SAÚDE: Compromisso mundial contra a malária

Washington, 27/04/2009 – A cada 30 segundos uma criança morre de malária no mundo. Cerca de 500 milhões de pessoas são infectadas por ano, e a África é o continente mais afetado por essa doença de fácil prevenção. Às vésperas do Dia Mundial de Combate à Malária, comemorado no sábado, líderes de agências internacionais, ativistas e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disseram que cumprirão o compromisso de acabar com a pandemia antes de 2015. Mais de um milhão de pessoas morrem por ano vítimas da doença. Quinhentos milhões são infectados por ano. E a África perde US$ 12 bilhões pela queda da produção e com os custos dos tratamentos dos enfermos.

A doença pode ser facilmente prevenida, mas os recursos são escassos, bem como a atenção que se dá a essa enfermidade mortal. Isso se deve, em grande parte, ao fato de a malária pesar quase exclusivamente sobre os países mais pobres. Trata-se de uma doença do sangue causada por um parasita do gênero Plasmodium que se propaga por picadas de determinadas espécies de mosquitos. Os sintomas, como febre, dores de cabeça e vômitos, aparecem entre o nono e o 14º dia depois da picada por um mosquito infectado. Se não há remédios para o tratamento ou se os parasitas forem resistentes a eles, a infecção pode levar a uma grave anemia, ao coma e à morte.

Os Estados Unidos alinham-se com seus sócios mundiais e com a população do mundo para reafirmar seu compromisso de “Acabar com as mortes por malária até 2015”, disse Obama em uma declaração feita na sexta-feira passada. “È hora de redobrar nossos esforços para livra o mundo de uma doença que não tem de fazer vítimas”, acrescentou. Nos últimos cinco anos foram investidos milhares de milhões de dólares em programas de prevenção e tratamento, com avanços em terapias farmacológicas e inclusive em uma muito aguardada vacina. Dedicar novos recursos não é uma tarefa fácil em meio à crise econômica mundial. Mas, muitos especialistas em saúde pública dizem que os custos de não fazer nada superam amplamente o gasto, que pode fazer muito.

“Ao diminuir o crescimento econômico da África, reduzir o castigo imposto pela malária é mais importante do que nunca”, diz um comunicado do Banco Mundial anunciando a duplicação dos fundos destinados à ajuda par à Nigéria. Essa medida representa US$ 300 milhões a mais em empréstimos destinados à prevenção e ao tratamento. A Nigéria tem a quarta parte dos casos de malária na África. Um artigo publicado sexta-feira no The Wall Street Journal por Peter Chermin elogiou os êxitos “humanos” e “econômicos” do tratamento contra a malária.

Além de presidir a organização Base de Malária e integrar a direção da Amigos do Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, Chermin preside a News Corporation, que pública esse jornal e é propriedade do magnata da mídia Rupert Murdoch. Algo com que coincidem todos os que apóiam o combate à malária é que o sucesso da campanha depende da aliança entre diversos atores. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) ocupa um lugar de importância nessa luta. Cerca de 85% das mortes por malária são de crianças menores de 5 anos e aproximadamente 50 milhões de grávidas contraem a doença a cada ano, diz um novo informe do Unicef.

O Unicef é o maior comprador de mosquiteiros com inseticidas, disse sua diretora-executiva, Ann Veneman, na entrevista coletiva que lançou a campanha Um Mundo Contra a Malária, em Washington. Um dos avanços apontados por Veneman, bem como pela embaixadora dos Estados Unidos junto à ONU, Susan Rice, é o papel que tem entidades de origem religiosa no combate à doença, distribuindo mosquiteiros e informação. Na África, que concentra 90% de todos os casos, a rede de organizações religiosas é particularmente importante.

“Nos últimos anos comprovamos que as organizações religiosas têm vantagens que as convertem em sócias excepcionais”, disse Rice em uma reunião de líderes da campanha contra a enfermidade. Uma dessas vantagens é seu “alcance quase universal: muitas áreas rurais carecem de clinicas, mas quase sempre têm uma mesquita ou uma igreja’, afirmou. As organizações religiosas despertam confiança nas comunidades, podem mobilizar voluntários e “demonstraram ser boas levando registros de antecedentes, ajudando os governos a rastrear as proporções de infecções e mortes”, acrescentou.

Na reunião de lançamento de Um Mundo Contra a Malária, o presidente do Conselho Unido Metodista de Bispos, Gregory Palmer, anunciou que a Igreja Metodista Unida participará da distribuição de mosquiteiros em Serra Leoa. Os mosquiteiros são uma das maneiras mais baratas, mais simples e mais fáceis de impedir a propagação da malária. Um comunicado de imprensa dizia que a organização cristã pedirá aos seus membros que deixem de almoçar fora por um dia para comprar e doar um mosquiteiro. Cada compra e distribuição custam cerca de US$ 10.

No ano passado, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Malária, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou o objetivo de dar proteção contra a malária a todos que necessitam até o final de 2010. Uma nova fonte que se explora é o uso de vacina para imunizar as crianças. Na África receberão a vacina RTS, cerca de 14 mil crianças, a primeira contra a malária avençar a fase final de testes clínicos. Talvez, seja a melhor financiada de todas as que estão em desenvolvimento, uma das razões pelas quais ingressou nessa terceira e cara etapa de testes.

“Mas, há pesquisas acadêmicas e empresariais em dezenas de vacinas que estão em fases anteriores de desenvolvimento e que podem ser mais efetivas na prevenção de infecções por parasitas Plasmodium”, afirmou Clive Cookson em uma sessão especial do Financial Times de sexta-feira dedicada à doença. Uma das vacinas potencialmente mais efetivas é desenvolvida pelo laboratório Sanaria, com apoio da Iniciativa PATH de Vacina contra a Malária. Atualmente, busca-se pessoas adultas para testá-las.

O que torna especial a vacina da Sanaria é que usa todo o parasita Plasmodium para criar o antídoto. Muitas vacinas usam porções mortas ou debilitadas de células enfermas para ajudar a imunizar o organismo. “O primeiro teste clinico da candidata a vacina contra a malária da Sanaria é um acontecimento decisivo”, afirmou Michael Good, diretor do Instituto Queensland de Pesquisas Médicas, em um comunicado em que anunciou o início dessa fase para maio. IPS/Envolverde

Ali Gharib

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