Tampa, EUA, 18/02/2008 – Os historiadores do futuro poderão muito bem se referir a 2008 como o “ano do voto jovem” nos Estados Unidos: o poder dos menores de 30 anos não deixa de crescer nas urnas. “Os jovens se envolvem cada vez mais no processo político. Esta geração tem muito mais energia do que as anteriores”, disse à IPS Kat Barr, subdiretora do grupo independente Rock The Vote. “alem disso, as arganizações não partidárias dedicadas ao registro de eleitores jovens se esforçam mais, e com mais êxito”, acrescentou.
A participação juvenil nas eleições e caucus (assembléias) das primárias aumentou em relação a instâncias superiores em quase todos os 21 Estados onde aconteceram as da “superterça”, no ultimo dia 5, segundo o Centro para a Informação e a Pesquisa sobre Aprendizado Cívico e o Compromisso (Circle) da Universidade de Maryland. Se a tendência se repetir nas eleições presidenciais de 4 de novembro a juventude norte-americana poderá atribuir-se o privilégio de ter eleito o sucessor de George W. Bush.
Circle destacou o fenômeno nos Estados do Sul. Na Geórgia, a concorrência de jovens nas primárias triplicou desde 2000, de 92 mil para 280 mil. E no Tennessee, quaduplicou, de 35 mil para 140 mil. “Desde 2003 registramos 600 mil jovens” nas listas eleitorais, disse Sujatha Jahagirdar, diretora do Projeto Novos Eleitores, do Grupo Estudantil de Pesquisa sobre Interess Público. O fenômeno tem influência decisiva dentro do opositor Partido Democrata.
“Nos Estados em que o senador Barak Obama venceu o fez com a maioria esmagadora dos votos jovens. E quando Hillary Clinton triunfou o fez dividindo os votos dos jovens”, disse Jahagirdar à IPS. No Alabama, Obama, o ganhador, obteve 64% dos votos de jovens e Clinton 32%. Na Califórnia, Clinton, que predominou nesse Estado, registrou 51% dos votos jovens, e Obama 47%. Nas primárias do Partido Republicano, o senador John McCain, de 71 anos, ganhou amplos setores do eleitorado jovem. Obteve 34% desses votos na Califórnia, 36% em Massachusetts, 46% em Nova Jersey e impressionantes 51% em Connecticut.
Antes da superterça, alguns meios de comunicação haviam retratado McCain como um militarista do século XIX perdido no século XXI. McCain obteve esses números apesar de o seu site ser o único da campanha que não possui uma seção especial para eleitores jovens. Entre os quatro candidatos ainda na disputa – os democratas Obama e Clinton e os republicanos McCain e Huckabee – o primeiro é o que leva uma clara vantagem entre os jovens, devido à sua “mensagem de mudança”, disse Eric Weil, sócio-gerente do Student Monitor, com sede em Ridgewood, Nova Jersey. O discurso do senador pelo Estado de Illinois é vinculado por este setor “com o trabalho de encontrar emprego depois de formado, e ele foi o candidato que fez o melhor trabalho ao se referir a isso”, acrescentou. Em qualquer ponto do território norte-americano Obama, de 44 anos, acaba acompanhado por gente jovem, segundo Weil, cuja equipa faz pesquisas de mercado especializadas nos estudantes universitários desde 1987. Além disso, mantém contato via Internet inclusive em redes sociais como MySpace. com e Facebook.com. Depois de suas três vitórias nas “primárias do Potomac” na terça-feira – nos Estados de Maryland e Virginia e na cidade de Wasghington, três jurisdições sulcadas pelo rio desse nome – Obama supera Clinton em delegados à Convenção Nacional que designará o candidato presidencial democrata.
Os seguidores de Obama se estendem, inclusive, a uma multidão de menores de 18 anos. Joshua Ramírez, de 14, é co-fundador da Juventude de Obama, embora ainda seja muito jovem para votar. Normalmente faz telefonemas para divulgar informações sobre o candidato, disse à IPS. Emily Hawkins, diretora das campanhas para captar eleitores jovens a favor de Hillary Clinton, é otimista, embora sua líder tenha perdido quatro primárias em menos de uma semana. “Nosso plano não mudou. Continuamos falando com os eleitores jovens para que se comprometam”, disse Hawkins. “Nos esforçamos para mostrar aos jovens através da Internet a posição da senadora Clinton naquilo que os preocupa, como o aquecimento global”, acrescentou.
A filha de Hillay Clinton e do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), Chelsea, protagoniza o ciclo de conferências “Nossa voz, nosso futuro”, em jantares, campus universitários e cafés, disse Hawkins à IPS. A competição pelo voto jovem “começou na Flórida”, disse à IPS Susan A. McManus, professora do departamento de governo e relações internacionais da Universidade de Flórida do Suil. “Em 2002, os estudantes e outros jovens o quanto podem ser importantes umas poucas centenas de votos”, explicou.
Nunca se saberá exatamente quantos votos Bush conseguiu nas questionadas eleições deaquele ano, que foram especialmente confusas na Flórida. A Suprema Corte de Justiça destinou, dias depois das eleições, os votos do colégio eleitoral por esse Estado ao atual presidente, então em disputa contra o democrata Al Gore. Foram esses votos os decisivos para a vitória de Bush. “Os jovens querem votar. Querem mudanças. Querem ação. E quando se tem candidato que rompa o modelo, como Obama, que pode ser o primeiro presidente negro da história norte-americana, ou Hillary Clinton, que aspira ser a primeira mulher presidente, as pessoas se enchem de energia, e isso sempre atrai o voto dos jovens”, afirmou MacManus.
Não está claro se o ímpeto juvenil se manterá depois de 4 de novembro. “Se vencer um candidato apoiado pelos jovens a resposta é sim. Se perder, ser poderá ver uma pequena deserção. Mas, não muita, porque esta geração realmente está dedicada aos assuntos cívicos e políticos”, acrescentou MacManus. (IPS/Envolverde)

