ECONOMÍA: FMI prevê recessão nos Estados Unidos

Washington, 11/04/2008 – Os Estados Unidos entrarão em uma recessão este ano, o que precipitará o desempenho econômico mundial nos dois anos seguintes, previu esta semana o Fundo Monetário Internacional.

 - P. Williams/Creative Commons

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Quando esta instituição financeira atualizou pela última vez seu mais recente informe bianual sobre Perspectivas da Economia Mundial, em janeiro, previu o pior desempenho global em cinco anos, mas evitou usar a palavra “recessão”. Na ultima quarta-feira, admitiu que a crise mundial pode ser pior do que o previsto. Nesse sentido, fixou em uma em quatro a possibilidade de haver recessão de alcance planetário, isto é, levando a economia global a crescer ao ritmo inferior a 3% ao ano.

O FMI previu que o crescimento diminuiria 3,7% este ano, meio ponto percentual abaixo do previsto em janeiro, em meio à crise financeira que se aprofunda e que começou por causa de manobras especulativas no pouco regulamentado mercado hipotecário norte-americano. “A crise do mercado financeiro que eclodiu em agosto passado se converteu na maior comoção financeira desde a Grande Depressão”, afirmou, referindo-se à que teve origem na crise internacional de 1929.

A América Latina e os países da área do cada vez mais depreciado dólar norte-americano serão os mais prejudicados enquanto a crise se expande por todo o planeta, disse o FMI. As economias emergentes de rápido crescimento, como China e Índia, serão as menos afetadas, garantiu. Entretanto, essas nações também sentirão o ferrão da crise, quando o Norte industrial reduzir suas importações. No olho do furacão, a economia norte-americana – a maior do mundo – sofrerá uma paralisia ao longo deste ano e durante boa parte do próximo, na medida em que o preço dos bens de raiz mantiverem seu rumo descendente e se dificultar a obtenção de créditos.

Os preços do mercado imobiliário já caíram 10%, e o FMI antecipou que essa deterioração chegará entre 14% e 20%. Os milhares de milhões de dólares destinados pelo governo de George W. Bush a ajudar o setor financeiro, incentivar o gasto dos consumidores e empresas e impedir o despejo dos tomadores de créditos hipotecários não permitira à economia dos Estados Unidos crescer mais do que um insignificante 0,5%. Este crescimento aumentará muito pouco, ate 0,6% em 2009, segundo a previsão do FMI. Esta instituição fixou em dois anos o período de “recessão leve”, no qual a economia mundial não conseguirá manter um ritmo equivalente ao do crescimento demográfico, calculado em 0,9% ao ano.

O crescimento da economia do Japão, a segunda do mundo, ficará em 1,4% este ano e aumentará apenas para 1,5% no ano que vem. O dos 15 países da eurozona será de 1,4% ao fim de 2008 e de 1,2% em 2009. Essas previsões são 0,2% e 0,7% menores, respectivamente, do que os divulgados em janeiro pelo FMI. Por outro lado, a China manterá sua liderança em matéria de crescimento econômico, que aumentará para 9,3% este ano e 0,5% no próximo, embora 0,7% e 0,5% menos do que na estimativa feita há quatro meses, respectivamente. A queda das expectativas de crescimento da Índia será de 0,5% e 0,3% para 2008 e 2009, para chegar a 7,9% e 8¨em cada caso.

O informe de quarta-feira precede a reunião anual conjunta da primavera no hemisfério norte do FMI e do Banco Mundial, que acontecerá nesse fim de semana. Na terça-feira, as duas entidades consideraram pouco provável que em 2015 sejam alcançados os Objetivos das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Milênio fixados pela comunidade internacional em 2000. O FMI e o Banco Mundial afirmaram na época que a maioria dos países conseguirá reduzir pela metade a proporção da população pobre, mas não as metas de reduzir, também pela metade,a fome e a desnutrição, nem as de melhorar os indicadores de saúde e educação nos parâmetros estabelecidos.

Entre as razoes para isso, os especialistas destas duas entidades com sede em Washington mencionaram a paralisação do aporte financeiro dos países ricos. A ajuda oficial ao desenvolvimento caiu em 2006 e 2007, apesar do compromisso assumido em 2005 pelos oito países mais poderosos do mundo de duplicá-la ate 2010, acrescentaram. Parece improvável um aumento da assistência, pois o custo do credito continua aumentando por causa da crise.

O FMI, cuja principal função é manter a estabilidade financeira mundial, disse em outro informe também divulgado na terça-feira que as perdas pela crise financeira poderiam chegar a US$ 945 bilhões em 2008 e 2009. Outros cálculos elevam essa cifra para US$ 1 bilhão. O aumento de preço dos produtos básicos elevou os ganhos com exportação de países pobres, mas, também deixou muitos alimentos fora do alcance de numerosos habitantes dessas mesmas nações. (IPS/Envolverde)

Abid Aslam

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