ALIMENTAÇÃO: Cientistas apresentam a “ervilha mágica”

Washington, 05/03/2009 – Pesquisadores agrícolas anunciaram um grande avanço no desenvolvimento de uma variedade de alto rendimento do gandul (ervilha), leguminosa rica em proteínas que pode ser cultivada em terras marginais e é altamente resistente às secas. O gandul, Guandul, guandu ou feijão de pau (Cajanus cajan) é particularmente importante em áreas onde são escassos os alimentos altamente protéicos, como Índia, leste e sul da África, Caribe e Birmânia. Atualmente fornece entre 20% e 22% da proteína na maioria dos países onde é cultivado de forma extensiva.

Chamda de Puskhal, esta nova variedade é a primeira leguminosa híbrida disponível comercialmente, segundo William Dar, diretor-geral do Instituto de Pesquisa Internacional para os Trópicos Semiáridos (Icrisat), da Índia, que integra o consorcio internacional de centros de estudos agrícolas do Banco Mundial. “Com 40% mais de rendimento do que as melhores variedades locais, o Puskhal é verdadeiramente uma ervilha mágica”, disse Dar, afirmando que seu baixo custo permite uma expansão de seu cultivo. Atualmente, o gandul é plantado em quase cinco milhões de hectares em todo o mundo.

“Nossos esforços no leste e sul da África consolidou um ativo programa de pesquisa do gandul que já permitiu a apresentação e adoção de variedades melhoradas. Os produtores africanos recebem os benefícios da segurança alimentar melhorada e aumentam sua renda graças às novas variedades”, afirmou. A criação de novos híbridos de cultivos que podem sobreviver e inclusive crescer com força apesar da mudança climática está no topo da agenda internacional de desenvolvimento, particularmente desde o começo deste ano, quando os preços dos alimentos básicos, incluindo milho, trigo, soja e arroz registraram altas sem precedentes.

O Banco Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates, entre outros grandes doadores, dirigiram uma crescente parte de seu financiamento para a pesquisa agrícola, especialmente na África, a região mais pobre do mundo e que recebem menos o impacto da chamada revolução verde. A drástica queda nos preços do petróleo no último verão também arrastaram a dos alimentos, e especialistas alertam que o atual alívio pode ser apenas temporário. Uma nova projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (UISDA) mostra que os preços médios neste ano continuarão relativamente mais altos do que em 2006 e 2007, quando começaram a subir. “Este também será um ano difícil” para os países pobres, disse na segunda-feira o economista-chefe do ISDA, Joseph Glauber, ao Financial Times, de Londres.

Como outros alimentos básicos, os preços do gandul aumentaram substancialmente no ano passado, reduzindo o consumo de proteínas de milhões de pessoas. O Icrisat trabalha na Índia desde 1974, mas não conseguiu desde então desenvolver variedades comerciais de alto rendimento do gandul nem de outra leguminosa, devido à sua natureza de autopolinização. Depois de 30 anos de pesquisa, cientistas conseguiram criar uma nova fonte de esterilidade masculina citosplásmica (CMS) que tornou possível o híbrido. “Esta nova tecnologia nos ajuda a romper a barreira do rendimento que afetava a agricultura indiana há cinco décadas”, afirmou K. B. Saxena, principal produtor de gandul do Icrisat.

Após o sucesso do teste feito por produtores pobres na Índia, empresas públicas e privadas de sementes começaram a produzir grandes quantidades de Puskhal que até agora eram plantadas em cerca de cinco mil hectares. Saxena previu que a plantação aumentará rapidamente devido ao grande número de empresas envolvidas na distribuição e graças ao baixo custo da semente. As variedades desenvolvidas pelo Icrisat e os outros 14 centros de pesquisa que formam o Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola (CGIAR) não estão patenteadas. A nova variante híbrida gerou interesse em vários países, como Brasil, China, Birmânia e Filipinas.

Mas o Puskhal não é apropriado para a África, onde os gandul são brancos, maiores e onde todos o cozinham, ao contrário da Índia, onde são menores, marrons e comidos preferencialmente os partidos. “Os híbridos do gandul da Índia não se adaptam bem às condições da África, onde altitude, clima, solo e chuvas são muito diferentes”, disse Said Silim, diretor regional do Icrisat para o leste e sul africanos. Além disso, o gandul africano é particularmente susceptível a murchar, por isso o Icrisat buscou criar uma versão mais resistente. E, devido às grandes variações na temperatura, no clima e na luz da região, os cientistas se concentraram no desenvolvimento da semente para regiões especificas.

Na Tanzânia, por exemplo, criou variedades de alto rendimento e resistentes, que são cozidas rapidamente e têm o sabor e o aroma preferidos pela população local. Também desenvolveu variedades na África preferidas pelos consumidores indianos. Seu ciclo de crescimento está quantificado, por isso pode ser exportado entre maio e outubro, quando a Índia sofre escassez de gandul, dessa forma proporcionando aos produtores locais mais renda. O Icrisat também promove o cultivo de gandul além das regiões onde é popular, particularmente em áreas com monoculturas. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *