MÉXICO,, 30/06/2009 – (Tierramérica).- O estudo dos mares e das costas na faixa do Pacífico do México é uma tarefa pendente que um grupo de 30 cientistas vai assumir.
Fruto da cooperação científica entre México e França, o Observatório foi apresentado no dia 23 deste mês e nele trabalharão cerca de 30 cientistas. Sua sede inicial é o Centro de Pesquisas Biológicas do Noroeste, que pertence ao Sistema de Centros Públicos do oficial Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, no município de La Paz, Estado da Baixa Califórnia do Sul, escolhido por seu constante intercâmbio entre seus acadêmicos e instituições educacionais e científicas da França. O Observatório tem seu nome em homenagem ao famoso explorador francês Jacques Cousteau (1910-1997), que chamava de “aquário do mundo” o Golfo da Califórnia, no Mar de Cortés, no Oceano Pacífico, entre a península da Baixa Califórnia e os Estados de Sonora e Sinaloa, a cerca de 1.700 quilômetros da capital mexicana.
“O Mar de Cortés despertou muita atenção em anos recentes. Os mangues dessa área são autênticas creches das espécies marinhas”, disse ao Terramérica Sofia Cortina, advogada da não governamental Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente. Além disso, “o Pacífico é uma das áreas de pesca mais importantes e abriga algumas espécies únicas no planeta, como a vaquita (Phocoena sinus), uma toninha de tamanho pequeno que está à beira da extinção”, disse ao Terramérica Leila Monroe, responsável pela área de oceanos do norte-americano Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais.
Onze das 32 ecorregiões marinhas do mundo estão no México. Delas, oito ficam na costa do Pacífico. A Comissão Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade estabeleceu cerca de 30 áreas marinhas prioritárias ao longo do Pacífico, de Chiapas até a fronteira com os Estados Unidos. “O valor ambiental desta região é muito importante. Em Estados como Guerrero e Oaxaca há praias de importância internacional para algumas espécies de tartaruga, como a de couro”, disse ao Terramérica a bióloga Ana Barragán, do Programa Nacional de Tartarugas Marinhas da oficial Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas do México.
Este país conta com seis espécies nativas, das quais a negra (Chelonia agassizii), a de couro (Dermochelys coriacea) e a pequena (Lepidochelys olivacea) são próprias do Pacífico. Hoje sobrevivem apenas cerca de duas mil fêmeas de tartarugas de couro. Outro hábitat de grande valor é a Reserva da Biosfera Alto Golfo da Califórnia e Delta do Rio Colorado, criada em junho de 1993, com 934.756 hectares. Nesse território, vivem 39 espécies marinhas em risco de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
A superfície dos mangues mexicanos é de aproximadamente 800 mil hectares, 62% no Oceano Atlântico e 38% no Pacífico. Anualmente, desaparecem cerca de dez mil hectares dessas florestas características das terras úmidas costeiras, segundo dados oficiais. O estudo “Os mangues do Golfo da Califórnia aumentam a produção pesqueira”, publicado em junho de 2008 por cientistas do México, da Espanha e dos Estados Unidos, concluiu que a destruição desses ecossistemas causa grande dano à atividade pesqueira da região. Segundo esse informe, mais de 26 espécies de pesca de alto valor econômico, que propiciam lucro anual de US$ 700 mil por hectare, têm sustento nos mangues do Golfo da Califórnia. A região “é um berço de biodiversidade muito grande”, enfatizou Barragán.
O México registrou 113 mangues de importância mundial na Convenção de Ramsar, assinada em 1971 nessa cidade iraniana, que serve de contexto para a ação nacional e a cooperação internacional para a conservação e o uso sustentável desses ecossistemas. Para Monroe, “uma das atividades mais importantes do Observatório será dar educação sobre a importância das espécies marinhas e seu hábitat”. Sofia Cortina disse que “faltam muitas pesquisas. O Observatório vai ajudar, ao fornecer elementos objetivos sobre a situação da região que servirão ao governo e às organizações não governamentais”. Espera-se que ambos divulguem os resultados dos estudos, embora ainda não esteja definido um programa de promoção. Organizações ecológicas alertam que os Estados de Baixa Califórnia, Chiapas e Jalisco, com litoral no Pacífico, estão entre os cinco mais vulneráreis do país à mudança climática.
* O autor é correspondente da IPS.


