FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: Uma Cacique Valente

Belem, 29/01/2009 – -TerraViva.- Alegre e agitada, a cacique Tanoné Kariri-Xocó, 50, vende seus artesanatos feitos com penas, sementes e capim-dourado em um stand do Fórum Social Mundial com um sorriso nos lábios.

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Sem parar um minuto, ela contou luta que trava para proteger sua aldeia nos arredores de Brasília, onde vive desde 1986 com mais 30 pessoas de três etnias Tuxa, Folio e Cariri. O alvo é governo do Distrito Federal que quer retirá-los da área. É neste momento que ela muda o tom de voz e mostra toda sua braveza e coragem para “matar e morrer” se for necessário para ficar no seu chão.

Qual o motivo da sua vinda ao FSM?

Vim acompanhando um grupo que sabe que minha luta na capital do Brasil. Quero falar com as autoridades para resolver nosso caso.

O que você espera daqui?

Fiquei curiosa porque se é um fórum mundial com certeza vão conhecer nossa história e quero saber onde estão os Direitos Humanos para nos proteger. Se eu sou gente, então sou humana e eu exijo meus direitos.

Quais é o problema da aldeia?

Eu estou protegendo área verde, reflorestando com nossas raízes, com as plantas tradicionais da nossa tribo e ele (O governador do Distrito Federal) está querendo destruir para construir uma cidade digital, dizendo que vão manter uma área verde. Tudo isso é mentira.

O que te deixa triste?

É saber que um órgão tão respeitado como o Ibama deve estar sendo comprado por muito dinheiro, porque por pouco só prostituta. Do meu conhecimento, ele foi criado para proteger a natureza e o cerrado que é rico de remédios.

Como se tornou cacique?

Porque no meio de tantos homens que havia lá nenhum tinha coragem de jogar o problema na Justiça. Brigavam um com os outros, mas nada de fazer um documento e levar para ser julgado, como a Raposa Serra do Sol. E eu estou disposta a ir até o Supremo Federal, pois não aceito José Arruda e Paulo Otavio me chamar de invasora de terra pública. Eu sou criadora dos meus filhos e cuido dos meus netos.

E os processos?

Temos seis impugnações na Justiça pra que o Ibama não soltasse a licença para ser vendido o território. Nós não vamos sair de lá, nem que o sangue dê no meio da canela. Se tiver que matar ou morrer, eu estou disposta a matar a morrer, mas não saio de lá.

Do que vive sua aldeia?

Vivemos da roça, das frutas. Fazemos nossos artesanatos com as sementes que plantamos e saímos pelas feiras pelo mundo. Este é o nosso emprego e o nosso salário está nossa mão. Onde vou carrego comigo.

Rachel Añón

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