AMBIENTE: Guerrilha para uma revolução energética

Madri, 28/11/2008 – Com o objetivo de economizar dinheiro em combustível, evitar o perigo nuclear e sanar o meio ambiente, 40 cientistas de todo o mundo elaboraram o plano de revolução energética apresentado ontem na Espanha pela organização não-governamental Greenpeace Internacional. José Luis García, responsável pela campanha de Mudança Climática e Energia da entidade, disse à IPS que essa revolução permite economizar mais de 14 bilhões de euros (US$ 18,2 bilhões) em combustíveis até 2030. também explicou que a responsabilidade pelos investimentos para desenvolver a produção de energia com moinhos de vento caberá a Estados, órgãos internacionais, empresas do setor e governos locais, que deverão coordenar suas ações.

O informe “Revolução energética, uma perspectiva energética mundial sustentável” foi elaborado para o Greenpeace e para o empresarial Conselho Europeu de Energia Renovável (Erec) por especialistas do Instituto de Termodinâmica Técnica do Centro Aeroespacial Alemão, pelo instituto holandês Ecofys e por especialistas de todo o mundo. O plano será entregue aos representantes de governos na conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudança climática que acontecerá em Poznan, na Polônia, nos 12 primeiros dias de dezembro.

Se o plano for aplicado, segundo o Greenpeace, as emissões de gases de efeito estufa deixarão de aumentar até 2015, e a partir dessa data começarão a diminuir rapidamente. Ao mesmo tempo, o plano assegura o abastecimento de energia necessário para a expansão de China,Índia e outros países em desenvolvimento. Aplicando este plano, aumentando em apenas 8% os investimentos, as emissões diminuirão até 2030 à metade das previstas pela Agência Internacional de Energia (AIE). Até 2050, as emissões cairiam entre 25% e 51% em relação a 1990, e até 2075 diminuiriam 80%.

Além disso, entre 2050 e 2085 deixariam de ser usados derivados de petróleo nos automóveis, substituídos por veículos elétricos abastecidos com fontes renováveis de energia. Apenas com a tecnologia atual, as fontes renováveis podem cobrir quase seis vezes a demanda energética mundial, mas para isso devem realizar investimentos, disse na apresentação do plano o diretor do Greenpeace Espanha, Juan López de Uralde. “A melhor forma de desenvolver a economia, criar empregos e prevenir uma mudança climática perigosa está na eficiência energética, nas energias renováveis, em uma redução radical do consumo de combustíveis fosseis e no abandono da nuclear”, assegurou.

Por sua vez, García disse que “multiplicando por quatro as energias renováveis, não só no setor elétrico, mas também nos de calor e transporte, podemos reduzir as emissões médias de dióxido de carbono por pessoa das atuais quatro toneladas para cerca de uma tonelada, até 2050”. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, reiterou o seu compromisso de fechar gradualmente as centrais nucleares existentes e de não aprovar a abertura de nenhuma nova, e instruiu seus ministérios nessa direção. As autoridades espanholas tomam outras medidas para substituir as fontes tradicionais de energia.

O governo da Galícia, uma das 17 comunidades autônomas do país,desenvolve um plano que, se for em frente,terá em 2012 a produção de 6.500 megawatts de eletricidade procedentes de fonte eólica, equivalente a 95% do consumo de energia. Atualmente, a geração eólica chega a 4.175 megawatts. Na licitação convocada para realizar a instalação de moinhos de vento e as ligações necessárias, se estabelece que os vencedores terão como prioridade “garantir a proteção e conservação” de espaços protegidos “por seu valor natural e ecológico”.

Portanto, nos lugares de desenvolvimento eólico se deverá evitar a ocupação e transformação de espaços ambientalmente delicados. Além disso, no caso de ser necessária a ocupação de alguns desses espaços, essa necessidade deverá ser justificada “exaustivamente”. Nessa eventualidade extrema, as instalações previstas “deverão evitar a fragmentação dos ecossistemas e não cortar as áreas que funcionam como corredores biológicos, mantendo a continuidade biológica dos sistemas fluviais, as florestas e os sistemas montanhosos, conservando sua funcionalidade”. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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