é o mais alto da história. E o deste ano foi o maior até agora. A tendência continua em alta”, disse à IPS Miriam Pemberton, pesquisadora do Instituto de Estudos Políticos.

“Além disso, as empresas se aproveitam do crescente orçamento militar para vender produtos que não têm relação alguma com a guerra no Iraque, como o avião de combate F-22 Raptor e armas de longo alcance”, afirmou. “Este trimestre não foi apenas rentável, mas agora tem um saldo que lhes permitirá aumentar seus benefícios”, acrescentou Pemberton. O aumento dos ganhos das empresas do setor militar pode estar correlacionado a nada mais do que uma porção do gasto atual, e do previsto, vinculado à guerra do Iraque.

O informe do Escritório de Orçamento do Congresso estimou que o gasto médico vai superar os US$ 9 bilhões se os Estados Unidos diminuírem para 30 mil seus efetivos no Iraque. Essa cifra pode passar dos US$ 13 bilhões se 75 mil soldados permanecerem nesse país nos próximos cinco anos. Estima-se que o treinamento de policiais e soldados no Afeganistão e Iraque custará, pelo menos, US$ 50 bilhões nos próximos 10 anos. Além disso, se prevê que o governo norte-americano gaste, no mínimo, US$ 20 bilhões em atividades diplomáticas e de reconstrução até 2017, fora do gasto militar.

As cifras podem continuar crescendo, pois o exército precisará de mais fundos para aumentar seus efetivos e comprar veículos blindados em substituição aos que se tornaram inseguros devido ao perigo representado pelas bombas. Um estudo feito pelo prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e pela especialista em orçamento da Universidade de Harvard Linda Bilmes sugere que o custo real da guerra poderá superar os US$ 2 trilhões quando se contabilizar o gasto com pensões por invalidez, assistência média para os soldados feridos e seu efeito geral na economia. (IPS/Envolverde)

Eli Clifton

Eli Clifton is a national security reporter for ThinkProgress.org. Eli holds a bachelor's degree from Bates College and a master's degree in international political economy from the London School of Economics. He previously reported on U.S. foreign policy for IPS, where he served as deputy Washington, D.C. bureau chief. His work has appeared on PBS/Frontline's Tehran Bureau, the South China Morning Post, Right Web, Asia Times, LobeLog.com, and ForeignPolicy.com. Website: http://thinkprogress.org/author/eclifton Blog: http://thinkprogress.org/security/issue/

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *