CUBA: Cuba faz nova ofensiva na ONU contra embargo

Havana, 20/09/2007 – O governo cubano anunciou esta semana que apresentará, pela décima-sexta vez, na Organização das Nações Unidas uma moção contra o bloqueio norte-americano que, segundo se calcula, causou ao país prejuízos superiores a US$ 89 bilhões em pouco mais de quatro décadas. Este projeto de resolução será submetido a votação no dia 30 de outubro na Assembléia Geral, onde Cuba espera que seu resultado prove uma vez mais a rejeição que esta política provoca no âmbito internacional, disse em entrevista coletiva o canceler Felipe Pérez roque.

No ano passado, um texto semelhante obteve 183 votos a favor, quatro contra (EUA, Israel, Palau e Ilhas Marshall) e a abstenção da Micronésia. O apoio à demanda de Havana cresceu de maneira sustentada desde a primeira vez em que foi apresentada, em 1992, quando recebeu o apoio de apenas 59 países. O chefe da diplomacia cubana também confirmou que no transcurso do novo período de sessões da ONU manterá um “encontro exploratório” com a troika da União Européia e com o chanceler da Espanha, Miguel Angel Moratinos. A UE costuma votar em bloco a favor da resolução que pede o fim do embarco econômico e comercial praticado pelos Estados Unidos, embora mantendo uma atitude crítica em relação à Cuba devido à questão dos direitos humanos, o que provoca atritos e distanciamentos bilaterais. A esse respeito, Roque insistiu em dizer que o encontro acontecerá a reboque de propostas dos europeus e será apenas exploratório, pois um “diálogo político formal” não pode ser estabelecido “até que sejam levantadas as sanções arbitrarias que a União Européia adotou contra Cuba”.

Em 1996, a UE assumiu a chamada posição comum, para exigir mudanças políticas e econômicas na ilha de sistema socialista, o que em março de 2003 adicionou uma série de medidas diplomáticas em reação à prisão de 75 dissidentes e à execução de três pessoas que seqüestraram uma embarcação com passageiros com a intenção de emigrar. As medidas estão suspensas desde 2005 e incluem, entre outras, restrição de visitas oficiais de alto nível a Cuba e convite a dissidentes para as recepções nas embaixadas da União Européia em Havana.

No diálogo exploratório deverão ser explicadas “claramente nossas posições”, disse o chanceler cubano, que elogiou o “papel construtivo” da presidência temporária de Portugal na busca desses contatos, acrescentando que a Comissão Européia, o órgão executivo da UE, também demonstra uma postura positiva. A reunião com Moratinos, no entanto, é parte dos intercâmbios regulares acordados entre os dois chanceleres durante a visita do ministro espanhol a Havana em abril, explicou Roque.

Segundo o chanceler, nesse encontro se tratará da maneira como avança a relação bilateral, incluída a viagem da secretária de Estado para a Cooperação, Leide Pajín, prevista para o final deste mês, a fim de encabeçar as sessões da comissão mista Espanha-Cuba. O restabelecimento dessa comissão para a cooperação é um dos resultados da visita de Moratinos, recebido em Havana pelo presidente em exercício, Raúl Castro. Nessa oportunidade, Roque disse que a Espanha se afastou de um “caminho de imposições e condicionamento político”, o que facilitou o restabelecimento da comunicação.

A ofensiva diplomática cubana na ONU contra o bloqueio (que Washington chama de embargo) é a segunda a ser feita durante o afastamento do líder Fidel Castro, que no dia 26 de junho de 2006 foi submetido à primeira de várias operações devido a problemas intestinais e delegou provisoriamente o comando do país ao seu irmão Raúl. Os Estados Unidos iniciaram formalmente o embargo econômico, comercial e financeiro no dia 3 de fevereiro de 1962, e desde então sete em cada 10 cubanos nasceram e viveram sob essa política, que o chanceler Roque qualifica de “genocida” e de guerra não declarada contra um país que não constitui uma ameaça para Washington.

O governo cubano considera que a atual administração norte-americana do presidente George W. Bush aumentou todas as restrições contidas no embargo, que também prejudica os interesses e direitos do povo dos Estados Unidos, cubanos residentes neste país e, inclusive, cidadãos de terceiros Estados, por causa da aplicação extrateritorial das proibições.

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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