NAÇÕES UNIDAS: Reforma paralisada

Nações Unidas, 06/08/2009 – Após 15 anos, a Organização das Nações Unidas continua paralisada em suas discussões sobre como reformar seu órgão mais poderoso: o Conselho de Segurança

 - UN DPI Photo

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O representante permanente do Sri Lanka na ONU, HMGS Palihakkara, experiente diplomata que ocupou cargos importantes tanto em Nova York quanto em Genebra por mais de uma década, é céptico sobre todo o processo político. “A reforma do Conselho de Segurança talvez seja melhor descrita como um dos mais estrondosos fracassos na historia da ONU”, disse à IPS.

Uma equipe de trabalho das Nações Unidas criada para estudar o tema teve o único êxito de sobreviver quase 15 anos, mas fracassou em criar um plano aceitável para todos os 192 membros. A principal pedra n sapato é dizer quem integraria um eventual Conselho de Segurança ampliado. “Foi uma boa tentativa em uma causa perdida”, disse um diplomata do Sul em desenvolvimento que pediu para não ser identificado. O presidente da Assembléia Geral, Miguel d’Escoto, fez um último esforço em fevereiro ao lançar um novo processo de negociações entre os Estados-membros. Está prevista uma terceira rodada de negociação a partir do próximo dia 27, duas semanas antes de d’Escoto deixar o cargo.

O embaixador do Afeganistão, Zahir Tanin, presidente do atual processo de negociação, disse a jornalistas no mês passado que “ainda estamos presos em disputas sobre as regras do jogo, mas com o plano de trabalho do presidente d’Escoto clareamos todos os obstáculos de procedimento no primeiro dia”. Perguntado se há alguma solução à vista, afirmou: “Após 15 anos de paralisação, não podíamos esperar desatar o nó górdio apenas nos últimos cinco meses”. Disse, ainda, que não tem conhecimento das intenções do próximo presidente da Assembléia Geral, o líbio Ali Abdessalam Treki, que presidirá a 64ª sessão, que começará em 15 de setembro.

O tema mais polêmico é o aumento do número de membros do Conselho, atualmente integrado por 15 países, cinco deles com poder de veto (Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) e 10 rotativos. Uma esmagadora maioria concorda que esses números devem aumentar. Brasil, Alemanha, Índia e Japão exigem sem êxito um lugar permanente há mais de uma década. Entrar para o Conselho de Segurança é assunto de grande controvérsia, sobretudo motivada pelos que estão de fora, e é possível que nenhuma mudança ocorra nesta geração, ou nem mesmo na seguinte, previu um alto funcionário das Nações Unidas.

Enquanto América Latina, Ásia e Europa já apresentaram seus candidatos – com a previsível oposição do Paquistão à candidatura da Índia e a da Itália em relação à alemã – a África ainda não tem nenhum candidato, embora tenham se apresentado Egito, Nigéria e África do Sul. Segundo uma reforma proposta, os novos membros permanentes não teriam poder de veto, criado, assim, uma terceira categoria. Mas a União Africana, que representa todos os países da África, é contra. O veto é tema de árduos debates, e as declarações de muitos embaixadores mostram o quanto é impopular este poder dos membros permanentes. Porém, uma reforma de curto prazo sobre este ponto é improvável.

Uma campanha para limitar o veto exigiria o apoio das potências medias. Mas, enquanto estas pretenderem um lugar permanente no Conselho de Segurança, e, portanto, ao poder de veto, não apoiarão esta reforma. James A. Paul, diretor-executivo do não-governamental Fórum de Políticas Globais, que acompanha de perto o processo de reformas desde seu início, expressou dúvidas sobre qualquer possível evolução num futuro próximo. A longa batalha sobre a reforma do Conselho de Segurança voltou a ser destaque, pois Brasil, Alemanha, Índia e Japão fazem renovados esforços para obter um lugar permanente nesse órgão. “Mas sua campanha para entrar nesta oligarquia provavelmente não terá sucesso pelas mesmas razões que fracassou antes”, disse Paul à IPS. IPS/Envolverde

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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