DÜSSELDORF, Alemanha, 27/01/2009 – (Tierramérica).- A propulsão eólica retorna aos mares como nos velhos tempos, mas sem velas e potencializada.
Dessa forma, um parapente de 160 metros quadrados chega a desenvolver, com a ajuda do vento, uma força de tração de até oito toneladas, quase igual ao empuxe produzido por um motor de um avião Airbus A318. Dotados desse sistema, os barcos podem reduzir entre 10% e 35% o consumo anual de combustível, chegando a 50% em situações ótimas de vento. De alguma maneira, é uma volta às origens quando, antes do desenvolvimento das máquinas a vapor e dos motores a diesel, a navegação à vela dominava os mares. Agora, em lugar de um mastro com velas estáticas, utiliza-se este parapente, como um “paraquedas gigante”, com mobilidade em todas as direções. Seu funcionamento não substitui, mas complementa, o dos motores.
Seu criador é o jovem Stephan Wrage, nascido na cidade portuária de Hamburgo, engenheiro e amante da navegação à vela e da prática de asa-delta. “A idéia me ocorreu quando eu tinha 15 anos. Estava praticando asa-delta na praia e me perguntei se essa enorme força de empuxe não poderia também ser utilizada para os barcos”, disse Wrage ao Terramérica. Em 2001, veio à luz a empresa SkySails, fundada com o objetivo de fabricar este parapente para embarcações. Em 2007, começou o teste-piloto em rotas internacionais em dois navios de carga.
“É o ingresso na tecnologia moderna da utilização do vento como impulso para a navegação”, disse ao Terramérica Peter Schenzle, especialista na matéria e assessor da Estação Experimental para a Construção de Barcos de Hamburgo. Uma das principais características animadoras do projeto consiste em não ser poluente: o vento é a fonte de energia mais limpa em alto mar. As vantagens de sua utilização maciça podem ser enormes, já que cerca de 90% dos bens comercializados no mundo são transportados por navios em pelo menos um trecho de sua rota entre produtor e consumidor.
Atualmente, mais de cem mil embarcações navegam pelo mundo, e calcula-se que a frota global aumentará em 75% até 2020. O consumo médio de combustível de um barco com potência de cem mil cavalos de força é de 12 a 15 toneladas por hora. Portanto, no conjunto, e segundo estimativas do setor, o tráfego marítimo mundial seria responsável pela emissão de mais de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Nesse contexto, e embora o transporte marítimo seja comparativamente menos poluidor do que os demais, num futuro próximo, está prevista a implementação de novas regras para controlar e limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa.
De fato, a Organização Marítima Internacional, vinculada à Organização das Nações Unidas, elabora normas para reduzir as emissões de dióxido de carbono por parte de embarcações, após ter feito o mesmo em 2008 com relação às emissões de dióxido de enxofre. Além disso, uma das questões mais tentadoras desta novidade consiste em reduzir os custos de funcionamento do barco, 90% dos quais correspondem ao combustível. “Decidimos adotar o sistema SkySails para preservar o meio ambiente, economizar recursos e, a longo prazo, com o preço do gás e do petróleo em alta, continuarmos sendo competitivos”, disse Gerd Wessels, diretor da companhia de navegação Wessels e proprietário de um dos cargueiros que utilizam esta inovação.
Dependendo das dimensões, o preço do sistema varia entre US$ 500 mil e quase US$ 3,5 milhões. Segundo a SkySails, o investimento é amortizado em três a cinco anos. No segundo semestre de 2009, a empresa iniciará a fabricação em série do produto. Com pedidos já feitos por Alemanha, Noruega e outros países europeus, já atingiu sua capacidade de produção para os 12 primeiros meses de funcionamento.
* A autora é colaboradora da IPS.


