Dar Es Salaam, 30/11/2007 – O diretor do Centro Palestino para a Divulgação da Democracia e do Desenvolvimento Comunitário (Panorama), Walid Salem, condenou os muçulmanos que cometem atos terroristas, os quais – afirmou – não representam o Islã. Panorama, com sede em Jerusalém, é uma organização não-governamental criada em 1991 para “criar uma sociedade civil pluralista” nessa nação. Salim deu uma entrevista à IPS em Dar es Salaam, em uma pausa da terceira conferência do Processo de Helsinque sobre Globalização e Democracia, iniciativa conjunta de Finlândia e Tanzânia que se coloca desde 2003 como fórum de diálogo entre Sul e Norte.
“Grupos como a Al Qaeda representam uma minoria de muçulmanos e não o muito mais amplo setor de amantes da paz no mundo islâmico”, disse o ativista. “Não há extremismo na fé do Islã. É, mais precisamente, uma religião que defende a paz, e alguém que não defende a paz não deve ser considerado um representante de todos os muçulmanos. Esses grupos apenas usam o Islã para justificar suas atividades extremistas”, acrescentou Salim.
O diretor da Panorama considerou que o extremismo islâmico se arraigou nos acontecimentos políticos do Oriente Médio, especialmente com o surgimento de tiranos déspotas. “Sem alternativa para esses líderes, alguns assumem atividades extremistas e se escudam na religião. Quando negam ao povo a participação no governo e impõem um sistema de opressão, bem como a pobreza extrema, se incentiva a busca de um modo de expressar a frustração”, explicou o especialista.
Salem garantiu que a solução de tais problemas é melhorar a governabilidade. “A democracia deve surgir e assegurar justiça para todos, para que os povos possam viver sem medo da opressão”, acrescentou. o ativista também destacou a necessidade de o Islã acompanhe a vida dos tempos atuais. “Na época de Maomé se mutilava os ladrões, mas hoje os religiosos propõem outras formas de castigo para os criminosos”, prosseguiu. “O problema do extremismo se agravou porque há os que querem instalar o passado no presente. Mas, os tempos mudaram. Ninguém percorre o mundo combatendo os “infiéis”, como ocorria antes, acrescentou.
A conferência de três dias em Dar es Salaa, que terminou ontem, aconteceu sob o lema “Governabilidade inclusiva: Reduzindo as brechas globais”. A discussão, em parte, se concentrou no papel da sociedade civil na promoção da paz e da segurança. A reunião também marcou o fim da segunda fase do Processo de Helsinque, iniciada em 2005, dedicando-se a revisar os êxitos obtidos nos últimos dois anos. A primeira fase do Processo (2003-2005) teve, entre outros, o propósito de incentivar e ampliar a cooperação para o desenvolvimento com via de solução para os problemas mundiais. (IPS/Envolverde)

