SAÚDE: Dengue ataca novamente no Paraguai

Assunção, 23/01/2009 – Diante do risco de uma epidemia de dengue como a registrada em 2007, o governo do Paraguai declarou estado de alerta sanitário depois da confirmação de 28 casos, a maioria deles no norte do país. As autoridades informaram que chegaram a 290 casos suspeitos notificados no país, 128 deles já foram descartados e 134 estão em estudo. “Temos uma epidemia no departamento de Concepción, de baixa intensidade, com risco de disseminação para outros distritos e departamentos vizinhos”, disse à IPS Ivan Allende, diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde e do Bem-Estar social (MSPBS). “Cremos que foi importada do Brasil”, acrescentou. A Equipe de Resposta Rápida do Ministério da Saúde informou que em Yby Ya’u, distrito de Concepción e próximo da fronteira com o Brasil, foram verificados sintomas em 66 pessoas, e em 20 delas a doença foi confirmada. Nos primeiros casos foramidentificados antecedentes de viagem a Eldorado, uma localidade brasileira próxima. O Serviço Nacional de Erradicação de Enfermidades Transmitidas por Vetores (Senepa) registrou em bairros de Assunção e municípios do departamento Central um importante aumento dos índices de infestação pelo Aedes aegypti, o mosquito que transmite o vírus ao absorver o sangue de um portador e picar uma pessoa sã.

Allende disse que não se trata de uma situação de crise, mas de risco, e que em outubro de 2008 o Ministério da Saúde já havia alertado para o perigo de um novo foco da dengue. “O Paraguai não é um país endêmico, mas de recorrência quando convergem fatores propícios, como transito para áreas de circulação ativa como é o Brasil”, explicou. Também recordou que a Bolívia está em alerta sanitário e que, no Paraguai, já foram detectados dois casos de pacientes provenientes de Santa Cruz nesse país. Diante de todos esses elementos, as autoridades sanitárias implementaram o Plano de Contingência, baseado em uma estratégia social e ambiental.

No Paraguai há fatores ambientais propícios para a propagação da dengue, como as falhas na coleta e disposição final de lixo doméstico e fornecimento de água potável nas áreas urbanas. “São problemas que dizem respeito a outras instituições, mas o Ministério da Saúde tem um papel administrativo e fiscalizador. Por isso, o enfoque que damos ao assunto é o da solidariedade da população, com forte componente participativo”, disse Allende. A operação de saúde, que consiste na ação solidária da população para limpeza dos locais que podem servir para as larvas do vetor, é coordenado com 10 entidades do governo e se orienta o controle dos portos, aeroportos, controle de recipientes e piscinas, fiscalização de tanques de água e ênfase na informação pública adequada.

Os principais criadouros deste mosquito são os depósitos de água para consumo, devido à intermitência de fornecimento de água corrente ou baixa pressão. Por sua vez, o município de Assunção iniciou uma operação de limpeza de terrenos baldios, junto com a Promotoria de Meio Ambiente. Segundo registros, a capital paraguaia abriga pelo menos 12 mil construções em total descuido, muitas usadas com lixão clandestino, propícios à proliferação do mosquito. Também gera preocupação o grande número de pessoas que retornam de férias em praias de países onde existe circulação vira, como o Brasil isto predispõe o risco de introdução de casos de dengue importados.

“Insistimos na necessidade de denunciar os casos em qualquer centro medico para assim evitar que se converta em uma epidemia”, afirmou Allende. A detecção a tempo permite isolar os infectados e bloqueá-los sanitariamente. “Os tipos de dengue que enfrentamos são as do tipo 2 e 4. A 2 já tivemos em anos anteriores, e o risco dos casos é severo”, destacou. Esta doença se manifesta com febre alta, forte dor de cabeça, perda do sentido do gosto e do apetite, erupções no peito e membros inferiores, náuseas e vômitos. É curável se for atendida a tempo e o paciente mantiver repouso, embora chegue a ser mortal em sua variante hemorrágica, cujos sintomas incluem dor abdominal intensa e sangramento da pele e das mucosas.

O Ministério da Saúde informou que conta com os insumos necessários e que tem protocolizado o tratamento dos casos. A epidemia de dengue registrada em 2006 e 2007 deixou descoberta graves falhas na prevenção dentro do sistema de saúde do Paraguai. “Naquela oportunidade enfrentou-se a epidemia com um plano inters)setorial que se funcionou na primeira fase não o fez na segunda. Agora estamos com a estratégia atualizada, que conta com um programa de contingência para enfrentar o foco”, explicou Allende.

Em 2007, a dengue matou 17 pessoas e afetou mais de 28 mil. O Ministério da Saúde estima que no Paraguai existam cerca de 600 mil pessoas susceptíveis de contrair dengue hemorrágica. Este número corresponde aos já infectados com algum dos três sorotipos do vírus que produz o mal durante as sucessivas epidemias de 1998, 1999, 2000 e no período 2006/7. (IPS/Envolverde)

Natalia Ruiz Diaz

Natalia Ruiz Díaz escribe para IPS desde Paraguay, como periodista free lance. Ejerce la profesión desde 1995, y ha trabajado en los diarios Noticias y La Nación de su país, cubriendo noticias sociales y políticas. En su calidad de comunicadora social, desarrolla acciones de difusión y comunicación institucional para organizaciones no gubernamentales y agencias de cooperación internacional en materia de derechos humanos, ambiente y género.

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