Edição nº 21 – Os Objetivos do Milênio

Ambiente-Brasil: Sorvetes para salvar o cerrado brasileiro

Goiânia, (IPS) – A capital de Goiás tenta os turistas com três sorveterias. Não só atraem mais consumidores dia a dia pelo sabor exótico das frutas nativas como também promovem a biodiversidade. Um quarto estabelecimento será aberto em duas semanas em Goiânia, que tem 1, 4 milhão de habitantes.

Todas as lojas são abastecidas pela família de Clóvis de Almeida, um camponês de 54 anos que encontrou a fortuna graças ao conhecimento botânico acumulado em sua infância e juventude vivida em terras longínquas de Goiás.

Houve tempos mais difíceis. Para chegar ao povoado mais próximo, a 60 quilômetros de distancia, andávamos dois dias a cavalo”. Não havia farmácias, “tudo era curado com medicamentos da floresta e abríamos as estradas a golpes de enxadão”, recordou Almeida. Ele se mudou para Goiânia, onde manteve sua família, com três filhos, vendendo sorvetes “comuns” em carrinhos que empurrava pelas ruas da cidade. Em 1990 quebrou, ao ser pego de surpresa pelo plano antiinflacionário que bloqueou a poupança de toda a população. Como avalista de três amigos, ficou com dívidas impagáveis.

Pobreza: Campanha mundial busca compromissos públicos contra a pobreza

Bahawalpur, Paquistão, (IPS) – O chefe da campanha Chamado Mundial à Ação Contra a Pobreza (GCAP), Irfan Mufti, acredita que este ano o movimento conseguirá influenciar os orçamentos nacionais, bem como as políticas dos organismos multilaterais de crédito.

Em entrevista à IPS, este ativista pelos direitos humanos que foi coordenador do Fórum Social do Paquistão nos últimos três anos, afirmou que o GCAP já tem uma importante presença na Ásia meridional, região que sofre amplas desigualdades. Hoje, Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, os ativistas estenderão nesta cidade paquistanesa um gigantesco cartaz, de 10 quilômetros de comprimento, com assinatura de milhões de pessoas pedindo medidas concretas contra a pobreza.

P- Como funcionará este ano a campanha “Lenvate-se e se faça ouvir” para projetar as demandas? R- Há dois elementos. Existe uma petição ou declaração entregue a todas as coalizões nacionais para ser lida. Cobrirá demandas especificas, como aumentar os orçamentos para o desenvolvimento social e reduzir o gasto militar. As coalizões de cada país preparam documentos de políticas locais. Criamos um canal pelo qual todas estas coalizões informarão suas petições em nosso site, para incluí-las em um documento único que será entregue aos presidentes do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, em Washington. Tentamos fazer com que essas vozes sejam ouvidas tanto em nível local quanto global. Fotos das atividades (de hoje) serão expostas em Washington. Estas são as ações imediatas, mas para médio prazo preparamos uma estratégia de comunicação para utilizar esses números e resumos de ações.
América Latina: Prêmio ao jornalismo que faz o leitor se indignar com injustiças

México, (IPS) – O jornalismo deve procurar a multiplicação de leitores “que não lêem para passar a vista por sinais no final das contas indecifráveis”, mas para levantar a indignação contra as múltiplas injustiças, “Sem o qual a vida cotidiana se converte em zona de isolamento e docilidade”, disse o escritor mexicano Carlos Monsiváis.

O compromisso com leitores críticos, um “pré-requisito da cidadania plena” e com a urgência de “fazer do jornalismo um dos instrumentos de resistência cultural”, é o que Monsiváis encontrou nos trabalhos ganhadores do Primeiro Concurso Jornalístico América Latina e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, organizado pela agência internacional de notícias IPS (Inter Press Service) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O escritor, que integrou o júri do concurso do qual participaram 466 trabalhos escritos de 19 países latino-americanos, foi o orador central de uma concorrida cerimônia realizada na capital mexicana na noite de quinta-feira para a entrega dos prêmios aos três primeiros lugares. “Estes jornalistas cumprem seu dever de modo criativo ao nos colocar próximos de temas tão evitados com o trabalho infantil, os ecocídios, as cumplicidades dos governos e um empresariado voraz, a situação das mulheres, o paradoxo da fome e as realidades do neoliberalismo”, afirmou Monsiváis.
Mudança Climática: Presidente equatoriano contra o terrorismo ambiental

Quito, (IPS) – O presidente do Equador, Rafael Correa, criticou os países que são principais causadores da mudança climática e se negam a reduzir o uso exagerado de combustíveis, durante sua intervenção, na semana passada, no Encontro Internacional Clima Latino.

O mandatário afirmou que a Organização das Nações Unidas deveria apresentar uma lista das “nações que estão acabando com nosso planeta, desses terroristas ambientais que, por sua ambição e hiperconsumismo, vão acabar com a vida na Terra”. Correa lamentou que a injustiça “tenha se globalizado produto do aquecimento global porque os países pobres, não responsáveis pela tragédia, são afetados em maior grau por não terem a capacidade de responder a desafios de tais dimensões”.

O Encontro Internacional sobre Mudança Climática na América Latina, que terminou quinta-feira na capital equatoriana, fez 21 recomendações de manejo ambiental sobre os governos da região. Essas recomendações, elaboradas em painéis e mesas de debate por cientistas, técnicos, ativistas e autoridades, se referem a manejo de fontes de água, florestas, energia, lixo, transporte público e ordenamento urbano, entre outros temas. O secretário-geral da Comunidade Andina de Nações (CAN), Freddy Ehlers, disse à IPS que as sugestões que surgiram dos diferentes encontros serão expostas na Conferência das Partes da Convençao Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá em dezembro em Bali, na Indonésia.

 

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Correspondentes da IPS

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