Telavive, 20/03/2009 – Ambientalistas israelenses realizam uma campanha para evitar uma prospecção petroleira em uma reserva natural da zona do mar Morto. O projeto Tzuk Tamrur 4, cujo nome deriva do promontório próximo, será a quarta tentativa de busca de hidrocarbonos na região. As anteriores não tiveram êxito. Mas, desta vez o consorcio encarregado da exploração acredita que encontrará petróleo. Rami Kremien, gerente da maior empresa do grupo, Ginko Oil Exploration, declarou que há mais de 6,5 milhões de barris (159 litros cada um) a dois quilômetros da superfície. Porém, um dos sócios do consórcio disse em outubro de 2008 à revista israelense de turismo Masa Acher que as estimativas eram significativamente mais baixas.
As primeiras perfurações requerem uma área de cinco mil metros quadrados, localizado a um quilômetro do limite sul da reserva natural, de 592 quilômetros quadrados. “A limitada produção prevista não justifica permitir que haja um dano severo e permanente à fauna e flora silvestre, a paisagem e o espaço de lazer da reserva”, diz um comunicado da não-governamental Sociedade para a Proteção da Natureza. A construção da infra-estrutura para a perfuração foi aprovada pela Autoridade de Natureza e Parques no final dos anos 90. Mas, em 2003, o deserto da Judéia, a leste de Jerusalém e até o mar Morto, foi declarado reserva natural, incluída a zona onde se localizaria o local para a escavação.
Em junho de 2007, esse órgão voltou atrás em sua decisão e alegou que a construção poderia prejudicar os recursos naturais da região. O comitê científico da assembléia da Autoridade de Natureza e Parques disse em junho do ano seguinte que “a escavação e produção petrolífera poderiam prejudicar as espécies mais raras e permitir outras invasoras. De modo geral, poderia afastar as espécies desérticas das principais localidades do deserto do Néguev”. A fronteira do deserto da Judéia e do Néguev se estende aproximadamente desde o ângulo do mar Morto para oeste até Hebron.
Finalmente, a assembléia decidiu permitir a perfuração, mas impôs várias restrições. Também previu que se o projeto passar à fase de produção, o que pode demorar alguns anos, os empresários deverão realizar as escavações em diagonal para que a plataforma petrolífera fique fora da reserva natural. Empregados do consórcio trabalham com a Autoridade de Natureza e Parques para minimizar o impacto sobre o meio ambiente durante os dois que durará a prospecção, cujo início está previsto para maio. Se houver uma grande quantidade de petróleo, a dimensão da plataforma diminuirá para um décimo da perfuração experimental, disse Kremien.
“Obviamente há um dano”, disse Kremien à IPS. “Mas, existe um equilíbrio entre um prejuízo mínimo e controlado, de acordo com os próprios ambientalistas e especialistas, e a necessidade de encontrar petróleo. No final, até os mais entusiastas ambientalistas dirigem automóveis que são movidos com um combustível derivado do petróleo”, afirmou. Os ambientalistas se preocupam com a habilitação de projetos de desenvolvimento na frágil reserva natural. Ao que parece, esse tipo de perfuração não tem antecedentes.
“Me parece que todo o assunto da prospecção é apenas para aumentar o lucro na bolsa de valores”, disse Shay Tachnai, coordenador de conservação da natureza no distrito sul da Sociedade para a Proteção da Natureza. “A possibilidade de descobrir petróleo neste lugar é baixa, pelo menos por explorações anteriores’, disse. “Cada caso individual deve ser estudado de forma pertinente”, afirmou Gilad Gabay, vice-diretor do distrito sul da Autoridade de Natureza e Parques.
Neste caso particular, prosseguiu Gabay, “é claro que o impacto ambiental será severo. Primeiro, afetará a paisagem, segundo, a ecologia , em terceiro, trata-se de um impacto em uma zona totalmente tranquila”. Mas, “temos de encontrar um ponto de equilíbrio para fazermos isso de forma racional e minimizar esse impacto”, ressaltou. Israel sempre precisou importar petróleo. Mesmo se Tzuk Tamrur 4 atendesse as expectativas mais otimistas, com um consumo nacional superior a 220 mil barris de petróleo por dia, a contribuição da perfuração prevista provavelmente será bem pequena. O Ministério de Infra-estrutura Nacional não quis fazer comentários a respeito. IPS/Envolverde

