Havana, 25/03/2009 – Com a visita a um projeto de desenvolvimento sustentável, cenário de uma das muitas reportagens enviadas pela agência internacional de notícias Inter Press Service (IPS) desde Cuba, foi encerrada uma intensa jornada pelos 30 anos de presença da IPS nesta ilha do Caribe. “Saber ver, não é saber escutar. Saber escutar é fácil, saber ver é muito difícil”, disse o fundador e presidente emérito da IPS, Roberto Savio, ao se referir aos desafios do jornalismo no mundo de hoje, durante a inauguração da exposição Desafios da Natureza, esforço conjunto da IPS e da Agência de Informação Nacional de Cuba.
Quinze repórteres fotográficos da AIN e o meteorologista José Rubiera, chefe do Centro de Previsões do Instituto de Meteorologia de Cuba, somaram-se à iniciativa da IPS para mostrar o desastre causado por três furacões no ano passado, mas também os esforços de prevenção e recuperação. A exposição complementou com imagens as historias do primeiro capítulo do livro Fotos de Cuba, uma recopilação de reportagens da IPS sobre esta ilha apresentada na quinta-feira em um painel no Instituto Internacional de Jornalismo José Martí, assistido por cerca de cem pessoas, fundamentalmente do meio jornalístico cubano.
Em contraposição à idéia de um jornalismo supostamente objetivo e imparcial, o jornalismo da IPS sempre foi “comprometido” com a realidade, algo que também ocorre em Cuba, disse no encontro Joaquín Costanzo, diretor regional para a América Latina desta agência internacional de notícias. Este volume é fruto da “combinação de compromisso e, diria mais, de paixão por este país e por seupovo, com trabalho profissional e olhar independente e critico”, afirmou.
O painel teve uma intervenção de Mario Osava, correspondente da IPS no Brasil, sobre o estilo “explicativo” da agência, suas origens e sua cobertura de temas como gênero e meio ambiente quando ninguém falava deles; a luta contra a marginalização a partir da inclusão das mais diversas vozes. O escritório cubano da is aproveitou a ocasião para tornar pública a doação de um lote de cem exemplares do volume – considerado pelo escritor cubano Leonardo Padura um livro “imprescindível” para as escolas de jornalismo – ao Instituto Internacional de Jornalismo José Martí.
Segundo Padura, também autor do prólogo do livro, as reportagens dos correspondentes da IPS podem ser comparadas com a “arte de fotografar” pequenos instantes que, agrupados, mostram um retrato da realidade cubana difícil de encontrar em outros meios de comunicação. Contrario a Padura, o também jornalista cubano Ariel Terrero disse que matérias como estas não estão ausentes da imprensa nacional cubana, mas, considerou que a diferença na cobertura da IPS é a constância no tempo e o acompanhamento sistemático de determinados temas como meio ambiente e diversidade sexual.
Além da apresentação do livro da IPS-Cuba e da exposição fotográfica, as atividades, que se estenderam de quarta-feira até domingo passado, incluíram encontros internos e apresentação de novos produtos como o projeto de um novo site institucional do escritório de Havana. Além disso, foi divulgada uma série de CDs temáticos que reúnem as melhores matérias produzidas pela IPS sobre Cuba em assuntos como meio ambiente e mudança climática, gênero e população, cultura e sociedade, economia e desenvolvimento, diversidade sexual, ciência e saúde, HIV/Aids e sociedade civil.
“Esta colaboração se insere nos esforços conjuntos que em nível global realizam a Agencia Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e aIPS desde o ano passado”, afirmou Juan Diego Ruiz, coordenador da cooperação espanhola em Havana, durante a apresentação da coleção que, além de material da IPS, inclui documentos referenciais. Jornalistas cubanos e estrangeiros, autoridades locais, representantes do setor diplomático de Havana e do mundo a cultura, atores da sociedade civil e protagonistas das histórias contadas pela IPS, participaram das atividades organizadas pelo escritório da agência na ilha.
“Vivi momentos incríveis”, disse Irania Martinez, de Guantanamera, uma ativista comunitária que transformou um lixão em um polo ecológico, convidada especialmente pela IPS para as comemorações. “É um jornalismo com os pés no chão”, disse Martinez sobre a cobertura da agência em Cuba. O reconhecimento da sociedade civil cubana teve sua máxima expressão na entrega à diretora da IPS em Cuba, a uruguaia Elsa Methol, do Prêmio Paloma, por sua importante contribuição na promoção da cultura de paz.
Com o prêmio Paloma, entregue pelo projeto cultural de mesmo nome coordenado pela realizadora cubana Lizzette Vila, foram reconhecidas figuras cubanas com ao falecida dirigente Vilma Espín, a teatróloga Orrietta Medina e o intelecutal Alfredo Guevara, bem como as companhias teatrais Hubert de Blanck e Colmenita. Criado em 2002, o Projeto Paloma, vinculado ao Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos (Icaic), se destaca na promoção de uma cultura de paz e em ajudar crianças com necessidades especiais, mulheres vítimas da violência doméstica e pessoas que vivem com HIV/Aids, entre outras atividades. IPS/ Envolverde

