GRIPE-MÉXICO: Novo retorno do vírus

México, 29/07/2009 – O surgimento de novos casos de gripe humana tipo A/H1N1 no México causa preocupação sobre a estratégia a aplicar contra essa doença quando chegar o inverno no hemisfério Norte. As novas infecções foram registradas nos Estados de Chiapas (sul), Yucatán (sudeste) e Jalisco (noroeste). Este mês, os casos positivos em Yucatán passaram de 860 para 2.088 e as mortes atribuídas à gripo A subiram de uma para 12. Em Chiapas, um dos Estados mais pobres do país, o aumento foi de 1.510 casos para 2.694.

“Temos de estar muito atentos para o tamanho do novo foco de inverno e sobre o que o produz, se é a cepa da influenza estacional, a A/H1N1 ou mesmo uma nova”, disse à IPS Pablo Kuri, assessor do ministro da Saúde, Angel Córdova. A seu ver, a estratégia de prevenção baseada em medidas higiênicas foi a adequada, embora reconheça que a sociedade relaxou na aplicação das recomendações. Córdova assegurou na segunda-feira que a doença não está fora de controle e que se pratica uma estreita vigilância sobre ela, pois o nível de alerta nacional se mantém.

A influenza A/H1N1, equivocadamente chamada de gripe suína e surgida em abril no México e nos Estados Unidos, já causou 816 mortes e 134.503 contágios em mais de 121 países, segundo os mais recentes dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estados Unidos, Argentina e México lideram essa lista, o último com 15.727 casos confirmados por laboratórios e 141 mortes. O governo mexicano destinou US$ 84 milhões em medicamentos e material médico para o combate da epidemia, cujo impacto econômico neste país supera os US$ 4 bilhões, segundo dados oficiais.

A explicação oficial sobre o tardio foco de gripe no sudeste do país diz que se trata de um descompasso a respeito do desenvolvimento do vírus no centro do território. As autoridades temem que um foco no inverno, quando ainda não estará pronta a vacina que a indústria farmacêutica tenta desenvolver a toque de caixa. O governo federal acordou com os laboratórios a entrega de 20 milhões de doses da vacina das quais cinco milhões chegaram ao final deste ano. Mas essa quantidade permitiria imunizar apenas um quinto da população mexicana de mais de 107 milhões de pessoas.

A OMS, que em 11 de junho declarou que a nova gripe havia alcançado o grau de pandemia, recomendou que a vacina seja aplicada primordialmente no pessoal medico, nas grávidas, em crianças com complicações de saúde, nas pessoas com idades entre 15 e 45 anos e em maiores de 65. Além disso, as autoridades sanitárias têm uma reserva de dois milhões de doses do medicamento antiviral oseltamivir. Porém, houve pelo menos dois casos de pacientes resistentes a esse remédio, na Dinamarca e no Japão. “Temos de estar vigilantes para que não haja uma superdemanda de serviços médicos nem um aumento súbito das mortes”, disse Kuri, ex-diretor do Centro Nacional de Vigilância Epidemiológica e Controle de Enfermidades.

O secretario Córdova disse que o México tem tempo de planejar a estratégia que executará durante o inverno para enfrentar o vírus, catalogado pela OMS de severidade moderada. Na esteira de casos de abril e maio, o governo federal e a prefeitura da capital mexicana ordenaram o fechamento de escolas e comércios e a suspensão de atividades publicas de massa, como concertos e missas. “Se for necessário, voltaremos a fazer isso”, disse Kuri. No começo deste mês o México foi sede da reunião internacional “Lições aprendidas com a Influenza A/H1N1”, na qual delegados de 43 países, da OMS e da Organização Pan-americana de Saúde analisaram a situação da pandemia e as maneiras de enfrentá-la. IPS/Envolverde

Emilio Godoy

Emilio Godoy es corresponsal de IPS en México, desde donde escribe sobre ambiente, derechos humanos y desarrollo sustentable. En el oficio desde 1996 y radicado en Ciudad de México, ha escrito para medios mexicanos, de América Central y de España.

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