AMBIENTE-COLÔMBIA: Acentuam-se os extremos climáticos

Bogotá, 25/09/2009 – Os efeitos da mudança climática acentuam-se na Colômbia devido à sua localização geográfica, que inclui uma costa de 1.300 quilômetros sobre o oceano Pacífico, uma “influência direta que pode causar impactos mais fortes do que no resto da América”, disse o especialista Ricardo Lozano, diretor do Instituto de Hidrologia, Meteorologa e Estudos Ambientais (Ideam) Esta afirmação está de acordo com o fato de atribuir ao fenômeno climático periódico La Nina os desastres naturais que afetaram quase dois milhões de pessoas no ano passado. Também atribuiria ao regresso de El Nino o aumento de temperaturas muito acima da média entre agosto e começo deste mês, o que ocasionou incêndios florestais que consumiram mais de 4.600 hectares, segundo dados oficiais.

La Nina se caracteriza pelo resfriamento atípico das águas superficiais do Pacífico e o aumento dos ventos alísios na área próxima ao equador. Sua outra face é El Nino, a fase quente da Oscilação do Sul (ENOS). Os dois fenômenos afetam boa parte do planeta, especialmente a região andina sul-americana. O calor diminuiu o volume dos rios na Colômbia e os governos locais anunciaram racionamento de água e de energia elétrica na cidade de Cali e na costa do mar do Caribe, enquanto as autoridades de Bogotá asseguravam ter reservas para sete meses, embora não chova nesse lapso de tempo.

A época de chuva se prolongou desta vez até maio devido à presença de La Nina. O Sistema Nacional de Emergência informou na oportunidade que 124 mil pessoas sofreram seus efeitos com deslizamentos, inundações ou vendavais. Mas, em agosto, apenas três meses depois, o excessivo aumento da temperatura causou incêndios florestais no Valle do Cauca (sudeste), provocando a morte de dois bombeiros, enquanto na caribenha Barranquilla uma mulher de 62 anos morreu porque o calor afetou sua pressão arterial, segundo o boletim médico.

Nessa cidade, capital do departamento de Atlântico, onde a temperatura média varia entre 28 e 32 graus, no final de agosto e começo deste mês chegou a 42 graus. Em proporções semelhantes aumentou a temperatura em todo o país. “A Colômbia não está livre do aquecimento global, por um lado, mas por algumas semanas diminuiu a nebulosidade de maneira considerável, aumentando a radiação solar”, explicou à IPS Miriam Leon, meteorologista do Ideam. As altas temperaturas afetaram inclusive montanhas tutelares de Bogotá, situada a 2.600 metros acima do nível do mar, com incêndios florestais menores.

Quando o calor de agosto e setembro estava em seu ponto mais alto, as nuvens reapareceram produzindo novas chuvas parciais na maioria das regiões. Os meteorologistas entendem que é o preâmbulo de uma nova etapa de inverno tropical, que se prolongaria até dezembro. “A previsão é de um inverno leve, porque as águas do Pacífico começam a esquentar pelo efeito El Nino”, disse Leon. Sua afirmação suporia haver menos afetados durante a iminente etapa de chuvas. Também ajudaria a mitigar os efeitos da mudança climática o cumprimento da legislação ambiental, cujas bases se assentam em uma lei de 1993 pela qual foi criado o Ministério de Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento territorial.

A lei “reordena o setor público encarregado da gestão e conservação do meio ambiente e dos recursos renováveis, e reorganiza o Sistema Nacional Ambiental”, conforme consta de sua introdução. Inclui aspectos como “o desenvolvimento econômico e social do país se orientará segundo os princípios universais sustentáveis”. Acrescenta que “a biodiversidade do país, por ser patrimônio nacional e de interesse da humanidade, deverá ser protegida prioritariamente e aproveitada de forma sustentável”. Assegura que “as políticas de população levarão em conta o direito dos seres humanos à uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza, e as áreas de paramos, subpáramos, nascentes de água e de recarga de aquíferos serão objeto de proteção especial”. Na “utilização dos recursos hídricos, o consumo humano terá prioridade sobre qualquer outro uso”, acrescenta a lei.

Entretanto, a norma nem sempre é cumprida, com no caso da água. O parlamento rechaçou em primeira instância o referendo da água pelo qual se busca evitar que continue a privatização “nos quais há interesses particulares muito claros”, recordou à IPS o ativista Hernán Darío Correa. Mas, a mobilização social conseguiu reverter essa decisão, por isso os legisladores deverão retomar o assunto nas próximas sessões. Na conservação do meio ambiente e no respeito pela lei também influem tradições camponesas não erradicadas de todo como a queimada de campos para proceder ao cultivo.

Também influi negativamente que sejam concedidas licenças para exploração mineira, como é o caso da aurífera Colosa, na cordilheira central, a cargo da Anglo Gold Ashanti. A intervenção da Corporação Regional de Tolima conseguiu limitar a exploração argumentando dano ambiental. “As mudanças e a aplicação correta da lei está sujeita a processos lentos, paulatinos, porque é preciso mudar parâmetros”, reconhece Leon, destacando os benefícios da legislação e o poder alcançado nos últimos anos por algumas Corporações Autônomas Regionais. Além disso, acrescenta, “a população do país aumenta, em muitos casos sob condições econômicas desfavoráveis, o que incide na exploração de recursos naturais nem sempre em condições apropriadas”, disse Leon.

É que a pobreza, segundo dados divulgados em agosto pelos estatais departamentos Nacional de Estatística e de Planejamento Nacional, chega a quase 48% dos 42 milhões de colombianos, oito milhões dos quais estão na indigência. “A pobreza, o saneamento básico, a degradação das contas e o uso dos recursos naturais em geral influem no dimensionar ou controlar os efeitos da mudança climática”, disse Lozano. E acrescentou que o trabalho é feito com comunidades locais, “fundamentais para o desenvolvimento de nossos programas”. IPS/Envolverde

Helda Martínez

Helda Martínez escribe para IPS desde Colombia, en especial sobre desarrollo y sociedad. Se graduó en 1981 como comunicadora social y periodista. Ese mismo año obtuvo el Premio Nacional de Periodismo Simón Bolívar en la categoría Mejor Trabajo Social, modalidad radio. Trabajó para medios de comunicación masivos de su país, como el periódico El Espectador y la radio Todelar. También se desempeñó como investigadora y redactora de varias publicaciones. Entre ellas se destacan "La guerra: Una amenaza para la libertad de información", editado por Medios para la Paz en 2002; "Prensa, conflicto armado y región. Aprendizajes del diplomado - Periodismo responsable en el conflicto armado" - Medios para la Paz, 2006; "Colombia y las Sentencias de la Corte Interamericana de Derechos Humanos" - IIDH, 2010.

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