ARQUEOLOGÍA-CHILE: Deserto guarda Aldeia de Tulor

Santiago, 27/02/2009 – Estruturas circulares de argila construídas e ocupadas entre o ano 345 antes de Cristo e 150 de nossa era formam a Aldeia de Tulor, cujo processo de destruição as autoridades e indígenas do Chile procuram deter. Descobertas em 1957 pelo sacerdote jesuíta Gustavo Le Paige, essas estruturas interligadas tinham diferentes usos e funções. Tratava-se de “um povoado muito antigo totalmente coberto pela areia”, descreveu Le Paige, segundo consta dos arquivos do Conselho de Monumentos Nacionais. A Aldeia de Tulor fica na Reserva Nacional Los Flamencos, mais de 11.600 quilômetros ao norte de Santiago, em pleno deserto de Atacama, o mais árido do planeta.

Construída sobre solo argiloso, foi sepultada pelo avanço do deserto. Tulor tem um quilômetro de comprimento, compreendendo cerca de 10 locais com vestígios arquitetônicos e vários setores de alfarería fragmentada. A chamada Tulor 1 é a mais importante, com 5.600 metros quadrados de construções de barro em 22 recintos circulares ao redor dos quais foi construído um sistema de muralhas. É o primeiro registro histórico de um assentamento humano na zona norte do Chile, e um dos sítios arqueológicos mais antigos descobertos neste país.

A descoberta permitiu aos pesquisadores concluir que os antigos moradores da zona deixaram de ser nômades para se estabelecerem em Atacama. O deserto conserva ainda sob seu manto a maior parte das habitações milenares. Apenas as cabeceiras superiores os muros, 5% da aldeia, estão expostas. “Os 95 restantes continuam debaixo da terra, em bom estado de conservação”, disse à IPS o diretor regional da Corporação Nacional Florestal (Conaf), Eduardo Rodríguez. Parte das construções foram desenterradas e expostas a um constante processo de erosão. As partículas de areia arrastadas pelo vento, que golpeiam as ruínas, e as visitas não monitoradas, contribuíram para sua deterioração.

Em 2005, a Aldeia de Tulor foi declarada um dos cem sítios arqueológicos mais ameaçados do mundo pelo programa não-governamental World Monuments Watch. Trata-se de um lugar protegido pelo Estado, com a categoria de monumento arqueológico. Mas, também é um projeto de desenvolvimento social e econômico para uma comunidade indígena. Desde 1998 é administrado pela comunidade de Coyo, por meio de um contrato de associação com a Conaf. “Estamos associados com a comunidade. Eles administram um sitio turístico, entregam informação desde o ponto de vista da comunidade, desde a etnia, com estes valores”, explicou Rodríguez.

Para restaurar e proteger o local, foi implementado um plano de conservação no valor de US$ 120 mil, outorgados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. “O projeto já está em andamento, tendo começado pela capacitação da comunidade, que será um agente desta restauração. Será ensinado às pessoas como aplicar a técnica que endurece os muros e evita a erosão”, contou Rodríguez. A restauração, executada pela Universidade de Antofagasta, busca aplicar uma camada de impermeabilizante nos muros visíveis para evitar a erosão e cobrir definitivamente com areia os que estiverem em risco de cair.

“Pretende-se deixar 5% do que agora está descoberto exposto para visitação e estudo”, disse Rodríguez, explicando que “esses muros estão protegidos com este projeto”. Não estão contempladas escavações das estruturas cobertas pelo deserto, para garantir sua preservação. Milhares de pessoas visitam anualmente o milenar complexo. Três seguranças permanentes vigiam o local, permitindo a passagem somente pelos caminhos estabelecidos. O custo de acesso à Aldeia de Tulor é de US$ 2,5 a US$ 3,00. (IPS/Envolverde)

Pamela Sepulveda

Pamela Sepúlveda ha colaborado con IPS desde Chile. Es periodista, licenciada en comunicación social en la Universidad de Chile y realizadora audiovisual. Ha trabajado para medios de su país y extranjeros, como Telesur y la Agencia Medio a Medio, y para organizaciones de la sociedad civil en cuestiones de libertad de expresión, derecho a la comunicación, niñez y juventud. Impulsa proyectos audiovisuales independientes e integra la Red de Medios de los Pueblos de Chile, que agrupa a medios y comunicadores independientes y comunitarios. Su blog es http://www.libertadninos.wordpress.com. Síguela en @pame_sepulveda

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