Estados Unidos: Manifestações públicas contra a guerra no Iraque

Nova Yorque, 30/10/2007 – Dezenas de milhares de pessoas em todo os Estados Unidos participaram de grandes manifestações para exigir do governo de George W. Bush o fim da ocupação militar do Iraque e para expressar seu repúdio aos supostos planos de Washington para atacar o Irã. Organizados por uma ampla gama de grupos pacifistas, os protestos aconteceram no final de semana em mais de 10 cidades, incluindo Nova Yorque, Boston, Filadélfia, São Francisco, Los Angeles, Chicago e Seattle. A intenção da grande mobilização foi pressionar principalmente o Congresso, para que tome medidas decisivas contra as políticas militares de Bush.

“A cada mês morrem quase cem funcionários (norte-americanos) e muitíssimo mais iraquianos”, disse a ativista Medea Benjamin, do Codepink, grupo antibélico que organizou várias manifestações desde a invasão do Iraque em 2003. “Muitas pessoas querem o fim da guerra, mas Washington não realiza uma ação decisiva. Queremos que esta guerra chegue ao seu fim, e agora”, acrescentou em uma declaração. Durante os protestos, Benjamin e outros ativistas destacaram o impacto dos enormes gastos bélicos em necessidades internas dos Estados Unidos, como a qualidade do serviço médico e da educação para as famílias pobres.

Cálculos independentes indicam que Washington destina pelo menos US$ 12 bilhões por mês, obtidos da cobrança de impostos, para operações militares no exterior, o que afeta a economia da classe média e trabalhadora do país. As manifestações foram realizadas num momento em que o Congresso começa a examinar o pedido de Bush de um orçamento adicional para as operações militares. O mandatário solicitou US$ 196,4 bilhões para o presente ano fiscal. Na última quinta-feira, o bipartidário Escritório Orçamentário do Congresso (CBO, sigla em inglês) disse que o país necessitaria de, pelo menos, US$ 2 trilhões para continuar com suas operações militares no Afeganistão e no Iraque na próxima década.

De acordo com cálculos do CBO, Washington já gastou US$ 604 bilhões nesses países, o que inclui US$ 39 bilhões destinados a operações diplomáticas e assistência humanitária. Pouco depois da divulgação destes dados, o governo Bush os minimizou, dizendo que estavam baseados em meras especulações. “É apenas uma tonelada de especulações. Não sabemos quanto vai custar a guerra no futuro”, disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. Políticos do opositor Partido Democrata destacaram a ampla diferença entre os cálculos do CBO e os apresentados pelo governo antes que a guerra no Iraque começasse, em 2003. O calculo do CBO é muito diferente do original feito pela administração Bush, de US$ 50 bilhões, disse a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

“A profundidade desta tragédia é impressionante, em especial para nossas famílias militares e para as perspectivas de paz na região”, acrescentou. Apesar de sua oposição à guerra, até agora os democratas não deram nenhum sinal claro contra o pedido do presidente para aumentar o orçamento militar. Observadores dizem que essa solicitação indica que não se pode descartar um ataque ao Irã. Na semana passada, Bush declarou sua disposição de adotar um pacote sem precedentes de sanções unilaterais contra Teerã.

Analistas independentes insistentemente alertam para as conseqüências desse tipo de medidas, dizendo que podem agravar o sentimento antinorte-americano em todo o mundo muçulmano e colocar em maior risco a vida dos soldados no Afeganistão e no Iraque. “Não podemos bombardear um país só porque não gosta de nós. Fazer isso seria uma total imprudência e apenas fortaleceria as mãos dos políticos de linha dura no Irã”, afirmou a analista Carah ONG, do Centro para o Controle de Armas e a Não-proliferaçao, com sede em Washington.

Há alguns dias, o presidente Bush sugeriu que se o Irã conseguir fabricar armas atômicas poderá causar a terceira guerra mundial, enquanto seu vice-presidente, Dick Cheney, advertiu Teerã com “graves conseqüências” se não parar seu programa de desenvolvimento nuclear. “Se queremos ver uma mudança no comportamento do Irã, devemos adotar uma valente liderança diplomática para manter um diálogo sério e sustentado”, afirmou ONG. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/ IPS)

Haider Rizvi

Haider Rizvi has written for IPS since 1993, filing news reports and analyses from South Asia, Washington, D.C. and New York. Based at United Nations headquarters, he specialises in international human rights issues and sustainable development as well as disarmament, women's rights, and indigenous peoples' rights. He is a two-time winner of the Project Censored Award.

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