BIODIVERSIDADE: Mamíferos em crise

Barcelona, 08/10/2008 – Uma em cada quatro espécies de mamíferos da Terra corre risco de desaparecer para sempre, alertou esta semana a União Mundial para a Natureza (UICN). Embora se concentre nos mamíferos, a presente edição da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas inclui 45 mil formas de vida de todo tipo, das quais 17 mil estão ameaçadas de extinção, disse em Barcelona a diretora-geral da UICN, Julia Marton-Lefèfre. Nesta cidade da Espanha começou ontem e vai até o próximo dia 14 o Congresso Mundial da Natureza, organizado por esta instituição.

A principal ameaça aos mamíferos procede da perda de seu habitat atribuída à agricultura de subsistência, que degrada rapidamente as florestas e os solos nos países tropicais pobres. Por essa razão, relacionada com a pobreza, estão em perigo até 40% dos mamíferos do planeta. A situação é mais grave nas Américas Central e do Sul, na África ocidental, oriental e central, em Madagascar, na Ásia austral e sudeste asiático, disse a UICN. A Lista Vermelha, que avalia as espécies por seu risco de extinção, identifica aquelas cuja conservação exige medidas específicas, além de determina um índice do estado da biodiversidade.

Para isto maneja várias categorias de espécies: extinta ou extinta em estado silvestre; em perigo crítico de extinção; e perigo e vulnerável; quase ameaçada; “preocupação menor” e “dados insuficientes”. No último caso – que inclui 836 mamíferos – a falta de informação impede a avaliação. Entre os 188 mamíferos em “risco crítico de extinção” figura o lince ibérico (Lynx pardinus), cuja população diminui junto com sua principal fonte alimentícia, o coelho europeu. Também nesta categoria, mas assinalada como já “possível extinta”, está a jutiíta (Msocapromyus sanfelipensis), um roedor cubano que não é visto há quase 40 anos.

“Temos uma economia mundial contrária à conservação”, disse, por sua vez, Holly Dublin, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da UICN. O Banco Mundial incluiu gradualmente cláusulas para preservar florestas e áreas protegidas da degradação entre suas condições para empréstimos aos países em desenvolvimento, acrescentou. Em conversa com a IPS/TerraViva, Dublin admitiu que esse enfoque, ao mesmo tempo em que ajuda a proteger o habitat, se soma ao pacote de condições impostas aos países pobres que se esforçam para conseguir uma qualidade de vida para suas populações semelhante ao das nações ricas.

Nesse sentido, a crise financeira mundial originada na crise dos mercados de créditos hipotecários dos Estados Unidos pode ter ensinado “uma ou duas lições” sobre a necessidade de mudar drasticamente os estilos de vida se a raça humana não quer desaparecer, acrescentou Dublin. A UICN, com sede na localidade suíça de Gland, elabora sua Lista Vermelha a cada quatro anos. As anteriores são de 1996, 2000 e 2005. (IPS/Envolverde)

Rahul Kumar

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