CUBA: Emigrantes com a revolução

Havana, 25/03/2008 – Cento e vinte e nove cubanos residentes no exterior concluíram na sexta-feira em Havana uma reunião de três dias de acentuado cunho político, e que poderia prenunciar uma flexibilização da política migratória do governo de Raúl Castro. “A agenda deste encontro não era para isso. Mas esses assuntos (os consulares) são debatidos dentro de nossos grupos e os faremos chegar ao Ministério das Relações Exteriores no momento certo e pelas vias adequadas”, disse à IPS Usmel Díaz Sánchez, ator cubano morador na República Dominicana.

Díaz preside a Associação Cultural Máximo Gómez, integrada por cubanos residentes em Santo Domingo, capital desse país geograficamente muito próximo de Cuba. “Viemos dar e receber informações para depois revertê-la nos paises onde moramos”, explicou. Em sua opinião, os cubanos que optam por emigrar o fazem, “geralmente’, por razões econômicas e, em segundo lugar, por motivos familiares. “Não estão contra o sistema político”, explicou o ator, casado com uma dominicana.

A reunião de “cubanos residentes no exterior contra o bloqueio e o terrorismo” terminou com uma declaração que identifica o embarco norte-americano contra Cuba como o maior obstáculo para o desenvolvimento deste país e a “normalização dos vínculos entre a nação” e seus emigrantes. Também fustigaram as medidas do governo dos Estados Unidos “contra a família cubana, que violam os direitos dos cubanos que moram em território norte-americano”, onde reside a maioria dos emigrantes.

O governo de George W. Bush decidiu em 2004 limitar em um em cada três anos as viagens de cubanos ao seu país de origem e estabelecer um teto para o envio de dinheiro de US$ 1.200 por ano, e apenas para familiares diretos, entre outras restrições. Os que se reuniram em Havana, na maioria diretores de associações de cubanos residentes no exterior afins com o sistema e o governo cubano, disseram estar convencidos de que “o processo de normalização das relações entre a nação e a emigração constitui um processo contínuo e irreversível. Manifestamos nossa confiança de que continuarão aplicando medidas segundo permitirem as circunstâncias, sem afetar a segurança nacional do país”, acrescentaram na declaração final.

No começo do encontro, que reuniu 129 delegados de 34 paises, o chanceler Felipe Pérez Roque afirmou que o governo procurará “cada vez mais tornar fluida a relação entre os cubanos que vivem no exterior e suas famílias em Cuba e em deixar mais rápidos os trâmites e regulamentações”. Suas palavras criaram certas expectativas entre muitas pessoas que aguardam a eliminação de obstáculos para viajar ao exterior, alem de redução no preço do respectivo trâmite. Apenas entre a carta de convite exigida de todo cidadão que viaja por motivos pessoais e a permissão de saída o gasto equivale a US$ 300.

Segundo cálculo do chanceler, atualmente vivem no exterior entre 1,3 e 1,5 milhão de cubanos e seus descendentes, a maioria nos Estados Unidos. “Há núcleos de mais de cem cubanos em 57 paises”, disse Roque, informando, tambe, que cerca de 400 cubanos residentes no exterior têm normalizada sua situação migratória, entre eles quase 82 mil residentes temporários. “Não há problemas de fundo entre a nação e a imensa maioria de seus emigrantes. O processo de normalização das relações é contínuo e irreversível”, assegurou o chanceler.

Em uma declaração especial, os emigrantes consideraram “injustas” as condenações por “conspiração” para espionagem e assassinato impostas nos Estados Unidos a René González, Ramón Labañino, Gerardo Hernández, Fernando González e Antonio Guerrero, presos em 1998 e condenados após sete meses de julgamento. A defesa “dos cinco”, como o grupo é conhecido, afirma que as acusações nunca puderam ser provadas. Mas, tais imputações custaram uma condenação à prisão perpétua para Guerrero e Labañino e duas a Hernández. “Estes cinco compatriotas foram alvo de um julgamento cercado de preconceitos por parte dos setores mais reacionários da comunidade cubano-americana radicada em Miami”, diz a resolução, que exige do governo Bush a imediata libertação dos cinco presos “por lutarem contra o terrorismo e proteger seu povo”. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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