PETRÓLEO: Arábia Saudita tenta resgatar o mercado

Caracas, 16/06/2008 – A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, saiu em busca da racionalidade perdida no mercado, ao convocar uma reunião de produtores, consumidores e companhias privadas para o próximo dia 22 em Jedah. O encontro “discutirá o aumento nos preços do petróleo, injustificados em relação aos fundamentos do mercado”, disse o ministro saudita do petróleo, Ali al-Naimi. A reunião espera produzir “resultados positivos que contribuirão para estabilizar o mercado internacional de petróleo”, acrescentou. Seu colega da Venezuela, Rafael Ramírez, alertou que a reunião “não produzirá nenhuma mudança nos níveis de produção” e insistiu na tese de que “os altos preços nada têm a ver com a oferta de petróleo, mas sofrem aumento devido à especulação e à debilidade do dólar”.

A Arábia Saudita e a Venezuela frequentemente estão nos extremos favoráveis a aumentar ou reduzir a produção da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), que também é integrada por Angola, Argélia, Equador, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Ira, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e Qatar. “A verdade é que pouco pode fazer a Opep, porque seu papel no mercado há muitos meses foi arrebatado pela bolsa de Nova York”, disse à IPS Elie Habalián, ex-governador venezuelano junto à essa entidade. Entretanto, “sempre é bem-vindo o entendimento entre produtores e consumidores para favorecer o clima necessário para o investimento e para produzir acordos em beneficio dos grandes perdedores, que são os países pobres importadores de energia”, acrescentou.

Ao comentar as bruscas altas de preços este ano, Ibrahim al-Muhanna, assessor de Al-Naimi, disse à revista especializada Mioddle East Economic Survey (MEES) que “esses giros de até US$ 11 por barril (de 159 litros) em um dia são inaceitáveis. Isso pode ferir a economia global e os interesses petrolíferos no longo prazo”. MEES afirmou que a Arábia Saudita considera aumentar sua produção em cerca de 300 mil barris diários, em relação aos 9,2 milhões de unidades que extraiu em maio. Uma alta sob o guarda-chuva da Opep deveria esperar pela sua próxima reunião, marcada para 9 de setembro.

O ministro argelino do petróleo e presidente da Opep, Chakib Jelil, disse que o mercado, que demanda cerca de 86 milhões de barris por dia, está superabastecido em aproximadamente 500 mil barris/dia. “A esta altura, os fundamentos do mercado não estão influindo nos preços”, destacou Jelil. A debilidade do dólar associada à crise do mercado imobiliário norte-americano levou os fundos de investimento a procurarem abrigo na compra de matérias-primas, desde petróleo e metais até alimentos, aumentado os preços em níveis recordes.

No dia 7 de junho o petróleo chegou ao seu recorde de número 28 deste ano, com o barril do marcador norte-americano West Texas Intermediate (WTI) a US$ 139,12. Desde novembro de 2001, quando o barril deste tipo de óleo era de US$ 17,45, os preços aumentaram em 697%, segundo a agência especializada Bloomberg. Na última sexta-feira, os preços do WTI e do Brent do Mar do Norte, referência européia, caíram quase US$ 2 em relação às cotações do dia anterior e foram vendidos entre US$ 134,87 e 135,42 o WIT, e o barril do Brent entre US$ 134,26 e US$ 134,81.

As medias semanais foram de US$ 135,46 para o barril de WTI, US$ 134,75 para o Brent e US$ 128,85 para a cesta de 12 tipos de petróleo da Opep, informou o Ministério de Energia da Venezuela. Este país alcançou um recorde de US$ 120,83 para seu coquetel de petróleo, com óleos mais pesados do que os de seus sócios na Opep e do que entrega com facilidades de pagamento mais de 200 mil barris diários a vizinhos da América Latina e do Caribe. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que “US$ 100 nos parece um preço justo para o petróleo e não queremos que suba mais”.

A presença venezuelana em Jedah ainda não é certa, embora Jelil tenha comprometido o apoio da Opep a este encontro. Importantes produtores de petróleo que não são sócios da organização, como Brasil, Rússia, Noruega e México, já garantiram sua participação, bem como o secretário de Energia dos Estados Unidos, Samuel Bodman; responsáveis da União Européia, China, Índia e do Japão, da Agência Internacional de Energia (Criada pelos paises consumidores industrializados) e de grandes corporações privadas, segundo al-Naimi.

Em países como Chile, Coréia do Sul, Costa do Marfim, Espanha, França, Hong Kong, Índia, Indonésia, Malásia, Nepal e Portugal houve protestos de caminhoneiros contra o alto preço do combustível. Os ministros das Finanças do Grupo dos Oito, as maiores potências industriais, reunidos em Tóquio na sexta-feira, alertaram que “os elevados preços das matérias-primas, particularmente do petróleo e dos alimentos, criam sérios desafios à estabilidade do crescimento mundial”. A economia global poderia crescer este ano 2,7%, contra um crescimento de 3,7% no ano passado, alertou o Banco Mundial. (IPS/Envolverde)

Humberto Márquez

Humberto Márquez fue corresponsal de IPS en Venezuela entre 1994 y 1996, y retomó esa labor en 2002. Fue corresponsal de Agence France Presse para Venezuela y el Caribe entre 1977 y 1992, y redactor de la sección internacional del diario El Nacional de Caracas entre 1997 y 2002. Periodista venezolano, graduado en Comunicación Social (1982) por la Universidad Central de Venezuela, durante más de 30 años ha cubierto y descrito el acontecer político y económico de Venezuela, su sociedad y su condición de encrucijada en procesos de integración y cambio en América Latina y el Caribe.

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