Estados Unidos: Milionárias guerras

Washington, 16/11/2007 – As guerras no Afeganistão e no Iraque podem custar aos contribuintes norte-americanos pelo menos US$ 3,5 trilhões até 2017 se forem contabilizados os gastos diretos, indiretos e “ocultos”, segundo um informe do opositor Partido Democrata que foi apresentado no Congresso. O trabalho de 27 páginas intitulado “Guerra a qualquer preço?” conclui que os custos econômicos totais registrados até agora (incluindo gastos “ocultos”, com preço mais alto do petróleo, juros de empréstimos e cuidados de longo prazo com soldados feridos) já duplicaram os US$ 800 bilhões que o governo de George W. Bush pediu aos congressistas para 2008.

“Não podemos pagar esta guerra. Estamos financiando-a com dinheiro emprestado. Os norte-americanos estão pagando mais, e levará anos para nossos militares se recuperarem do dano da fracassada estratégia bélica de nosso presidente”, disse o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. “Se o presidente seguir em frente e se nós não fizermos uma retirada significativa de tropas (do Iraque), o custo total desta guerra atingirá cifras astronômicas”, acrescentou, apoiando as conclusões do informe divulgado por membros democratas do Comitê Econômico Conjunto do Senado.

O documento, que assume que Washington reduzirá o número de soldados no Iraque dos atuais 180 mil para cerca de 90 mil até 2012, mantendo, então, 75 mil efetivos até 2017, foi apresentado num momento de intensas disputas no Congresso entre democratas e legisladores do governante Partido Republicano sobre o financiamento da guerra no próximo ano. Apesar da recente redução da violência em Bagdá, a guerra continua sendo condenada pela maioria dos eleitores norte-americanos, segundo as últimas pesquisas.

O estudo também foi apresentado em meio à crescente evidência, segundo as pesquisas de opinião, de que a economia é um assunto cada vez mais importante para o eleitorado. Os Estados Unidos realizarão eleições presidenciais no próximo ano. Na frente iraquiana, os democratas ofereceram aprovar de imediato US$ 50 bilhões de um pedido pendente do governo de US$ 200 bilhões para financiar as duas guerras em 2008. Pelo plano, Washington poderia usar os US$ 50 bilhões até início do próximo ano, tempo que o Congresso levará para aprovar os outros US$ 150 bilhões.

Porém, os US$ 50 bilhões estão condicionados a um compromisso de Bush para começar a retirar suas tropas o Iraque, com a intenção de evacuar todos os soldados de combate – quase a metade dos que estão em território iraquiano – até o final do próximo ano. O presidente resiste firmemente a este prazo, mas os democratas esperam que um número suficiente de congressistas apóie um plano que supere os obstáculos de procedimento que no passado impediram que leis para a retirada de tropas chegassem à sala do presidente. Se este projeto de lei ganhar apoio republicano, então Bush se verá forçado a decidir entre vetá-la ou assiná-la.

Durante uma reunião informal na semana passada, a presidente da Câmara de Representantes, a republicana Nancy Pelosi, disse aos democratas que se o presidente vetar a lei então não serão aprovados fundos adicionais para a guerra este ano, o que obrigará o Departamento de Defesa a desviar dinheiro de outras atividades para manter suas operações. Por outro lado, cresce a preocupação geral com a economia e uma possível recessão. Embora o informe democrata não vincule explicitamente os gastos da guerra com os temores pela economia, destaca que os custos da invasão e ocupação no Afeganistão e Iraque são cobertos pelos contribuintes.

“Os esmagadores custos desta guerra para as famílias norte-americanas, o orçamento federal e toda a economia estão além de qualquer medida”, disse o senador democrata Charles Schumer. “O custo total da guerra no Iraque para uma família de quatro pessoas é de US$ 16.500 entre 2002 e 2008”, diz o informe em uma de suas conclusões. “Quando se inclui a guerra do Afeganistão, a carga sobe para US$ 20.900”, acrescenta o informe. “O potencial futuro do impacto em uma família de quatro membros dispara para US$ 36.900 para o Iraque e US$ 46.400 para Iraque e Afeganistão entre 2002 e 2017”, acrescenta. O cálculo do informe sobre o custo total da guerra entre 2002 e 2017 é de US$ 1 trilhão maior do que o de um estudo semelhante divulgado na semana passada pelo não-partidário Escritório de Orçamento do Congresso. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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